22.12.09

Meu maior desejo para o nosso 2010: mais tolerância


Num mundo onde não há pretos ou brancos, mas um monte de degradês de cinzas e mulatos, palavras, atitudes e leis radicais, totalitárias e ditatoriais me assustam. Espero que eu consiga me colocar mais no lugar do outro, que possa compreender a importância do respeito mútuo, das liberdades e das responsabilidades. Ao invés de procurar inventar novas rodas, quero olhar para as rodas atuais e checar se elas de fato não funcionam, se não podem ser aperfeiçoadas, se não encontro o 36, antes de partir do 8 para o 80.

"A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos." - Mahatma Gandhi

10.11.09

Paraninfo pela 1a vez


Na última sexta-feira, vivi mais um grande momento. Além de ver a minha mãe de beca, se formando em pedagogia, tive a imensa honra de ser o paraninfo da celebração. Agradeço, mais uma vez, ao convite carinhoso de Ana Luiza, Carla, Daniela, Juvenília, Karla Cristina, Maria Selma, Michelle, Regina, Rita de Cássia e da minha mãe. Abaixo, transcrevo o discurso que preparei com muito carinho.

Boa noite, senhoras e senhores,

Não posso começar sem dizer quão honrado me sinto nesse momento. Além dessa ser a primeira vez que exerço a função de paraninfo, recebo o convite de um grupo muito especial: um grupo de pessoas que aceita o que considero ser o maior desafio dos tempos atuais: o de ser professor e educador. As pessoas que optam por pedagogia no mundo de hoje acreditam na criação de um mundo melhor e que o ser humano pode ser, de fato, humano. E além de ter sido convidado por esse grupo que compartilha comigo de crenças e sonhos, faz parte dele uma pessoa que é, foi e sempre será muito especial pra mim. Fui colocado por Deus na vida dessa pessoa e ela me criou, me ensinou a andar, a ter valores, a acreditar, a batalhar, a ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Mãe, você é uma das maiores razões das minhas alegrias e do meu sucesso.

Continuando, eu queria compartilhar com vocês uma história da minha infância, um plano que eu tinha quando era bem pequeno: eu queria criar um mundo perfeito! Eu pensava em comprar uma fazendona e construir uma casa lá no alto de uma montanha. Saindo da casa, teria um escorregador enorme até lá embaixo, que terminaria numa piscina. As pessoas poderiam subir a montanha por escadas rolantes ou um teleférico, essa seria uma decisão bem difícil. Eu levaria minha família, meus amigos e um monte de gente pra morar comigo. Todo mundo teria casas e nós produziríamos tudo o que precisássemos, que na minha cabeça seriam alimentos, roupas e brinquedos. Tudo seria muito limpo e bonito e não haveria a necessidade de armas ou policiais porque todo mundo seria feliz. Também haveria muita música e todo mundo faria todas as refeições juntos - a mesa teria que ser enorme! Medo também não existiria nesse lugar. Seria tão perfeito que a gente poderia comer todo chocolate e beber todo o refrigerante que a gente quisesse e ninguém ia engordar!

Depois de alguns anos, eu decidi que não precisava construir esse lugar. Eu gostava de morar em Brasília, mas precisava arrumar algumas coisas. Achava que as paradas de ônibus precisavam de umas cores e as pessoas pobres precisavam ganhar dinheiro. Mas tudo isso podia ser facilmente arrumado. Eu planejava colocar umas cores nas paradas de ônibus, plantar umas árvores com flores e cuidar dos pobres. Eu daria um monte de talões de cheques pra todos eles pra que eles pudessem comprar tudo o que quisessem. Vocês podem imaginar a minha frustração quando minha mãe me explicou que as pessoas precisavam ter dinheiro no banco pra usar os talões?

Hoje, depois de amadurecer um pouquinho, meus pensamentos não mudaram tanto... Eu ainda tenho certeza que podemos criar um mundo perfeito. Eu ainda sou um idealista, como vocês. Sabem, nós vivemos num planeta maravilhoso com belezas naturais de tirar o fôlego e pessoas sensacionais. Nós já desenvolvemos vários avanços tecnológicos, idiomas complexos, curas pra doenças, culinárias, músicas, artes... e a cada momento podemos nos comunicar e viajar mais rápido que nunca! Ao mesmo tempo, ainda temos muito a fazer. Mesmo com esses avanços, ainda temos imensos desafios, como a fome, a pobreza, a violência e a falta de necessidades humanas básicas.

Então, o que há de errado? Acho que melhor do que fazer como quando eu era criança, metia a mão no bolo e dizia "foi o meu irmão, mamãe!" deveríamos nos perguntar todos os dias: o que estamos fazendo pra construir um mundo melhor? Essa cerimônia é um momento em que queremos celebrar o sucesso desse grupo de pessoas lindas, mas também é um tipo de ritual de passagem quando deveríamos parar e refletir sobre o que realmente importa pra nós. Agora que vocês são pedagogas, qual o próximo passo? A maioria das pessoas geralmente persegue coisas que lhes traga prazer, dinheiro, sucesso e poder. Será que isso é tudo? Talvez possamos encontrar outras coisas que adicionem a cobertura de chocolate ao nosso bolo de cenoura... e eu de novo com esses pensamentos de gordinho...

Vocês devem estar se perguntando o que essas coisas podem ser, certo? Será que ele tá falando de plantar árvores, ter filhos e escrever livros? Ou talvez ir ao programa da Hebe, ao show do Roberto Carlos, fazer parte de uma dupla sertaneja? Bem... não exatamente. Vocês estão aqui hoje porque vocês estudaram bastante, se esforçaram muito e também porque tiveram oportunidades. Felizmente, vocês fazem parte de um grupo muito pequeno no mundo todo que termina um curso universitário. Agora, mais do que nunca, você são responsáveis pela construção do futuro de um monte de gente, por motivar as pessoas pra que elas se sintam capazes e desejosas de melhorar e de fazer o bem. Como as abelhas, que saem colhendo e distribuindo pólen, nós, educadores, temos a missão de colher das pessoas o que elas têm de melhor e de distribuir a paixão pelo conhecimento, pelo respeito e pelos valores de uma sociedade solidária.

Tenho certeza que estou diante de um grupo de educadoras que continuarão pensando grande e valorizarão a ideia de compartilhar oportunidades com e para os outros. Sei que não será fácil. Todas os profissionais, mas principamente os professores, têm imensos desafios no seu dia-a-dia. Temos de entender um pouquinho de tudo: pedagogia, psicologia, administração, informática, teatro, música, artes... Ah, não podemos esquecer de economia, pra fazer milagre com os salários...

Ao mesmo tempo, tenho certeza de que vocês serão brilhantes em suas jornadas. Um grande professor chamado Christian Larson nos deixou algumas dicas que me ajudaram bastante: "Prometa a si mesmo ser tão forte que nada poderá atrapalhar a sua paz de espírito. Procure o lado bom de tudo e faça o seu otimismo se tornar realidade. Pense sempre o melhor, trabalhe sempre para o melhor e espere sempre o melhor. Esqueça os erros passados e planeje os grandes sucessos do futuro. Dedique tanto tempo ao seu próprio crescimento que não terá tempo de criticar os outros. Viva com a crença de que o mundo todo está do seu lado e permaneça verdadeiro e confiante no melhor que há em você!"

Acho que já falei demais, né? Quero encerrar com uma reverência para expressar a minha grande e eterna admiração por esse grupo de pedagogas e agradecendo a todos que ajudaram e continuarão ajudando a fazer dos seus sonhos a nossa realidade. Acreditemos no nosso potencial e no poder transformador da boa educação, sempre! Obrigado a todos pela atenção.

29.10.09

Época: Entre os muros da outra escola

Está na hora de enfrentar a violência também no ensino privado

ELIANE BRUM

Eu a conheci anos atrás. Conquistou-me de imediato. É cada vez mais raro encontrar uma criança bem educada, que diz por favor, obrigada e com licença. Que pede desculpas se esbarra em você sem querer. Que dá oi e dá tchau. Que pergunta se você está bem. Ela é assim. É agora, aos 11, quase 12 anos. Era aos 5, quando nos encontramos. Gostava de barbie e de desenhos animados, mas vez ou outra assistia a algum filme do expressionismo alemão com interesse. Ouvia Palavra Cantada e Chico Buarque com igual deleite. Éramos ambas – e somos até hoje – fãs quase fanáticas dos livros do Harry Potter. Filha de mãe escritora, pai economista, ela tinha, ao mesmo tempo, estímulo para voos intelectuais mais largos e respeito por seus gostos infantis, o que sempre me pareceu um jeito sábio de educar. Para mim, ela sempre foi impossível de não se gostar.

É triste não poder aqui colocar o nome desta menina tão especial. Mas seu nome não será revelado para protegê-la de seus colegas, precaução por si só chocante. Na semana passada eu soube por sua mãe que ela deixaria a escola que cursa há anos. Foi sendo expulsa pelos colegas, sem que os professores nada fizessem. Estuda numa das escolas de elite de São Paulo. Bom projeto pedagógico, turmas pequenas, inclusão de crianças com necessidades especiais. Tudo de bom e de moderno, aparentemente. O que, então, aconteceu, para que uma boa aluna, uma garota afetuosa e bem educada, tenha de partir porque a escola se tornou um filme de horror?

Muito se escreve e se fala sobre a violência nas escolas públicas. E o tema é sério e relevante. Mas está na hora de prestarmos mais atenção no que ocorre na outra ponta da desigualdade social refletida no sistema de ensino brasileiro: as escolas privadas de elite. Diante da piora progressiva da qualidade da escola pública, a classe média vem esfolando o orçamento para matricular seus filhos em escolas privadas, com a convicção de que assim têm mais chance em um mundo competitivo.

Por que a classe média não brigou – e não briga – pela qualidade do ensino público em vez de se bandear para a educação privada? Eu mesma cursei o ensino médio em escola pública (uma péssima escola pública, diga-se), mas tomei o mesmo caminho de boa parte dos pais de classe média ao matricular minha filha: esfalfei-me durante 11 anos para pagar um dos colégios privados mais caros de Porto Alegre. Por que não fui brigar por qualidade de ensino dentro da escola pública? Por amor pela minha filha, sem dúvida, mas também por empatia de menos pelo destino dos filhos dos mais pobres, provavelmente. Na hora de escolher, optei por resolver o problema “dos meus”.

Muitas vezes, eu deixava de pagar todas as contas para pagar a escola. Nunca atrasei o colégio para que ela não sofresse constrangimento, nem a luz para não ficarmos no escuro. O restante das despesas atrasei todas durante boa parte desse período, o que me rendia noites recorrentes de insônia e humilhações sem fim diante de gerentes de banco. Mesmo assim, nunca me passou pela cabeça matriculá-la numa escola pública, tão certa eu estava de que fazia o melhor – para a minha filha.

O péssimo desempenho do Estado na educação e a falta de cidadania de gente como eu permitiu que essa situação se perpetuasse até níveis inacreditáveis. O resultado estamos amargando faz tempo, mas não tenho dúvida de que será muito pior em sentidos que ainda não alcançamos por inteiro. As escolas talvez sejam as maiores reprodutoras de desigualdade. Não apenas na questão da qualidade, que determina destinos. Mas no convívio cotidiano, no (não) exercício da solidariedade e do respeito às diferenças. Seja nas públicas ou nas privadas, o que encontramos é uma convivência entre iguais. Nossos filhos não conhecem a diferença, não são beneficiados pela riqueza da diversidade. Não conjugam a tolerância. Quando confrontados com a diferença – e não apenas a socioeconômica –, expulsam-na.

Foi o que aconteceu com a menina desta história. Tempos atrás, ela ligou para a mãe no recreio, implorando para que fosse buscá-la. “Eu não suporto mais ficar aqui”, disse. Suava muito, desesperava-se. Sua mãe respondeu que ela precisava permanecer. E ela está resistindo como pode até o final do ano, para então trocar de escola.

Liguei para minha pequena amiga para saber o que estava acontecendo e propus uma entrevista. Em off, para que ela não fosse mais trucidada na escola do que já é. Ela topou. E aqui está a transcrição literal da nossa conversa, para que seu testemunho possa nos ajudar a pensarmos juntos num problema que é de todos.

Eu: O que aconteceu?
Ela: Eu não sou aceita. Meus colegas me acham meio estranha. Acho que me acham idiota.

Eu: Mas por quê?
Ela: Eu não gosto das conversas deles, me sinto mal. Acho que tenho um jeito diferente de pensar que eles acham bobo.

Eu: Mas que jeito é este?
Ela: Eles gostam de ficar ridicularizando os outros. Eu não quero fazer isso.

Eu: Mas quem eles ridicularizam?
Ela: Nossos colegas que têm dificuldade (portadores de necessidades especiais). Eles às vezes precisam fazer provas mais fáceis. Aí chamam eles de burros, de idiotas. Eu acho isso muito injusto. Queria poder fazer alguma coisa, mas eu não sei o que fazer. E os professores não fazem nada.

Eu: Quem mais eles ridicularizam?
Ela: Gente que não usa roupa de marca, que não gosta do que eles gostam.

Eu: E do que eles gostam?
Ela: De funk, por exemplo. Adoram funk. Eu não gosto de funk, daquelas letras. É muito sem conteúdo. Mas gosto da Hannah Montana e da Rihanna. Eles também gostam daqueles programas de TV que ridicularizam as pessoas. Acham que isso é engraçado. E ficam falando das marcas das roupas que usam. Ah, essa calça é da marca tal. Esses dias uma menina disse para a outra: “Ah, o seu pai é milionário”. Aí essa menina respondeu: “Mi não. Bi-lionário”. Pensei: “E você é bi-polar”. Pensei, mas não disse.

Eu: E o que começaram a fazer contigo?
Ela: Eles não falam comigo. Eu pergunto, não respondem. Sabe, teve uma festa, uma balada, mesmo, que convidaram todo mundo. Eu fui uma das poucas que não fui convidada. Aí só ficavam falando nesta festa. E eu não sei por que eu não fui convidada. Eu nunca fiz nada de ruim para nenhum deles. Não entendo por que não gostam de mim. Minha melhor amiga também começou a me ignorar. Eu chego, ela sai de perto. Ela começou a ficar popular na escola.

Eu: E o que é ser popular na escola?
Ela: É usar roupa de marca e sair pisando em todo mundo.

Eu: O que mais te faz sofrer?
Ela: Ficar sozinha no recreio. Eu queria brincar, conversar, mas não tenho com quem. Só eu e o menino com problema mental ficamos sozinhos no recreio. É muito ruim ficar sozinha no recreio. Eu fico muito triste.

Eu: E por que você não fica com o menino com problema mental?
Ela: Porque ele é menino. Eu não tenho muito o que conversar com menino. Mas eu queria poder fazer alguma coisa. Porque ele fica lá sozinho, desenhando. E eu sei como é ruim ficar sozinha no recreio.

Eu: Por que você acha que seus colegas são assim?
Ela: Eles são que nem os pais deles. Nessa coisa das marcas, do dinheiro. Mas quem cria meus colegas, mesmo, não são os pais. Eles nunca ficam com eles. Eles estão trabalhando ou em jantares. Meus colegas são criados pelas babás. Elas são as mães de verdade deles.

Eu: E como eles tratam os professores?
Ela: Essa minha ex-amiga chama a coordenadora de “idiota” e de “imbecil” na frente dela. Não é pelas costas, é na frente. Ela acha que o pai vai pagar para ela passar de ano. Numa excursão, teve um colega que disse para o monitor: “Essa sua profissão é uma m...”. Eles são assim. Acham que vão herdar o dinheiro dos pais. Mas eu tenho impressão que vão gastar todo o dinheiro bem rápido. E aí não sei como vão fazer para trabalhar.

Eu: Você chora muito?
Ela: Antes eu chorava. Teve um dia que pedi para minha mãe me tirar de lá. Liguei para minha mãe no recreio. Não sei por que eu fiquei assim tão mal. Eu suava. Sabe, fiquei desesperada. Mas agora aprendi a lidar com isso.. Estou administrando melhor a situação. Levo um livro para o recreio. Agora estou lendo “Coraline e o mundo secreto”. Você viu o filme? Foi baseado no livro.

Eu: E quando você decidiu mudar de escola?
Ela: Quando fui sentar ao lado de um menino e ele disse: “Desinfeta daí”. Eu fiquei sentada onde eu estava. Mas sei que ele não diria isso para outra menina. Acho que falou para mim porque eu não fui convidada para aquela festa. Eu estava aguentando, mas aí foi a gota d’água.

Eu: Você acha que no novo colégio vai ser diferente?
Ela: É uma escola maior. Tem mais gente. Então, deve ter alguém mais parecido comigo, né?

Espero que sim. Desliguei o telefone com medo dos pequenos monstros que conseguem expulsar de seu mundinho alguém tão doce quanto a minha amiga. O que eles vão fazer com o mundo maior quando crescerem? Que tipo de elite nossas escolas estão formando, para além de se dar bem no vestibular e no mercado de trabalho? O cotidiano nas escolas privadas do país pode ajudar a explicar o que acontece hoje nas esferas de poder da vida brasileira.

A crueldade infantil não é novidade. O massacre daqueles que usam óculos, são gordos ou diferentes de alguma maneira é um clássico. Bullying é a palavra inglesa para o abuso físico e psicológico cometido contra indivíduos e grupos mais fracos. Nos últimos anos, tem crescido o número de reportagens na imprensa sobre o bullying na escola. Parece-me que há algo novo neste cenário. E bem mais perverso do que as formas habituais de maldade infantil.

Minha amiga foi sendo expulsa porque está sozinha. Sua esperança na nova escola é conseguir formar um grupo com valores mais semelhantes aos dela para resistir. Para, de alguma maneira, sentir-se parte, para então ter alguma possibilidade de interlocução com outros modos de existir. O modelo brasileiro de ensino – resultado de uma das maiores desigualdades do planeta e do declínio da escola pública – caracteriza-se por um mundo escolar cada vez mais igual dentro dos muros. Nos respectivos guetos, o espaço para toda a diferença parece ter sido suprimido.

Estou generalizando? Pode ser. Mas apenas converse com um professor de escola privada de elite para que ele conte suas peripécias cotidianas com estes mais iguais que os outros. Já tenho sido vítima destas crianças sem limites, sem cultura e sem educação que me atropelam nos corredores dos shoppings e restaurantes, que gritam suas exigências e fazem cenas públicas, sem que seus pais tomem qualquer atitude além de prometer algo em troca de sua colaboração.

Acho que está passando da hora de entender que há um tipo de violência sendo exercido e perpetuado nas escolas privadas de elite. E que essa violência é refletida também lá, nas escolas de periferia, onde a agressão é armada. As violências destes mundos escolares só aparentemente antagônicos se retroalimentam. Uma existe também por causa da outra. Há uma infância supostamente protegida e com todos os acessos abertos ao conhecimento e ao melhor que o dinheiro pode comprar – e outra desprotegida de tudo, que só recebe o pior. Separadas por grades, muros e cercas eletrificadas, uma desconhece a outra. Muitas vezes vão se cruzar mais tarde, pela violência, em alguma esquina da cidade. E são os pais e as mães destes meninos desprotegidos que alguns dos protegidos desrespeitam nos corredores de suas escolas iluminadas, ao encontrarem-nos limpando o chão ou exercendo serviços que consideram, como disse o menino na excursão, “uma m.”.

A escola deveria promover a intersecção dos mundos. É nos bancos escolares que as diferentes realidades – não só a socioeconômica, mas também ela – deveriam se cruzar e dialogar. É na desigualdade de ideias, de culturas e de visões de mundo que se aprende e se avança. Esta desigualdade do bem, porém, foi banida do modelo de ensino. Em vez disso, a escola transformou-se em reprodutora da desigualdade perversa: a socioeconômica, com todos os seus (des)valores correlatos. A escola é resultado da desigualdade socioeconômica e de uma sucessão de políticas desastrosas de ensino. Mas, se é criatura deste mundo, é também criadora, ao reproduzi-lo. Ao transformar-se numa linha de produção da desigualdade que beneficia os mais iguais de sempre, deixa de educar. Este, me parece, é o dilema atual. Ou, pelo menos, um dos grandes.

A ilusão dos pais de filhos em escolas privadas é de que, ao colocá-los lá, garantem a sua proteção. Seus filhos não perdem nada. Quem perde são os filhos dos outros, que não conseguem pagar a mensalidade. Engano. Perdemos todos. A eliminação da diversidade trará consequências mais perversas do que me parece que pais e autoridades têm percebido. Sem diferença não há diálogo. É possível educar sem diversidade? Há aprendizado de fato sem dissonância? Duvido.

Nas escolas de elite, os estudantes ameaçam professores e funcionários não com pistolas, mas com outro tipo de arma: “Sou eu que pago seu salário!” ou “Meu pai vai mandar te demitir!”. Quantos professores já não ouviram frases como essa ao tentar impor limites na sala de aula para esses projetos de déspotas? Já testemunhei professores esvaindo-se em lágrimas e jurando mudar de profissão. E não davam aulas em escolas com esgoto a céu aberto.

“Estas crianças são criadas pelas babás”, disse a mãe da minha amiga. “Ou seja: elas já mandam desde pequenas naquelas que deveriam ser uma autoridade. Se elas podem demitir a pessoa que está no lugar de autoridade, o que se pode esperar?” Ela tem razão. E é bom começarmos a refletir com mais seriedade sobre esse fenômeno contemporâneo.

Minha filha sofreu muito na escola privada. Ela não tinha tênis nem roupas de grife, entre outros defeitos inaceitáveis. Eu disse a ela que o mundo era duro e que ela precisava enfrentar esse tipo de gente desde sempre. Ela enfrentou. Na vigésima vez que o filhinho de papai ridicularizou a sua roupa, ela bateu no menino. Foi uma boa saída? Claro que não. Mas foi o que ela conseguiu fazer diante da minha surdez.

O mais curioso, mas nem tanto, é que em vez de minha filha ser punida por ter agredido o colega, foi parabenizada pelos professores. Um a um eles vinham cumprimentá-la e dar parabéns. De algum modo, ela vingava a humilhação cotidiana de todos eles. Mas seria esta uma boa pedagogia? Estaria esta resposta à altura de alguém que estava ali para ensinar? O episódio não teria sido uma boa oportunidade para discutir, refletir e aprender? Parece-me que também os professores, por diversas razões – e também pela humilhação cotidiana –, não conseguiam estar no lugar que deveriam, não era possível ali a dialética entre mestre e discípulo.

“Talvez tudo o que esses garotos sabem dos pais é que são ricos. Criados por babás, tentam manter esse traço, esse significante do rico/pobre para manter em si os pais que de certo modo não existem”, comentou minha filha, hoje adulta, depois de ler este texto. “Não estou justificando”, disse. “Só pensando.” Seu comentário me fez perceber que estas crianças e adolescentes que fazem sofrer também devem sofrer muito. Afinal, eles não são monstrinhos, como tendemos a pensar. Se fossem, seria mais fácil. São gente. E gente sofre.

Desejo sorte à minha pequena amiga na nova escola. A melhor resistência é continuar sendo ela mesma. Mas temo pela sorte de todos nós no futuro próximo se não enfrentarmos a violência não apenas nas escolas da periferia, mas nos prédios imponentes e caros do lado privilegiado do mundo. Uma violência que começa não fora, mas dentro de casa, tendo os pais como cúmplices – quando não como exemplos.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

28/09/2009 - 09:11 - Atualizado em 28/09/2009 - 12:37
ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Repórter especial de ÉPOCA, integra a equipe da revista desde 2000. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de Jornalismo.

26.10.09

Contador de mídias sociais

Você já o conhece? Ele fornece números impressionantes a partir do momento que você acessa o site sobre a utilização de mídias sociais, celulares e games.

24.9.09

Ausências necessárias

Pessoal, preciso me ausentar por um tempo, inclusive do mundo virtual e celular, para dedicar-me mais do que completamente ao término da minha tese. Prometo retornar com tudo em aproximadamente 15 dias. Enquanto isso, vocês podem checar textos antigos do blog, ou as minhas páginas do Twitter, Diigo, etc. Já sinto saudades. Wish me luck. ;D
Rafa.

15.9.09

10.9.09

Divagando sobre o aprender

Peço licença pra escrever algumas divagações - reflexões bem pessoais (e não completamente conectadas) sobre coisas que tenho lido e ouvido em eventos importantes ou conversas paralelas, algumas vezes de desconhecidos, outras de pessoas queridas e admiradas. Como já disse aqui, gosto muito de discutir abertamente, e sem muitos dedos, sobre questões não consensuais. É possível que o que eu escreva não agrade e que a minha opinião seja imatura ou simplesmente errada. Peço a vocês que me mandem opiniões por email ou comentários. Juro que estou disposto a mudar de opinião assim que for convencido. Nos lugares que eu não colocar um link é porque perdi a referência :( .

Ouvi, há bastante tempo, que o que aprendemos nos primeiros anos de vida supera (muito) tudo o que aprendemos no resto dela. Mais recentemente, li sobre uma pesquisa que diz que os bebês são os seres mais autodidatas que existem. Por que? Pode ser que a falta de limites e a ausência do "não pode, não faz, não vai" nos deixem mais livres pra explorar e curiar. Tem aquela palestra do TED, em que o Sir Ken Robinson pergunta se a escola mata a criatividade. Será? Tem também aquela frase famosa do Einstein: "É um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal". Por outro lado, ouvi outro dia que a pedagogia que funciona, de verdade (segundo estudos numerosos e confiáveis), é aquela planejada, direcionada e direta, o professor falando e o aluno escutando e aprendendo.

Sei não... acredito na disciplina, no respeito, no planejamento e na hierarquia, mas não numa coisa servil, do tipo "é assim porque eu quero e ponto final". Eu acredito que as pessoas aprendem quando querem, por necessidade ou qualquer outra coisa que estimule a vontade. Daí, quando elas querem/precisam, vão atrás de fontes (pessoas ou coisas) e absorvem o máximo que conseguem. Acho que as tecnologias, em especial a internet, têm o poder de trazer de volta a possibilidade de explorar e curiar que a gente pode ter perdido no meio do caminho.

Outro dia vi um vídeo muito legal. Um menino de uns 10 anos tentava, sozinho, aprender a fazer fogo com dois pedaços de madeira. Ele explicava o que tinha ouvido sobre o assunto, o que já tinha feito, mas não entendia o que tava dando errado... o fogo não tava aparecendo. A forma que ele resolveu pedir ajuda foi fazendo, mais uma vez sozinho, esse vídeo que colocou no YouTube. No final ele pede ajuda: "você aí, que tá me assistindo, fala nos comentários o que eu tô fazendo errado". Ele recebeu várias respostas. E conseguiu. E aprendeu.

Aí paro e penso em mim. Passo de uma a duas horas no Twitter todos os dias. Fazendo o quê? Aprendendo. Com quem? Com 257 pessoas do mundo todo (meus professores tuiteiros) que eu sigo e que publicam notícias com artigos, textos, vídeos, etc, sobre tecnologias na educação e outras coisas (algumas bem banais, outras bem legais). Será que dá pra comparar o que eu aprendi nos cursos do doutorado da NYU com o que tenho aprendido no Twitter? Sei não... mas eu tô aprendendo muito!

Aí paro e penso no papel do novo professor. Tenho ouvido que ele continua precisando saber muito do seu conteúdo (mesmo com o Google e com a quantidade de informações que crescem exponencialmente), que aumentar o salário dele não dá muito resultado naquilo que o aluno aprende, que turmas menores também não fazem muita diferença. Sei não... Acredito que as pessoas do passado precisaram, as do presente precisam, e as do futuro vão precisar de professores. Mas os professores que eu acredito são aqueles que te inspiram, te motivam, que você tem vontade de parar tudo que tá fazendo pra ouvir nem que seja uma palavra. Você não é obrigado, você quer, você precisa, você sente uma necessidade meio inexplicável de ouvir aquilo que te arrepia. Além disso, nos melhores sistemas de educação do mundo, os professores são bem selecionados, bem formados e bem remunerados.

Tenho algumas perguntas que dariam ótimas pesquisas: será que o aluno atual acha que o professor atual (tudo no Brasil) sabe o que é mais significativo pra ele? Será que o professor tem conseguido inspirar o aluno? Será que todas as pessoas que decidem fazer direito, ciências da computação ou medicina não trocariam por pedagogia se a remuneração fosse mais alta? Será que o bom professor (bem selecionado, bem treinado, bem remunerado = motivado) não pode fazer um trabalho melhor com 20 alunos do que com 30?

Tenho ouvido também que o que a educação do nosso país precisa mesmo é de avaliação. Focar no resultado. E já sabemos de várias coisas que funcionam, mas que podem dar problemas. É importante estar atento à implementação. Peraí... focar na avaliação (resultado) ou implementação (processo)? Aprendi com o professor Antônio Carlos Gomes da Costa (uma dessas pessoas que eu paro até de comer sorvete pra ouvir): diagnosticar, planejar, implementar, acompanhar, avaliar e disseminar. Se a gente der atenção demais pra só uma dessas coisas, será que teremos bons resultados? Pode ser que sim. Pode ser que só a divulgação do IDEB já faça uma senhora diferença. Mas será que poderíamos fazer muito além? Acho que sim.

Por último, tenho ouvido que o que importa, de verdade, é o ensino de português e matemática. Façamos isso muito bem, depois a gente pensa no resto. Arte, valores, cidadania, tecnologia, isso tudo vem depois porque primeiro o menino tem que saber ler, escrever e pensar logicamente. Aí eu paro e penso uma última vez. O menino vai ler, escrever e calcular o quê? De que forma? Em que contexto? Não dá pra ele ler sobre a cultura local no blog de um jornalista? Ou escrever e debater sobre o comportamento cidadão ou a crise do senado num fórum virtual? Ou pensar matematicamente sobre os versos de um samba?

Enfim... são só divagações um pouco pretensiosas, idealistas e românticas...

"Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você"

(Tom Jobim - Aulta de matemática)



Montagem da música "Aula de Matemática" (Tom Jobim e Marino Pinto)realizada pela multiplicadora Adriana Sousa para o curso Educação Matemática e o Uso das Tecnologias do NTE16-Vitória da Conquista-BA.

Um texto muito legal relacionado a essas divagações é o "How Schools Ignore Social Sciences", do Education for Well-being.

8.9.09

#ferramentas e #recursos

ToonDoo: criação de tirinhas de cartoons

20 aplicativos grátis da web pra utilizar em sala de aula

Ferramentas pra criar e publicar livros online

Livebinders: pra guardar e compartilhar arquivos onlinte

iSpring: pra converter apresentações de PowerPoint em Flash

Material criado pelo Google com explicações da utilização de ferramentas em sala de aula

Lista de recursos e ferramentas separados por grupos

5 coisas que os educadores inovadores precisam ter

Mais uma lista incrível com ferramentas e tutoriais

OK, a última lista de aplicativos favoritos

Dicas de estudo elaboradas pelo Google

Dicas para sobrevivência em salas de aula que só têm um computador

1.9.09

Lado B x Lado A


O pôster acima ilustra com otimismo as características dos jovens do século xxi

cidadão global – criativo – ativo – que persegue missões – engajado civicamente – divertido – musical – artístico – conectado – visionário – corajoso – otimista – carinhoso – simpático – inovador – colaborador – construtivo – planejador – se importa com a ecologia – independente – faminto por conhecimento – positivo – com pensamento independente – que resolve problemas – que pensa em 360 graus – original – amigo – flexíve – feliz – sonhador – ...

Ao mesmo tempo, é sempre bom lembrar que o aparecimento de novas tecnologias, como outras novidades, gera consequências positivas e negativas. Nós, educadores, precisamos estar atentos pra todas elas e intervir sempre que necessário.

O vídeo abaixo mostra um lado ruim das novas tecnologias. Em alguns países, enviar sms enquanto dirige já é uma das principais causas de acidentes e mortes no trânsito. (vídeo educativo com cenas fortes)


27.8.09

POR FAVOR, não ensine isso!!!

O texto a seguir foi traduzido/adaptado por mim de um texto publicado por Scott McLeod, professor e coordenador do programa de gestão educacional da Universidade de Iowa, em seu blog - o texto original está aqui. Concordo que educar é estabelecer limites. Ao mesmo tempo, não concordo com a proibição da utilização de celulares, internet, redes sociais por não acreditar que essa proibição eduque. Educar, nesse sentido, é orientar para a utilização adequada, através de uma supervisão constante de pais e educadores, em geral. Quero saber a opinião de vocês.

Abraços, Rafa.

prezados pais

professores

gestores

membros de conselhos


não ensine crianças e jovens a ler

para a web

escanear textos

RSS

agregar

sintetizar


não ensine crianças e jovens a escrever

online


caneta e papel não vão fugir

desde quando crianças e jovens precisam de um público?


não há necessidade de hyperlinks

ou fazer vídeos

áudio

Flash


não conectem, agora


não devem fazer parte de redes sociais

ou bate-papos onine

ou comentários

ou redes profissionais de aprendizagem

blogs e twitter?

isso tudo é tão egocêntrico

que bando de besteira


e definitivamente, absolutamente, de forma alguma, não deixem utilizar celulares


bloqueiem tudo

tranquem tudo

deixem tudo de fora


isso é coisa do mal, sabe

tem tanta coisa ruim aí fora

temos que cuidar das crianças e jovens


você não sabia que colaboração é só outra palavra para colar em testes e exames?

não tem noção de quanta porcaria está na internet?

nunca ouviu falar de pedofilia?

ou agressões virtuais?


um computador 24 horas por dia, 7 dias por semana? não, obrigado

Eu não quero isso

criar

compartilhar

pensar

aprender

você sabe que eles só vão procurar pornografia

e se conectar a gente do mal

não podemos confiar neles

não faça nada disso, por favor!


sério



porque eu deixo as minhas crianças e jovens fazerem tudo isso


e não posso esperar pra ver quem estará mais preparado em uma década ou duas

você consegue?

24.8.09

Sessão VÍDEOS FANDÁRDIGOS!!!

Do blog do Tas: "Aula de neurociência com Prof. Bobby McFerrin. Sempre acreditei: os artistas podem ser os melhores professores e os professores os melhores artistas." O professor diz no final: "Independentemente de onde eu esteja, o público entende e participa" e o outro participante brinca, oferecendo um emprego na organização do festival.



Goomoodleikog: Quatro ferramentas baseadas na web podem melhorar a aprendizagem levando as melhores práticas na educação a um nível superior, mais fácil, mais rápido e muito mais divertido - em inglês.



Outros #edtech videos aqui.

100 aulas excelentes para melhorar o seu letramento em novas mídias (em inglês) - para pessoas que querem aprender mais sobre novas mídias e seu potencial em áreas como educação, comunicação global e artes. Os vídeos contem ideias de cientistas, historiadores, engenheiros e outros profissionais que estão trabalhando nesse ramo e podem ensinar sobre o estado atual de novas mídias no mundo.

Vídeos que explicam o que é PLP (powerful learning practice - prática poderosa de aprendizagem) - em inglês. Esse é um método em que educadores participam de um programa de formação de longo prazo e imerso em seus próprios ambientes de trabalho que visa criar ambientes de aprendizagem apropriados para o novo século. Esse programa também envolve a utilização de ferramentas sociais da web para a criação de uma comunidade global de aprendizagem que debate e re-imagina suas próprias práticas pessoais de aprendizagem.

Vídeos do "Conteúdos Educacionais", iniciativa da Microsoft com vários cursos relacionados à aplicação das tecnologias na educação. Por exemplo, esse de gestão escolar e tecnologias:

12.8.09

Tudo sobre Twitter e educação

Essa semana foi lançado o livro "Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter", do Juliano Spyer e da Talk 2. Se você ainda não está tuitando ou se ainda não conseguiu entender a funcionalidade da ferramenta de micro-blogging, sugiro que você dê uma olhada no livro. É em português e você pode fazer o download gratuito nesse link.

Outro recurso super detalhado e excelente sobre o Twitter também foi lançado essa semana, mas pela Mashable e em inglês - acesse o guia aqui.

Eu já disse algumas vezes, inclusive aqui no blog. O Twitter é super útil por uma série de razões, não necessariamente como msn, pra você dizer o que está fazendo, ou pra ficar sabendo da vida de celebridades. Como educador, é claro que a utilidade do Twitter pra mim está relacionado à educação. Passo pelo menos uma hora no Twitter quase todos os dias, recebendo notícias e links de profissionais do mundo inteiro que se interessam por tecnologias aplicadas à educação. Ou seja, o Twitter, pra mim, é a principal fonte de recursos, ferramentas e informações hoje.

Vários experimentos têm sido feitos para a utilização do Twitter em educação a distância ou mesmo durante as aulas. Um exemplo prático de como o Twitter vem sendo utilizado na educação no Brasil vem do programa "Minha Terra", do EducaRede. Os participantes da comunidade do projeto, entre professores e alunos, aceitam o “Desafio Twitter” e se comprometem a cumprir várias fases. Depois, criam grupos de seguidores e seguidos de acordo a temática, formando sua própria comunidade.

É claro que isso tem causado controvérsia, mas deixo vocês com uma série de artigos e recursos pra vocês tirarem as suas próprias conclusões.

Em português:

Sérgio Amadeu: Twitter na educação


Débora Batello: Você realmente precisa do Twitter para dar uma aula?

Ana Beatriz Gomes: Twitter na educação: uma questão de tempo?

Rede Vivo Educação: Usos do Twitter na educação


João Mattar: Twitter e educação

Rômulo de Andrade Faria_ Planeta Educação: Aprendendo inglês pelo Twitter

In English:

Twitter workshop







En español:





6.8.09

Homenagem do Telecurso ao Dia do Estudante


Uma observação minha: o Telecurso faz um excelente trabalho de aceleração da aprendizagem em diversos estados brasileiros. Esse trabalho é ainda mais importante para aqueles que moram em regiões remotas e precisam das tecnologias para terem uma educação de qualidade.

Estudantes serão homenageados em quatro estados brasileiros.

Festas serão transmitidas ao vivo, em rede nacional.

Muita gente não sabe, mas dia 11 de agosto é o Dia do Estudante. Uma data esquecida no calendário nacional, mas que precisa ser lembrada e difundida por conter uma mensagem fundamental: a educação é um direito constitucional, reconhecido e exercido de maneira plena por milhares de pessoas, apesar das dificuldades.

É importante lembrar que muitos estudantes fazem valer o seu direito de aprender, mudam as suas comunidades, descobrem soluções para problemas cotidianos, transformam a educação diariamente. E é para comemorar o sucesso deles e o que eles representam para o país, que a data precisa alcançar uma repercussão mais abrangente, mais significativa.

Pensando nisso, o Telecurso e seus parceiros vão promover uma grande festa para celebrar o direito de estudar e incentivar novas mudanças. O objetivo é dar voz ao estudante brasileiro, mostrar seus diversos perfis, qualidades e os percalços que ainda enfrenta por uma educação digna.

Em quatro cerimônias simultâneas, que acontecem às 15h30, em Manaus, Rio de Janeiro, Palmas e Recife, o Telecurso vai reunir governantes, parceiros, educadores e estudantes. Acre, Amazonas, Rio de Janeiro, Pernambuco, Tocantins e o Distrito Federal adotaram a metodologia do Telecurso como política pública de ensino. Com essa iniciativa, a Fundação Roberto Marinho pretende mostrar o compromisso de cada um desses estados na ampliação do direito de estudar, além de lançar a idéia para todo o país que o Dia do Estudante seja, nos próximos anos, uma data celebrada pelos brasileiros.

No Rio de Janeiro, a festa acontece no Jardim Botânico, com a presença de Tantinho da Mangueira; em Recife, Maestro Forró sobe ao palco do Teatro Santa Isabel; em Palmas, no Teatro Fernanda Montenegro, os alunos serão homenageados por Dorivan Borges da Silva e os Tambores do Tocantins, e em Manaus a festa fica por conta de Zezinho Corrêa, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

Ex-alunos ilustres do Telecurso, como o deputado federal Vicentinho, e o mestre em filosofia e autor do curso de Filosofia do Telecurso, Paulo Cavalcanti, também estarão presentes em Recife e Palmas, respectivamente.

A celebração ainda vai proporcionar o intercambio de atuais alunos do programa de diferentes estados. Enquanto o acreano Samoel Lima e a amazonense Mirna de Albuquerque contam suas experiências ao Rio de Janeiro; a carioca Mara Jane do Nascimento fala para os estudantes do estado do Amazonas; Weslei Jackson, do Distrito Federal conversa, em Palmas, com os novos estudantes do Tocantins.

As atividades - que terão em média uma hora de duração - serão exibidas ao vivo e em rede nacional, unindo os estados que participam da festa numa edição especial do Jornal Futura ao Dia do Estudante, que vai ao ar das 16h às 16h30. A ideia é fazer com que todos se vejam e se reconheçam ao incentivar a Educação no país. Afinal, os 58 milhões de estudantes brasileiros são muito mais do que números em estatísticas de ensino.


Você sabia?

No dia 11 de agosto de 1827, Dom Pedro instituiu no Brasil os primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais. Um na capital paulista, outro em Olinda, em Pernambuco. Antes disso, quem quisesse estudar tinha que ir a Portugal em busca de conhecimento. Um século depois da criação dos cursos de Direito, foi proposto que o dia fosse escolhido para homenagear todos os estudantes.

Ao longo dos anos, a homenagem ficou
esquecida em meio às estatísticas invariavelmente caóticas, e hoje, os alunos brasileiros, de modo geral, são apenas números em estatísticas que ilustram índices negativos de repetência escolar, de defasagem idade-série, evasão e de insucesso nos exames nacionais e internacionais.

DATA: 11 DE AGOSTO DE 2009, 15h30

LOCAIS:

Rio de Janeiro/Rio de Janeiro: Museu do Meio Ambiente - Jardim Botânico

Recife/Pernambuco: Teatro Santa Isabel

Palmas/Tocantins: Teatro Fernanda Montenegro

Manaus/Amazonas: Centro Cultural dos Povos da Amazônia

ATRAÇÕES:

Rio de Janeiro/Rio de Janeiro: Tantinho da Mangueira

Recife/Pernambuco: Maestro Forró

Palmas/Tocantins: Dorivan Borges da Silva e os Tambores do Tocantins

Manaus/Amazonas: Zezinho Corrêa

Outras informações:

Approach

Cadija Tissiani - (21) 3232-8861 / (21) 9468 0092

cadija.approach@frm.org.br

FRM

Adriana Martins - (21) 3232 8864

Adriana@frm.org.br

31.7.09

Vai uma leitura aí?

Antes, porém, uma novidade/convite: estou começando um projeto com ninguém menos que a rainha do samba, Beth Carvalho. Pretendemos criar um curso que se propõe a unir samba, português, matemática e tecnologias para dar mais sentido e motivação à experiência educativa de alguns alunos. Quem tiver interessado em colaborar, por favor entre em contato.

Quero também agradecer mais uma vez a todos que têm me ajudado a compartilhar ideias através de recomendações do blog. Um muito obrigado especial a: Cládia Almeida, Conteúdos Educacionais, Instituto Claro, EducaRede Brasil e Roberta Godoy. Sugiro que vocês sigam essa galera no Twitter pra receber notícias e informações super valiosas.

A seguir, vários textos e livros que achei bem interessantes. Espero que vocês gostem. ;)

#em_português

Educomunicação, um novo jeito de fazer jornalismo

Desescolarizando a sociedade

Crítica do livro Persuasive Games, do blog do Professor Mattar

Linguistas usam tecnologia para salvar idiomas da extinção

#em_inglês

Handbook of Emerging Technologies for Learning

Educating the Net Generation

Twelve Essentials for Technology Integration

How the World's Best-Performing School Systems Come Out on Top, by McKinsey & Company

Using Digital Technologies to Promote Inclusive Practices in Education

The Future of Learning: Institutions in a Digital Age

Challenge Based Learning

Twitter Handbook for Teachers

#em_espanhol

Nuevas Tecologías rompieron la "linealidad" del aprendizage

Catálogo de Recursos Didácticos de la Web 2.0


BOA LEITURA!!!

27.7.09

As crianças vêem. As crianças fazem.

Eduque sendo exemplar. Um pai exemplar. Uma mãe exemplar. Um amigo exemplar. Uma professora exemplar. Um humano exemplar. Seja humano. Ser humano.

21.7.09

Por que tecnologia?

Há algum tempo, o professor Ben Grey publicou um texto com esse título em seu blog. Nele, ele explica que os cortes nos orçamentos provocados pela crise estão levando vários distritos a investir menos ou até não investir em tecnologia. Afinal de contas, esse investimento muitas vezes não provocava um aumento significativo nas notas dos alunos. Ele convidou amigos e leitores a refletir sobre essa questão: o que diriam aos gestores se fossem perguntados "por que devemos investir em tecnologia?". As respostas foram tantas (você pode ver algumas aqui, aqui, aqui e aqui) e tão imediatas, que ele sentiu a necessidade de escrever um novo texto, bem looongo, incluindo as reflexões que considerou mais importantes. Abaixo eu reproduzo alguns dos melhores argumentos:

- As tecnologias permitem aos alunos criar, colaborar e compartilhar;

- Através da utilização de tecnologias, os alunos podem vivenciar o objeto da aprendizagem, entrevistando pessoas, fazendo visitas virtuais, ouvindo discursos, assistindo a palestras de especialistas e isso tudo faz com que o impacto da aprendizagem seja muito maior, não só na memória e no que é aprendido, mas na motivação para participar das aulas;

- As tecnologias criam oportunidades que não seriam possíveis sem elas, como a melhoria da qualidade da educação para educandos que moram em lugares remotos;

- A tecnologia está presente e em constante mudança em nossas vidas. Utilizamos tecnologias para o trabalho, comunicação, diversão, etc. Em qualquer área, aqueles que não estão abertos para "desaprender" e reaprender novas tecnologias se tornam inúteis e irrelevantes;

- Os educandos passam a ser mais autônomos, curiosos e criativos usando novas tecnologias.

Eu ainda adicionaria outras razões:

- Os educandos de hoje são nativos digitais, se comportam e pensam de maneira diferente de outras gerações. A utilização de tecnologia pode aproximar ou afastar educandos e educadores, gerando um grande impacto nos relacionamentos e, consequentemente, na aprendizagem;

- A utilização apropriada de tecnologias pode baratear custos (cursos a distância, skype, livros virtuais, etc);

- As tecnologias também podem tornar o trabalho dos educadores mais fácil e divertido;

- As tecnologias estão nos fazendo repensar tudo o que está relacionado com educação: o que é uma escola, a necessidade de livros, o papel do educador, o que deve ser aprendido, etc;

- A tecnologia NÃO é só um meio. É uma linguagem. É um fim. É algo que os educandos devem aprender pra que possam ser realmente atuantes no mundo atual. Não saber como usar a internet, o Word, um blog, o Powerpoint é ser um excluído. Por isso, a utilização de tecnologias precisa ser aprendida na escola ou os educandos correm o risco de ter suas possibilidades e oportunidades limitadas.

9.7.09

Algumas pesquisas importantes sobre tecnologias na educação

Informática na educação: teoria & prática é um periódico científico editado pelo programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, do Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação-CINTED, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Repositório de produções do GEC, Grupo de Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias. O grupo tem o intuito de implantar uma linha de estudos articulada com as dimensões de ensino e extensão, pretendendo problematizar a presença de tecnologias da informação e comunicação na educação.

A revista Educação, Formação & Tecnologias é uma publicação de carácter científico com objectivos de divulgação da investigação e das práticas referentes à temática da utilização das tecnologias da informação e comunicação na educação e na formação.

Nessa página do Instituto Claro, há um espaço dedicado ao mapeamento, disseminação e discussão de estudos acadêmicos, a fim de incentivar a reflexão sobre a aprendizagem no contexto da cultura digital.

Em inglês:

Biblioteca de tecnologias da educação e informação tem papers e artigos sobre as últimas pesquisas, desenvolvimentos e aplicações relacionadas a tecnologias na educação e aprendizagem virtual.

Revista científica com vários artigos sobre a utilização de tecnologias para a aprendizagem.

Estudo do Departamento de Educação (= ministério) dos Estados Unidos conclui que o ensino pode ser melhorado com novas tecnologias. Nesse outro artigo, esse mesmo departamento também diz que encontrou evidências de que a aprendizagem semi-virtual é mais eficiente do que ambas presencial ou online. Além disso, na comparação entre presencial e virtual, a aprendizagem virtual é pelo menos tão boa quanto a aprendizagem presencial e pode até ter vantangens com relação aos resultados dos alunos e a quantidade de tempo que os alunos passam aprendendo (e a qualidade dessa aprendizagem).

Essa página tem vários relatórios sobre a utilização de games, celulares e outras mídias para a aprendizagem de crianças.

Relatório examina os tipos de habilidades e capacidades que os alunos precisam ter para se beneficiarem das tecnologias e recursos disponíveis para suportar a aprendizagem e as diferentes maneiras em que as instituições estimulam a aquisição dessas habilidades e capacidades.

Texto publicado no blog da especialista Maureen Cain sobre três relatórios que relacionam criatividade e as capacidades do século 21.

Pesquisa aponta para o aumento na motivação dos alunos através da utilização de tecnologias na educação.

Artigo sobre ferramentas colaborativas que melhoram a aprendizagem em ambientes virtuais.

Artigo sobre o planejamento de aportunidades de colaboração e troca em experiências de aprendizagem virtual.

Relatório sobre a utilização de bibliotecas em telefones celulares.

Se vocês souberem de outras pesquisas, estudos e relatórios importantes, por favor me enviem, OK?

;)