28.4.09

Tecnologia? Estilos de aprendizagem? Quanta besteira!

Olá a todos!

Antes de começar o texto de hoje, gostaria de replicar e estender aqui um brinde que a querida amiga e bossa (chefona @oifuturo) Samara começou por email, já que hoje é o Dia da Educação: ..."E eu gostaria de dedicar esse brinde às diversas organizações, governos e pessoas que estão se movimentando e estabelecendo parcerias para a melhoria da qualidade da educação ... É um prazer compartilhar com vocês desses ideais!"

Agora vamos ao assunto de hoje. Apesar de apreciar a leitura de textos diversos relacionados à educação, tenho algumas preferências. Uma delas é por aqueles que apresentam argumentos contrários ao que acredito, o que me leva a uma re-reflexão. Recentemente, eu li dois desse tipo (em inglês): esse, que diz que a tecnologia não deve ser prioridade quando pensamos em melhoria da educação e esse, que diz que a noção de que cada pessoa aprende diferentemente é provavelmente um mito. Antes de apresentar a minha opinião, prefiro compartilhar com vocês os principais argumentos dos autores.

Kelly Hines, autora do primeiro texto, diz que não adianta trazermos novas ferramentas se as pessoas que as utilizam continuam pensando da mesma forma; Ela enumera 4 coisas que os professores precisam reconhecer: 1) Professores precisam ser "aprendentes" perpétuos, automotivados e buscando novidades; 2) Ensinar não significa aprender - ensinar no século 21 significa ser mais esperto e não trabalhar mais pesado, significa entender que o objetivo final é o aprendizado; 3) Tecnologia é inútil nas mãos de professores ruins - professores bons podem fazer milagres sem tecnologia; 4) A maioria das competências e habilidades do século 21 podem ser adquiridas com pouca tecnologia.

Jerrid Kruse, autor do segundo texto, diz que o que mais importa com relação ao que se aprende é o conhecimento e as experiências anteriores dos alunos; Que quando alunos são ensinados de acordo com seus estilos, eles acabam tendo notas piores, já que precisam de menos "esforço mental" para aprender; Que os seres humanos, fisiologicamente, não são muito diferentes em relação aos processos químicos que ocorrem no cérebro - como os outros órgãos, os cérebros funcionam mais ou menos da mesma maneira. Jerrid insiste que ao invés de priorizarmos estilos de aprendizagem, deveríamos focar em representações que melhor se encaixam com o conteúdo; Que todos os alunos se beneficiam de representações concretas de conceitos; Que se queremos ensinar os alunos a mudar o óleo do carro, não adianta que uns leiam, outros façam e outros interpretem -- "desculpem, mas isso é ridículo"! Todos se beneficiarão se fizerem a troca (de óleo). Isso não significa, segundo ele, que todo o ensino deve ser concreto, mas que deveríamos alternar entre concreto e abstrato.

E o que eu acho de tudo isso? Acho que preciso pensar mais um pouco, hahahaha... Brincadeira! Eu acho que são ótimos argumentos, BUT eu tenho algumas perguntas:
- Precisamos esperar uma nova "safra" de professores para obter os benefícios das TICs para a qualidade da educação? Nã podemos oferecer tecnologia E treinamento?
- Será que a utilização das TICs não ajuda a aproximar professores e alunos?
- Será que a utilização de atividades que respeitem os estilos e inteligências de cada aluno também não ajudam nessa aproximação?
- Se os cérebros funcionam do mesmo jeito, por que as pessoas têm diferentes personalidades?
- As diferentes personalidades não afetam a "aprendência"?
(Presico assumir que sou um completo ignorante em assuntos "cerebrais").

No final das contas, acho que aprendemos quando nos sentimos instigados, estimulados, ou inspirados. E esse é o trabalho do professor do século 21 (e dos séculos anteriores!). Por isso, a relação entre educador e educando continuará sendo muito mais importante do que ferramentes tecnológicas, mas a utilização da tecnologia e de atividades que respeitem diferentes "estilos" podem ter um grande impacto nesse relacionamento. Em poucas palavras: tecnologia e estilos são importantes SIM! Mas MAIS importante ainda é a relação entre educador e educando.

Quer discordar? Os comentários são pra isso mesmo! :)

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Antes de terminar, gostaria de deixar um grande beijo e enviar desejos de muita felicidade pra pessoas queridas que fazem aniversário esses dias, como a Momô, a Thê, a Rafa, a Jú, a Kaká e o Airton.
Mudando completamente o tom, mas fazendo um link com os amigos que moram fora (especialmente os que estão no México, em Nova York e na Espanha), dois pedidos: se cuidem (#gripesuina) e mandem notícias!

Fico por aqui. Beijos e abraços a todos! Stand by me!!!


23.4.09

O pensamento crítico (e outras coisas imperdíveis)

Tá todo mundo discutindo as competências e habilidades do século 21, seja na escola, em empresas, ou na sociedade. Há, no entanto, competências, que muito provavelmente ainda sobreviverão alguns séculos, como é o caso de pensar criticamente. Esse site, em inglês, apresenta várias bons recursos para o desenvolvimento dessa competência. Do mesmo site, retirei e adaptei uma definição para o pensamento crítico:

Lá atrás, em 1605, Francis Bacon já dizia: "Para mim, entendi que eu não combinava mais perfeitamente com mais nada, do que com o estudo da Verdade; tendo uma mente suficientemente ágil e versátil para entender as similaridades e diferenças das coisas... e ao mesmo tempo estável o suficiente para ditinguir suas diferenças mais sutis; sendo abençoado pela natureza com o desejo de procurar, a paciência de duvidar, a afeição para meditar, a vagareza para afirmar, a prontidão para considerar, o cuidado para colocar em ordem; e ser um homem que não afeta o que é novo ou tampouco admira o que é velho, e que odeia todo o tipo de enganação."

Uma versão menor é "a arte de se estar certo".

Ou, com mais poesia: o pensamento crítico é "a aplicação correta de um repertório de técnicas validadas para decidir o nível de confiança que você deve ter em uma dada proposição, à luz da evidência disponível".

O vídeo abaixo, também em inglês, é uma ótima introdução para o pensamento crítico. Você também pode baixar legendas em português ou assistir ao mesmo vídeo já com legendas em espanhol nesse site.


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Se você ainda não encontrou a sua paixão e deseja não só encontrá-la, mas sair correndo atrás dela, assista a esse vídeo, do Academic Earth (de novo, em inglês).

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O seu sonho é estar no hall de melhores geeks do mundo? Então você não pode perder essa lista de 64 coisas que todo geek deveria saber! English only :(

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Continuando o caminho para o novo capitalismo, vem aí a impressora 3D que transformará nossos lares em fábricas! (ufa, em português!) - Será que já podemos começar a prever o fim dos shoppins?

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Já está aberta a Biblioteca Digital Mundial, que deverá oferecer quase todos os livros do mundo. O mais legal é que o Brasil participa do projeto com a "Coleccção D. Thereza Christina Maria". Você pode ter mais informações, em português, sobre o projeto nessa página da Revista Época.

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(Via Self-Made Scholar) A PBS Video começou a publicar programas completos e gratuitos em sua página da web. Alguns dos vídeos mais interessantes incluem: NOVA - vídeos que examinam os secredos da ciência; The Economy - episódios que examinam a crise econômica e como ela está afetando o mundo; Julia Child - uma famosa chef de estilo francês que apresenta seus segredos culinários (não assista se estiver de dieta!).

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Pra encerrar, já que falei tanto em vídeos no texto de hoje, sugiro que você assista mais dois só pra abrir o sorrisão mesmo:
1) Flash mob com mais de 200 dançarinos dançando "Do Ré Mi" na estação central da Bélgica.
2) Um show de charme de um senhor que escuta "Pretty Woman". Aposto que você não consegue ficar sem rir!

Fico por aqui. Beijos e abraços. E obrigado pela audiência, hahahaha...

20.4.09

Web 3.0 e a democratização da criação: uma nova educação para um novo capitalismo?

"A nossa política educacional baseia-se em duas enormes falácias. A primeira é a que considera o intelecto como uma caixa habitada por ideias autónomas, cujos números podem aumentar-se pelo simples processo de abrir a tampa da caixa e introduzir-lhes novas ideias. A segunda falácia, é que, todas as mentes são semelhantes e podem lucrar como o mesmo sistema de ensino." - Aldous Huxley, in "Sobre a Democracia e Outros Estudos" 

Ao invés de comprar um LP, uma fita, um CD, DVD, ou mesmo um Blu-Ray, é mais fácil baixar a música ou o filme direto da página da banda ou do filme. Ao invés de procurar um professor particular de francês aqui no Rio, eu posso ter aulas pelo Skype com um professor que mora em Paris. Posso também aprender a fazer comida italiana com um alemão que mora na China. Pela internet, posso comprar produtos ou serviços diretamente de quem cria e faz - um artesanato, um quadro, um livro... 

Esse encurtamento do caminho entre quem faz e quem consome tende a se intensificar. Os atravessadores estão desaparecendo já que os meios de produção e o caminho aos clientes estão sendo democratizados pela tecnologia. As maiores lojas de CD, Tower Records, Virgin Megastore, já se foram. A indústria dos jornais impressos tenta se reinventar. A indústria da publicidade já notou que é tempo de mudança - a propaganda está saindo da TV e indo para a internet e para as redes sociais; alguns textos de blogs já perguntam se a era da propaganda chegou ao fim; o divórcio entre anunciante e consumidor é tema de campanha publicitária da Microsoft.

Mas o que seria a web 3.0 e qual seria o seu impacto sobre a educação?

Eric Schmidt disse que, na web 3.0, os aplicativos funcionarão em conjunto, os dados estarão nas nuvens (clouds), acessados através de computadores, celulares e TVs e todos os programas serão rápidos, customizáveis e disseminados como virais (por redes sociais, emails, ...).

Na educação, Steve Wheeler defende que:
- O auto-didatismo estará em alta, diminuindo a importância e influência de escolas e universidades;
- Graças à tecnologia e aos aparelhos móveis, as pessoas estarão conectadas a redes sociais em tempo integral, o que significa que poderão pensar coletivamente e consultar especialistas antes de optar ou opinar;
- O processo de aprendizagem verdadeiramente colaborativo será possível em todos os contextos, com o auxílio de blogs, wikis, redes e novas funções, como RT, DM e # do Twitter;
- A visualização 3D e versões multi-toque serão mais disponíveis.

Ulrich Schrader respondeu ao texto do Steve dizendo que acredita que isso possa ocorrer, mas não se sabe se as pessoas estarão aptas a, ou desejarão utilizar essas novas ferramentas.  Ulrich acha que haverá mais uma divisão entre aqueles que querem colaborar e utilizar a tecnologia móvel, etc, pra aprender, e aqueles que consideram que aprender é um trabalho árduo que interfere com seu tempo de lazer. A web 3.0 necessitará de um novo tipo de postura mental, no qual as pessoas são curiosas, querem aprender, colaborar e mudar e apreciam o pensamento individual. Essa postura mental deverá ser desenvolvida pelas escolas, pelos pais e pela sociedade, mas Ulrich acha que é uma tarefa bem complicada. Em outras palavras, enquanto poucos estarão utilizando a web 3.0 (talvez 10%), a maioria da população ainda estará com a 1.0.

Manish Malik também respondeu o texto de Steve. Manish acha que o uso educacional da web 3.0 possibilitará aos alunos ler/escrever/colaborar e ter as informações apresentadas de uma forma mais significativa. Os alunos poderão personalizar (customizar) as informações para que elas sejam mais apropriadas aos seus interesses - a web será utilizada para customizar as informações em estilos de aprendizagem diferentes.

Um resumo de tudo isso seria: através da web semântica, o processo de aprendência acontecerá de forma colaborativa para a customização da informação de acordo com a necessidade ou estilo de cada indivíduo. No entanto, isso dependerá da vontade e preparo daqueles que mandam e usam os sistemas educacionais.

Há evidências de que caso essa seja de fato a realidade no futuro, os alunos aprenderão muito mais rapidamente. Essas evidências têm sido apresentadas principalmente pela teoria da"collaboration curve" - curva da colaboração. Esse artigo, da The Edurati, dá uma explicação breve. Os autores dessa teoria explicam, primeiro, como uma máquina de fax sozinha é quase inútil. O valor dela cresce bastante à medida que mais máquinas de fax são acrescidas à rede. Os teóricos sugerem, então, que se as máquinas "melhoraram suas performances" quando mais unidades são acrescidas à rede, isso não resultaria somente em um efeito melhor de performance em um primeiro nível, mas também traria um segundo efeito amplificador. "Os saltos em performance descrevem a forma e o poder da curva colaborativa ... e explicam porque todos nós trabalhamos, jogamos ou aprendemos melhor quando estamos em grupo."

Traduzindo isso para o contexto educacional: se um aluno sozinho aprende de acordo com um certo estilo e em uma certa velocidade, sua performance melhorará a cada novo aluno que fizer parte de "sua rede de trabalho", o que não só aumentará a performance da rede coletivamente, mas também a performance do aluno individualmente. Essa teoria parece suportar a tese de cocerebralização que o professor Antônio Carlos explicou no texto passado. Será???

Para fechar o assunto (e esse texto, que já está grande demais), deixo-lhes uma última evidência. Na semana passada, a KnowledgeWorks Foundation publicou sua segunda previsão para o futuro, 2020 Forecast: Creating the Future of Learning (Previsão para 2020: A Criação do Futuro da Aprendizagem). A previsão enfatiza o quanto nós estamos mudando em direção a uma cultura mais criativa em que cada um tem a oportunidade (e a responsabilidade) de moldar um futuro coletivo. Estamos testemunhando a re-criação da esfera pública, da manufatura e da produção. Os novos criadores demonstram a importância da cooperação e da inteligência cros-cultural para a cidadania e para a economia. Será que Marx chegou a pensar que isso aconteceria?

Notícias relacionadas:

- New York Times: Como as escolas de jornalismo estão tentando se reinventar (ing)
- Wired: Ter Adobe Flash na sua TV é ter controle total do que você vai assistir (como o Hulu) (ing)
- Wired: Telepatia via Twitter e como as pessoas que não podem se mover serão beneficiadas pela tecnologia (ing)

15.4.09

Participação especialíssima!

Pessoal, eu prometo que estou escrevendo um texto bem legal (sobre a web 3.0 semântica e o fim dos intermediários) e volto a publicar com mais frequência em breve. Tenho um monte de informações que quero colocar aqui, mas realmente tenho trabalhado feito gente grande. Agradeço os comentários, emails e a todos que têm divulgado o blog e peço ajuda de todos para continuar a divulgação.

Acabei de receber um email muito especial, do professor Antônio Carlos Gomes da Costa, em que ele faz comentários sobre o último texto. Senti vontade de compartilhar esses comentários com vocês. Até breve!

"Oi Rafael,

Desculpe-me só agora eu responder o seu e-mail. Aponto dois motivos para a demora. O primeiro são as minhas infindáveis viagens pelo Brasil. O segundo, é a complexidade do tema. Confesso-me um educador frágil e precário, ao lidar com esses assuntos. O que sei é realmente, muito pouco. Tentarei responder-lhe com base em três autores: Telhard Chardin, Pierre Levy e Domenico de Masi.

Telhard, em seu livro O Fenômeno Humano vê o Universo evoluindo por meio de uma cadeia de gêneses: cosmogênese, biogênese, antropogênese e noogenêsi. Cada uma delas se refere a uma etapa da Criação e cada uma dessas etapas ocorrendo em um ambiente distinto. A cosmogênese ocorre na litosfera e dá origem ao mundo mineral por um processo de molecularização. A biogênese ocorre num ambiente chamado biosfera e se dá por um processo chamado celularização. A antropogênese se dá num ambiente chamado antroposfera por meio de um mecanismo chamado cerebralização. Por fim, segue-se a noogênese, que se dá num ambiente chamado noosfera por meio de um processo que ele denomina cocerebralização.

A cocerebralização corresponderia aos cérebros humanos funcionando em rede. Para mim, existem duas maneiras de colocar os cérebros humanos funcionando em rede. Uma é a internet (Pierre Levy – O que é o Virtual), que é uma espécie de córtex virtual da humanidade, contendo tudo o que temos de bom e de mau. A outra, ainda incipiente, é o trabalho em equipe, que ocorre no que Domenico de Masi (A Emoção e a Regra) denominou de Grupos Criativos, ou seja, grupos de pessoas capazes de colocar seus cérebros para funcionar em rede e produzir soluções conjuntas para os problemas das pessoas, das organizações e das sociedades.

Tenho a impressão de que estamos vivendo os tempos primitivos e heróicos da cocerebralização. Não tenho dúvida, porém, de que essa é uma tendência irreversível numa determinada direção. Que direção é essa? Penso que, quando esse tempo chegar, as faculdades de educação serão como que um departamento das grandes escolas de comunicação. Trata-se, porém, de escolas de comunicação filosófico-científicas e tecnológicas. Tudo ao mesmo tempo. Não se trata de algo parecido com o que temos hoje.

Vislumbro, nesta etapa da evolução do Fenômeno, que as faculdades cognitivas do ser humano estarão reestruturadas de uma forma que ainda não sabemos bem qual deverá ser. Talvez alguns desses seres estejam por nascer, nascendo e outros já estejam no meio de nós. Eles aprenderão e ensinarão de forma muito diferente das que conhecemos hoje. Será que Louise é um deles? Pode ser, pode não ser.

...

Um grande abraço,

Antonio Carlos"

4.4.09

Informação vs. reflexão: estamos ficando estoopidos?

O equipamento que usamos para escrever participa na formação dos nossos pensamentos - Nietzsche

Eu sei que já escrevei sobre isso, mas já que o tópico é polêmico, vale repetir. Há alguns dias tento acabar esse texto, mas tava difícil... Acho que o problema principal é que eu não tenho uma opinião completamente formada sobre o assunto. Alguém me ajuda?

Tudo começou quando a Louise - minha irmã mais nova - veio me visitar no Rio. Fomos jogar Wii Fit e reparei que ela não tinha a menor paciência pra ler as informações de cada jogo - ela ia apertando os botões e depois tentava adivinhar o que era pra fazer. Tem um monte de gente discutindo isso: o comportamento da geração pontocom - crianças e jovens que nasceram depois que usar a internet já era mais viciante que comer ovos de Páscoa. Alguns especialistas dizem que esse pessoalzinho consegue fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. A pergunta é... Aliás, as perguntas são:
1) Será que eles conseguem fazer tudo ao mesmo tempo BEM?
2) Será que a internet está mudando só o comportamento deles ou também está mudando a forma que eles pensam?
3) A mudança é só nessa galerinha ou em nós, adultos, também?

Pra esquentar a minha reflexão, participei de uma discussão sobre isso durante um almoço de família. O principal argumento era o de que as pessoas não conseguiam se concentrar como antes por conta da velocidade e quantidade de novas informações. Eu, cheio de rebeldia e fã do high-tech, discordei. Disse que assim como aconteceu com o excesso de propaganda há algumas décadas, o excesso de informações daqui a pouco nos vacinará contra aquelas que são menos úteis e nos levará mais rapidamente ao que de fato nos interessa. Afinal de contas, você só pode ser um grande conhecedor de vinhos depois que é exposto a uma quantidade enorme deles.

Durante a semana, eu li esse artigo (em inglês) a respeito do tema e passei a repensar não só uma, mas várias opiniões. O artigo se chama Is Google Making Us Stupid? (O Google está nos emburrecendo?), foi escrito por Nicholas Carr e publicado no The Atlantic. Os principais argumentos do autor são:
- O nosso pensamento está ocorrendo de forma diferente. Está mais difícil se concentrar e imergir em textos ou reflexões longas. A "culpa" é da experiência digital - internet, Google, vídeos, etc. "A internet, em particular, parece ter efeitos importantes no processo cognitivo".
- As pessoas têm lido mais (quantitativamente), mas não melhor (não há reflexões sobre o que é lido).
- A leitura digital está causando transformações nos nosso cérebros, no nosso pensamento e nas nossas ações, sem que percebamos ou discutamos a respeito. Um dos paralelos que ele traça é ilustrado pelo aparecimento do relógio: "O tic-tac metódico do relógio (quando ele surgiu) ajudou a formar a mente científica e o homem científico".
- Outras mídias estão tendo que se adaptar, colocando mais coisas, mais cores, mais flashes, mais tudo acontecendo ao mesmo tempo e diminuindo o tamanho dos textos (e elementos que dependem de reflexão e concentração).
- Os fundadores do Google dizem com frequência que seu desejo é fazer com que o Google se transforme em inteligência artificial, que poderia ser conectado diretamente aos nossos cérebros. "O melhor mecanismo de busca será tão inteligente quanto as pessoas - ou mais ainda".

Eu não sei como vocês se sentem quanto a essas informações, mas eu acho meio... esquisito? Será que a minha (pouca) idade está me deixando mais careta ou é pra se ter medo disso mesmo?

Mais um montão de coisas:

#VIDA
- O site Improv Everywhere planeja e executa cenas de caos e risos em lugares públicos só pra trazer um pouco de bom humor à vida das pessoas. ing
- Veja aqui uma lista dos 100 melhores blogs para as pessoas que querem mudar o mundo. A lista só não é perfeita porque não inclui esse blog aqui! :) ing

#EDU
Esse vídeo vale MUITO a pena assistir - sobre a visão dos alunos da escola de hoje:

- O blog do professor João Mattar é simplesmente imperdível para os interessados em tecnologias na educação. port
- Outro blog maravilhoso sobre o uso pedagógico da internet é o Lousa Digital, da professora Sônia Bertocchi. port
- Como avaliar e confiar nos sites para pesquisa escolar. port
- Sistematização do seminário do Instituto Vivo: A Sociedade em Rede e a Educação. port
- Artigo do Paulo Guedes: Investir em educação é a saída para a crise. port
- Plano do governo português para a utilização de tecnologias na educação. port
- O site Ace Online Schools apresenta uma lista de mais de 20 blogs relacionados à tecnologia para professores, alunos e interessados em educação a distância. ing
- Educação a distância no mundo emergente. ing

#GAMES e #TECH
- Novo game brasileiro estréia na App Store. port
- Console de games brasileiro que quer dominar o mundo emergente. port
- A BBC está testando TV ao vivo para celuares - e sendo ameaçada de processo. ing
- Mais uma assustadora: artigo do New York Times diz que cientistas abrem a porta para a edição de memórias humanas. ing
- Media Lab quer criar o 6o sentido! ing

1.4.09

autopromocaonacaradura.com.br

Bom, hoje, primeiro de abril, vou usar essa cara-de-pau que tenho desde pequenininho para auto-promoção.

1) Estou famoso. Será que já há paparazzis me seguindo? O Correio Braziliense de ontem tem um encarte especial sobre a importância de cursos de pós-graduação. Um dos textos é comigo (esse bochechudo aí embaixo):

2) A Veja dessa semana tem uma matéria excelente sobre a escola do futuro. Ela inclui um infográfico bem legal e vários textos. O começo desse aqui (sobre os professores e o que vão ensinar) é assim:

"Uma sala de aula com carteiras enfileiradas diante de um quadro negro. Os alunos, calados, prestam atenção no professor. Memorize esta cena: ela está com os dias contados."

Isso foi publicado dia 25 de março. No dia 11 de março, eu publiquei esse texto aqui no blog, que começa assim:

"Sabe esse modelo de escola que eu, você, nossos pais, avós e bisavós (se eles fossem da elite brasileira) participamos? Pois é... ele MOR-REU! Ainda que a escolinha ali da esquina seja a mesma até hoje, as pessoas que pensam a educação do futuro estão decretando, a cada dia, cada evento, cada reunião virtual: esse modelo passou dessa pra melhor, bateu as cachuletas."

CONCLUSÃO: Se a Veja não está me copiando, está, no mínimo, sendo influenciada por esse blog! :P

3. A Google Ventures vai investir no meu projeto!
Nesse momento, a maioria das pessoas já sabe que o Google acaba de criar um fundo de investimentos de 100 milhões de dólares para injetar capital em start-ups. O que ninguém sabia até agora é que um projeto meu foi selecionado: a Escola Superior Virtual de Educação. Muito em breve, todos os educadores (ou futuro educadores) poderão frequentar cursos 100% virtuais e receber diplomas de graduação e pós-graduação. Essa escola utilizará os últimos recursos em mídias sociais e contará com parcerias com universidades americanas, europeias e asiáticas. Todos os cursos e materiais serão gratuitos. Os recursos de financiamento virão de propaganda, patrocínios e parcerias com governos. Não é lindo?

Não é lindo nada! É mentiraaaaa... Aaaaaaahhh... É isso aí. Essa última notícia foi uma brincadeira do 1o. de abril. :P