15.4.09

Participação especialíssima!

Pessoal, eu prometo que estou escrevendo um texto bem legal (sobre a web 3.0 semântica e o fim dos intermediários) e volto a publicar com mais frequência em breve. Tenho um monte de informações que quero colocar aqui, mas realmente tenho trabalhado feito gente grande. Agradeço os comentários, emails e a todos que têm divulgado o blog e peço ajuda de todos para continuar a divulgação.

Acabei de receber um email muito especial, do professor Antônio Carlos Gomes da Costa, em que ele faz comentários sobre o último texto. Senti vontade de compartilhar esses comentários com vocês. Até breve!

"Oi Rafael,

Desculpe-me só agora eu responder o seu e-mail. Aponto dois motivos para a demora. O primeiro são as minhas infindáveis viagens pelo Brasil. O segundo, é a complexidade do tema. Confesso-me um educador frágil e precário, ao lidar com esses assuntos. O que sei é realmente, muito pouco. Tentarei responder-lhe com base em três autores: Telhard Chardin, Pierre Levy e Domenico de Masi.

Telhard, em seu livro O Fenômeno Humano vê o Universo evoluindo por meio de uma cadeia de gêneses: cosmogênese, biogênese, antropogênese e noogenêsi. Cada uma delas se refere a uma etapa da Criação e cada uma dessas etapas ocorrendo em um ambiente distinto. A cosmogênese ocorre na litosfera e dá origem ao mundo mineral por um processo de molecularização. A biogênese ocorre num ambiente chamado biosfera e se dá por um processo chamado celularização. A antropogênese se dá num ambiente chamado antroposfera por meio de um mecanismo chamado cerebralização. Por fim, segue-se a noogênese, que se dá num ambiente chamado noosfera por meio de um processo que ele denomina cocerebralização.

A cocerebralização corresponderia aos cérebros humanos funcionando em rede. Para mim, existem duas maneiras de colocar os cérebros humanos funcionando em rede. Uma é a internet (Pierre Levy – O que é o Virtual), que é uma espécie de córtex virtual da humanidade, contendo tudo o que temos de bom e de mau. A outra, ainda incipiente, é o trabalho em equipe, que ocorre no que Domenico de Masi (A Emoção e a Regra) denominou de Grupos Criativos, ou seja, grupos de pessoas capazes de colocar seus cérebros para funcionar em rede e produzir soluções conjuntas para os problemas das pessoas, das organizações e das sociedades.

Tenho a impressão de que estamos vivendo os tempos primitivos e heróicos da cocerebralização. Não tenho dúvida, porém, de que essa é uma tendência irreversível numa determinada direção. Que direção é essa? Penso que, quando esse tempo chegar, as faculdades de educação serão como que um departamento das grandes escolas de comunicação. Trata-se, porém, de escolas de comunicação filosófico-científicas e tecnológicas. Tudo ao mesmo tempo. Não se trata de algo parecido com o que temos hoje.

Vislumbro, nesta etapa da evolução do Fenômeno, que as faculdades cognitivas do ser humano estarão reestruturadas de uma forma que ainda não sabemos bem qual deverá ser. Talvez alguns desses seres estejam por nascer, nascendo e outros já estejam no meio de nós. Eles aprenderão e ensinarão de forma muito diferente das que conhecemos hoje. Será que Louise é um deles? Pode ser, pode não ser.

...

Um grande abraço,

Antonio Carlos"

Um comentário:

  1. Rafa, que maravilhosa essa contribuição sua e a resposta do professor. Já estou em Valencia. Quando puder falar, me avise. Abraço Maurício

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