23.6.09

Novas ferramentas e outras coisas

Oi, pessoal!

1) Ando publicando pouco aqui porque estou tentando terminar aquele artigo para a Sinais Sociais que eu já disse aqui que estou escrevendo. Tenho que terminar até o final desse mês! Continuo atualizando com muita frequência as minhas páginas do Delicious e do Twitter. Vocês podem encontrar um monte de coisas interessantes lá.

2) Amanhã é meu aniversário!!! Não se esqueçam de me dar os parabéns, hahahaha...

3) Mais ferramentas para utilizar na sala de aula:

- bubbl.us: brainstorming online, criação de mapas mentais, publicação desses mapas em seu blog ou site.

- Um monte de gente me perguntou depois da palestra no congresso sobre o site que eu tinha falado para fazer animações. Tem o Xtranormal, que você pode montar animações, filminhos, piadas, cartões, etc... e o Animoto, que transforma várias fotos ou figuras em um filminho.

- Zamzar: conversão de arquivos online gratuito - você pode converter qualquer tipo de formato para outro formato. Por exemplo, se você tem uma música com extensão .wav e quer converter em .mp3, ou quer converter um documento do Word em Pdf.

- Filmes para educação: segundo o autor, esses são os 100 melhores vídeos do YouTube para utilização em sala de aula, separados por área. O problema é que a maioria está em inglês e não tem legenda... :(

- Curso online sobre Skype na educação.

- Cobocards: criação de flashcards online para estudos.

- Artigo da Nova Escola sobre a utilização de podcasts para literatura. Em PORTUGUÊS!!!

- Motivator: criação de pôsteres para inspiração.

- Videozinho MUITO LEGAL sobre os 8 princípios da diversão. Tem em espanhol, francês e inglês.

- Games de plataforma gratuitos (via G1).

- Texto sobre o Games for Change - jogos para mudar o comportamento social.

Fico por aqui. Depois volto com mais! Copiando o professor Michel, #beijomelinka!

17.6.09

Eternamente responsável

Em primeiro lugar, quero agradecer aos emails e comentários que tenho recebido. Quero agradecer também às pessoas que têm “espalhado” esse blog.

Tenho lido, estudado e pensado muito sobre a globalização e a educação para escrever um artigo científico. Tenho lembrado de algumas experiências que tive com pessoas de culturas bem diferentes da nossa. O que mais me chamou a atenção quando conheci pessoas de países que eu nunca nem tinha ouvido falar, foi entender que, lá no fundo, a gente é muito igual. Todos nós queremos as mesmas coisas: uma vida tranquila, uma família legal, uma vida confortável com dinheiro que pague as contas no fim do mês... Todos amam e sofrem, nascem da mesma forma e morrem diferentes. Todos somos condicionados a pensar e agir de acordo com uma certa cultura e com valores que nos são transmitidos. Mas, no fim das contas, todos temos um cérebro e um coração, que funcionam em conjunto.

Hoje eu li um texto muito legal no blog do autor e empreendedor Seth Godin. A tradução é minha, desculpem se há algum erro:

Você é importante

- Quando ama o trabalho que faz e as pessoas que o fazem com você, você se torna importante.
- Quando você é tão cuidadoso, generoso e preocupado que você pensa em outras pessoas, antes de você, você se torna importante.
- Quando você faz do mundo um lugar melhor do que você o encontrou, você se torna importante.
- Quando você continua a aumentar a qualidade do que faz e como você faz, você se torna importante.
- Quando você ensina e perdoa e ensina mais ainda, antes de julgar e criticar, você se torna importante.
- Quando você toca no coração e na alma das pessoas por suas ações (e palavras), você se torna importante.
- Quando as crianças crescem querendo ser você, você se torna importante.
- Quando você vê o mundo como está, mas insiste em tentar fazê-lo como acha que ele pode e deve ser, você se torna importante.
- Quando você inspira um ganhador do prêmio Nobel ou um morador de favela, você se torna importante.
- Quando o lugar se enche de luz quando você entra, você se torna importante.
- E quando o que você deixa para outras pessoas continua por horas, dias ou uma vida toda, você se torna importante.

Achei muito lindo. A globalização está OK, se ela servir para tornar o mundo mais humano.

10.6.09

Analisando macrotendências: fim do livro didático?

O Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, acaba de apresentar um plano pra substituir os livros didáticos por recursos digitais como o Facebook, Twitter, iPods e livros digitais de livre acesso. Só no ano passado, a Califórnia gastou 350 milhões de dólares (muita grana) em livros didáticos. Acho que vocês já imaginam o rebú que ele criou com esse plano, né? Esse é um dos tópicos mais discutidos essa semana por blogueiros e tuiteiros.

Vejamos alguns argumentos interessantes dessa discussão:

"O uso de mídias digitais e particularmente de mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, é certamente o caminho para se transformar a educação em todos os setores. Mas esse uso não deve acontecer ao detrimento de outras formas de aprendizagem mais tradicionais, já estabelecidas e que têm sucesso. Os livros ainda têm um lugar na pedagogia e provavelmente sempre terão".
Steve Wheeler, professor de educação da Universidade de Plymouth, em seu blog

"deveríamos considerar seriamente a adoção de processos como este no brasil, principalmente nas regiões onde as deficiências da infra-estrutura de ensino, especialmente no lado humano, são mais graves. envolver os professores no desenvolvimento do material didático, de forma aberta, pode ser uma das maneiras mais interessantes e eficazes de [re]educar docentes e instrutores em geral. afinal de contas, um dos principais papéis das comunidades abertas clássicas [de desenvolvimento de software] é educacional: elas preparam os mais jovens para um mercado altamente competitivo, onde o diploma não vale nada".
Silvio Meira, em seu blog

"...a nova geranção de hoje não se importa com a textura das páginas. Eles se importam com a informação, com a estória, não com o meio em que a estória é colocada. ... Eles podem a ler? Fazer anotações? Comunicá-la de uma nova maneira? Da mesma maneira? Adicionar coisas? Resumi-la? Conectar-se a ela? Eles podem conectá-la com algo que já conhecem? Podem copiar pedaços para mandar para amigos? ... Elas são as únicas perguntas que importam. Nós faríamos muito bem, como professores, em não esquecer disso".
Andrew B. Watt, professor de história dos EUA, em seu blog

"Esses planos são um pouco mais do que uma tentativa barata de se reduzir custos sob a desculpa de modernização de recursos".
Professor Chris Husbands, diretor da faculdade de cultura e pedagogia do Instituto de Educação da Universidade de Londres, nesse artigo do The Guardian

"Especialistas dizem que a economia de dinheiro não deveria ser a principal motivação para a busca de livros digitais e de código aberto. Aqueles que apoiam livros de código aberto estão parabenizando o governador por explorar e avaliar esses recursos, mas eu espero que os alunos da Califórnia não sejam prejudicados por essa iniciativa ambiciosa simplesmente por causa do desespero financeiro. No fim das contas, a principal responsabilidade de um educador é educar seus alunos e é essencial que esses alunos tenham todos os recursos que precisam para conquistar o sucesso acadêmico".
Artigo da Education Week

O que eu acho? Acho que a tendência é o fim dos livros mesmo. Ao mesmo tempo, principalmente aqui no Brasil, ainda teremos um longo período de adaptação e da utilização dos dois até que consigamos ter um laptop por aluno e internet wireless em todas as escolas. Nesse dia, nossos professores também já estarão capacitados para a utilização de todos os recursos tecnológicos e serão eles os responsáveis pela Educopédia - um ambiente virtual criado colaborativamente por todos os professores, com os últimos e melhores recursos e ferramentas para qualquer aula e sobre qualquer assunto. I have a dream. Aliás, esse é só mais um deles...

8.6.09

Os nocautes da vida e a fome de sentido

Hoje não escrevo sobre tecnologia, mas sobre algo muito maior.

Em alguns momentos específicos, a vida nos surpreende com um nocaute. Isso acontece geralmente quando algo inesperado e negativo acontece com a gente ou com pessoas que nos são importantes. Geralmente, esses são momentos quando paramos pra refletir sobre grandes questões. Como e por que as coisas acontecem? Estou no caminho certo? Que sentido tem isso tudo? O que me separa da pessoa que quero ser? Será que estou valorizando e priorizando o que realmente devo?

Já cheguei a uma decisão. Quero que esses momentos de reflexão, de fome de sentido, sejam constantes na minha vida e não dependam mais desses nocautes. Quero também, como educador, ser um instrumento pra que outras pessoas pratiquem e sejam modelos de reflexão. Abaixo, um texto sobre a necessidade da educação para valores, do mestre Antônio Carlos.

A FOME DE SENTIDO

Antonio Carlos Gomes da Costa

Belo Horizonte, junho de 2009.

A FOME DE SENTIDO

Diante das situações de risco cada vez mais disseminadas em todos os âmbitos da vida social, educadores familiares e escolares tem recorrido a um conjunto de práticas, que, para seu desaponto, vão perdendo cada vez mais sua eficácia e efetividade junto aos jovens.

De fato, as investidas do mundo adulto (campanhismo endêmico) contra as drogas, contra a violência, contra a gravidez precoce, contra as doenças sexualmente transmissíveis e contra os abusos no trânsito sobrevivem e são recorrentemente repetidas, não pelos seus méritos, que inexistem ou são desprezíveis, mas pela nossa incapacidade de produzir alternativas válidas e eficazes a estes procedimentos.

Se quisermos abordar de forma articulada e consequente esta questão, o primeiro passo é contextualizá-la no quadro maior dos grandes dinamismos que estão reconfigurando a vida econômica, social, política e cultural neste início de um novo século e de um novo milênio.

A globalização dos mercados, eliminando cada vez mais as barreiras econômicas entre países e expondo as empresas e setores mais frágeis e vulneráveis a uma concorrência para a qual elas jamais pensaram em se preparar. O ingresso na era pós-industrial, desvinculando definitivamente o crescimento da produção, do crescimento do emprego. As novas formas de organização do trabalho, requerendo cada vez menos trabalhadores, porém com mais escolaridade, polivalência, flexibilidade, responsabilidade e criatividade.

Os reflexos destas transformações nos campos econômico e técnico-científico sobre o quadro social têm sido, até o momento, perversos. Hoje, quase não se fala mais na exploração do homem pelo homem. A palavra agora é exclusão. Ser excluído é não servir sequer para ser explorado. E isto vem ocorrendo com pessoas, grupos, regiões dentro de um país e até mesmo com países. Certa vez ouvi de um sindicalista em São Paulo uma observação amarga sobre esse novo quadro: “Pior do que ser explorado por uma multinacional é não ser explorado por uma multinacional”. Hoje, pior do que ser um desempregado é ser um “inimpregável”, ou seja, alguém sem os requisitos mínimos para viver e trabalhar na nova sociedade e na nova economia.

No campo político, o mundo assistiu ao fim da Guerra Fria. O capitalismo e a democracia já não encontram adversários ideológicos à direita e à esquerda. A economia de mercado se impôs de forma hegemônica em quase todo o planeta. Persistem, porém, algumas situações preocupantes: o recrudescimento do populismo na América Latina; as tensões nucleares do Irã e da Coréia do Norte com as potências ocidentais; a questão palestina; a pobreza endêmica e a AIDS na África subsaariana; a degradação ambiental; e as desigualdades intoleráveis, tanto entre pessoas como entre regiões e nações, a corrupção e o crime organizado.

Do ponto de vista cultural, estamos presenciando a emergência e a afirmação da chamada cultura pós-moderna. Marcada pela crise dos grandes relatos, ou seja, das grandes explicações sobre o sentido da vida e do mundo. E isto tem levado ao relativismo ético, ao individualismo exacerbado, ao hedonismo, ao narcisismo e ao consumismo como a grande medida de êxito na vida. “Diga-me o que consomes eu te direi quem és!”

Os jovens educadores de hoje nasceram num mundo onde os estados nacionais eram mais importantes, numa economia industrial, num ambiente político marcado pelo embate ideológico entre capitalistas e socialistas, numa sociedade em que o estado de bem estar social, não existia plenamente, como no Brasil, era um ideal a ser perseguido. E, numa cultura marcada pelos ditames e aspirações da modernidade.

Eles estão chamados a viver, trabalhar e criar suas famílias num mundo globalizado, numa economia pós-industrial, num ambiente político pós-guerra fria, num quadro social fortemente marcado pela exclusão e num ambiente cultural de corte pós-moderno, ou seja, eles nasceram numa etapa do processo civilizatório e vão viver, trabalhar e criar suas famílias em outra etapa deste processo.

É dentro desse quadro, que nossos adolescentes deverão fazer a sua travessia entre o mundo da infância e o mundo adulto. Através de sua trajetória biográfica e relacional, cada jovem deverá plasmar sua identidade e construir o seu projeto de vida, duas tarefas sem as quais esta travessia não se consuma de maneira plena.

Para empreender esta travessia socioexistencial, sempre por “mares nunca dantes navegados”, os jovens deverão realizar quatro encontros fundamentais:

        1. O encontro consigo mesmo: Identidade, autoestima, autoconfiança, autodeterminação, projeto de vida e vontade de autorrealização e autotranscendência;
        1. O encontro com o outro: Abertura, reciprocidade, solidariedade, compromisso, responsabilidade e partilha, tanto nas relações interpessoais como nas relações sociais mais amplas;
        1. O encontro com a natureza: Preocupação, cuidado e zelo com o ambiente natural e social em que se vive e com a preservação da biodiversidade em todo o planeta, compreendendo e aceitando pautar sua vida pelos ideais da sustentabilidade ambiental e das diversidades pessoal e cultural;
        1. O encontro com a dimensão transcendente: Com as grandes indagações da vida humana, ou seja, as indagações acerca do sentido do homem e do mundo.

“As coisas existem, os valores valem”, já dizia Max Scheller, o grande filósofo alemão. Os valores só existem quando valem. E os valores só valem no momento em que os utilizamos para tomar decisões. Se o adolescente aprender a tomar decisões com base em valores, se ele aprender a fundamentar naquilo que tem sentido para ele as suas opções, ele será capaz de autodeterminar-se. E, se o jovem é capaz de autodeterminar-se, por que entupi-lo de campanhas e outros tipos de iniciativa contra isto e contra aquilo? Por que, como educadores, temos acreditado tanto no poder do não e desacreditado tanto no poder do sim?

Valor é aquilo que tira alguém da indiferença. Quando rejeitamos alguma coisa, ela tem para nós um valor negativo. Quando, ao contrário, aspiramos algo, aquilo tem para nós um valor positivo. O não-valor é a indiferença, é o tanto faz. O grande desafio da educação, nos ensina o educador salesiano Ítalo Gastaldi, é criar espaços para os nossos educandos identificarem, interiorizarem e vivenciarem os valores positivos. Este é o fundamento de toda a ação educativa digna deste nome.

O grande responsável pela disseminação das drogas, do álcool, do fumo, da gravidez precoce, das doenças sexualmente transmissíveis e da violência entre os adolescentes é a fome. Não a fome de nutrientes físicos, mas a fome de nutrientes morais. A fome de sentido, que só uma autêntica educação para valores poderá saciar.

4.6.09

É hoje!

É hoje, às 15:00 e depois às 16:30, a minha palestra no Congresso de Tecnologia Educacional Aplicada à Sala de Aula, em Brasília. Passei a última semana pesquisando e planejando tudo com muito cuidado e carinho. Pra você ter uma ideia do que vou falar, leia a introdução da palestra aqui. Abaixo, de antemão, uma das apresentações que eu preparei especialmente para o congresso. Espero encontrá-los lá!