10.6.09

Analisando macrotendências: fim do livro didático?

O Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, acaba de apresentar um plano pra substituir os livros didáticos por recursos digitais como o Facebook, Twitter, iPods e livros digitais de livre acesso. Só no ano passado, a Califórnia gastou 350 milhões de dólares (muita grana) em livros didáticos. Acho que vocês já imaginam o rebú que ele criou com esse plano, né? Esse é um dos tópicos mais discutidos essa semana por blogueiros e tuiteiros.

Vejamos alguns argumentos interessantes dessa discussão:

"O uso de mídias digitais e particularmente de mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, é certamente o caminho para se transformar a educação em todos os setores. Mas esse uso não deve acontecer ao detrimento de outras formas de aprendizagem mais tradicionais, já estabelecidas e que têm sucesso. Os livros ainda têm um lugar na pedagogia e provavelmente sempre terão".
Steve Wheeler, professor de educação da Universidade de Plymouth, em seu blog

"deveríamos considerar seriamente a adoção de processos como este no brasil, principalmente nas regiões onde as deficiências da infra-estrutura de ensino, especialmente no lado humano, são mais graves. envolver os professores no desenvolvimento do material didático, de forma aberta, pode ser uma das maneiras mais interessantes e eficazes de [re]educar docentes e instrutores em geral. afinal de contas, um dos principais papéis das comunidades abertas clássicas [de desenvolvimento de software] é educacional: elas preparam os mais jovens para um mercado altamente competitivo, onde o diploma não vale nada".
Silvio Meira, em seu blog

"...a nova geranção de hoje não se importa com a textura das páginas. Eles se importam com a informação, com a estória, não com o meio em que a estória é colocada. ... Eles podem a ler? Fazer anotações? Comunicá-la de uma nova maneira? Da mesma maneira? Adicionar coisas? Resumi-la? Conectar-se a ela? Eles podem conectá-la com algo que já conhecem? Podem copiar pedaços para mandar para amigos? ... Elas são as únicas perguntas que importam. Nós faríamos muito bem, como professores, em não esquecer disso".
Andrew B. Watt, professor de história dos EUA, em seu blog

"Esses planos são um pouco mais do que uma tentativa barata de se reduzir custos sob a desculpa de modernização de recursos".
Professor Chris Husbands, diretor da faculdade de cultura e pedagogia do Instituto de Educação da Universidade de Londres, nesse artigo do The Guardian

"Especialistas dizem que a economia de dinheiro não deveria ser a principal motivação para a busca de livros digitais e de código aberto. Aqueles que apoiam livros de código aberto estão parabenizando o governador por explorar e avaliar esses recursos, mas eu espero que os alunos da Califórnia não sejam prejudicados por essa iniciativa ambiciosa simplesmente por causa do desespero financeiro. No fim das contas, a principal responsabilidade de um educador é educar seus alunos e é essencial que esses alunos tenham todos os recursos que precisam para conquistar o sucesso acadêmico".
Artigo da Education Week

O que eu acho? Acho que a tendência é o fim dos livros mesmo. Ao mesmo tempo, principalmente aqui no Brasil, ainda teremos um longo período de adaptação e da utilização dos dois até que consigamos ter um laptop por aluno e internet wireless em todas as escolas. Nesse dia, nossos professores também já estarão capacitados para a utilização de todos os recursos tecnológicos e serão eles os responsáveis pela Educopédia - um ambiente virtual criado colaborativamente por todos os professores, com os últimos e melhores recursos e ferramentas para qualquer aula e sobre qualquer assunto. I have a dream. Aliás, esse é só mais um deles...

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