24.9.09

Ausências necessárias

Pessoal, preciso me ausentar por um tempo, inclusive do mundo virtual e celular, para dedicar-me mais do que completamente ao término da minha tese. Prometo retornar com tudo em aproximadamente 15 dias. Enquanto isso, vocês podem checar textos antigos do blog, ou as minhas páginas do Twitter, Diigo, etc. Já sinto saudades. Wish me luck. ;D
Rafa.

15.9.09

10.9.09

Divagando sobre o aprender

Peço licença pra escrever algumas divagações - reflexões bem pessoais (e não completamente conectadas) sobre coisas que tenho lido e ouvido em eventos importantes ou conversas paralelas, algumas vezes de desconhecidos, outras de pessoas queridas e admiradas. Como já disse aqui, gosto muito de discutir abertamente, e sem muitos dedos, sobre questões não consensuais. É possível que o que eu escreva não agrade e que a minha opinião seja imatura ou simplesmente errada. Peço a vocês que me mandem opiniões por email ou comentários. Juro que estou disposto a mudar de opinião assim que for convencido. Nos lugares que eu não colocar um link é porque perdi a referência :( .

Ouvi, há bastante tempo, que o que aprendemos nos primeiros anos de vida supera (muito) tudo o que aprendemos no resto dela. Mais recentemente, li sobre uma pesquisa que diz que os bebês são os seres mais autodidatas que existem. Por que? Pode ser que a falta de limites e a ausência do "não pode, não faz, não vai" nos deixem mais livres pra explorar e curiar. Tem aquela palestra do TED, em que o Sir Ken Robinson pergunta se a escola mata a criatividade. Será? Tem também aquela frase famosa do Einstein: "É um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal". Por outro lado, ouvi outro dia que a pedagogia que funciona, de verdade (segundo estudos numerosos e confiáveis), é aquela planejada, direcionada e direta, o professor falando e o aluno escutando e aprendendo.

Sei não... acredito na disciplina, no respeito, no planejamento e na hierarquia, mas não numa coisa servil, do tipo "é assim porque eu quero e ponto final". Eu acredito que as pessoas aprendem quando querem, por necessidade ou qualquer outra coisa que estimule a vontade. Daí, quando elas querem/precisam, vão atrás de fontes (pessoas ou coisas) e absorvem o máximo que conseguem. Acho que as tecnologias, em especial a internet, têm o poder de trazer de volta a possibilidade de explorar e curiar que a gente pode ter perdido no meio do caminho.

Outro dia vi um vídeo muito legal. Um menino de uns 10 anos tentava, sozinho, aprender a fazer fogo com dois pedaços de madeira. Ele explicava o que tinha ouvido sobre o assunto, o que já tinha feito, mas não entendia o que tava dando errado... o fogo não tava aparecendo. A forma que ele resolveu pedir ajuda foi fazendo, mais uma vez sozinho, esse vídeo que colocou no YouTube. No final ele pede ajuda: "você aí, que tá me assistindo, fala nos comentários o que eu tô fazendo errado". Ele recebeu várias respostas. E conseguiu. E aprendeu.

Aí paro e penso em mim. Passo de uma a duas horas no Twitter todos os dias. Fazendo o quê? Aprendendo. Com quem? Com 257 pessoas do mundo todo (meus professores tuiteiros) que eu sigo e que publicam notícias com artigos, textos, vídeos, etc, sobre tecnologias na educação e outras coisas (algumas bem banais, outras bem legais). Será que dá pra comparar o que eu aprendi nos cursos do doutorado da NYU com o que tenho aprendido no Twitter? Sei não... mas eu tô aprendendo muito!

Aí paro e penso no papel do novo professor. Tenho ouvido que ele continua precisando saber muito do seu conteúdo (mesmo com o Google e com a quantidade de informações que crescem exponencialmente), que aumentar o salário dele não dá muito resultado naquilo que o aluno aprende, que turmas menores também não fazem muita diferença. Sei não... Acredito que as pessoas do passado precisaram, as do presente precisam, e as do futuro vão precisar de professores. Mas os professores que eu acredito são aqueles que te inspiram, te motivam, que você tem vontade de parar tudo que tá fazendo pra ouvir nem que seja uma palavra. Você não é obrigado, você quer, você precisa, você sente uma necessidade meio inexplicável de ouvir aquilo que te arrepia. Além disso, nos melhores sistemas de educação do mundo, os professores são bem selecionados, bem formados e bem remunerados.

Tenho algumas perguntas que dariam ótimas pesquisas: será que o aluno atual acha que o professor atual (tudo no Brasil) sabe o que é mais significativo pra ele? Será que o professor tem conseguido inspirar o aluno? Será que todas as pessoas que decidem fazer direito, ciências da computação ou medicina não trocariam por pedagogia se a remuneração fosse mais alta? Será que o bom professor (bem selecionado, bem treinado, bem remunerado = motivado) não pode fazer um trabalho melhor com 20 alunos do que com 30?

Tenho ouvido também que o que a educação do nosso país precisa mesmo é de avaliação. Focar no resultado. E já sabemos de várias coisas que funcionam, mas que podem dar problemas. É importante estar atento à implementação. Peraí... focar na avaliação (resultado) ou implementação (processo)? Aprendi com o professor Antônio Carlos Gomes da Costa (uma dessas pessoas que eu paro até de comer sorvete pra ouvir): diagnosticar, planejar, implementar, acompanhar, avaliar e disseminar. Se a gente der atenção demais pra só uma dessas coisas, será que teremos bons resultados? Pode ser que sim. Pode ser que só a divulgação do IDEB já faça uma senhora diferença. Mas será que poderíamos fazer muito além? Acho que sim.

Por último, tenho ouvido que o que importa, de verdade, é o ensino de português e matemática. Façamos isso muito bem, depois a gente pensa no resto. Arte, valores, cidadania, tecnologia, isso tudo vem depois porque primeiro o menino tem que saber ler, escrever e pensar logicamente. Aí eu paro e penso uma última vez. O menino vai ler, escrever e calcular o quê? De que forma? Em que contexto? Não dá pra ele ler sobre a cultura local no blog de um jornalista? Ou escrever e debater sobre o comportamento cidadão ou a crise do senado num fórum virtual? Ou pensar matematicamente sobre os versos de um samba?

Enfim... são só divagações um pouco pretensiosas, idealistas e românticas...

"Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você"

(Tom Jobim - Aulta de matemática)



Montagem da música "Aula de Matemática" (Tom Jobim e Marino Pinto)realizada pela multiplicadora Adriana Sousa para o curso Educação Matemática e o Uso das Tecnologias do NTE16-Vitória da Conquista-BA.

Um texto muito legal relacionado a essas divagações é o "How Schools Ignore Social Sciences", do Education for Well-being.

8.9.09

#ferramentas e #recursos

ToonDoo: criação de tirinhas de cartoons

20 aplicativos grátis da web pra utilizar em sala de aula

Ferramentas pra criar e publicar livros online

Livebinders: pra guardar e compartilhar arquivos onlinte

iSpring: pra converter apresentações de PowerPoint em Flash

Material criado pelo Google com explicações da utilização de ferramentas em sala de aula

Lista de recursos e ferramentas separados por grupos

5 coisas que os educadores inovadores precisam ter

Mais uma lista incrível com ferramentas e tutoriais

OK, a última lista de aplicativos favoritos

Dicas de estudo elaboradas pelo Google

Dicas para sobrevivência em salas de aula que só têm um computador

1.9.09

Lado B x Lado A


O pôster acima ilustra com otimismo as características dos jovens do século xxi

cidadão global – criativo – ativo – que persegue missões – engajado civicamente – divertido – musical – artístico – conectado – visionário – corajoso – otimista – carinhoso – simpático – inovador – colaborador – construtivo – planejador – se importa com a ecologia – independente – faminto por conhecimento – positivo – com pensamento independente – que resolve problemas – que pensa em 360 graus – original – amigo – flexíve – feliz – sonhador – ...

Ao mesmo tempo, é sempre bom lembrar que o aparecimento de novas tecnologias, como outras novidades, gera consequências positivas e negativas. Nós, educadores, precisamos estar atentos pra todas elas e intervir sempre que necessário.

O vídeo abaixo mostra um lado ruim das novas tecnologias. Em alguns países, enviar sms enquanto dirige já é uma das principais causas de acidentes e mortes no trânsito. (vídeo educativo com cenas fortes)