10.9.09

Divagando sobre o aprender

Peço licença pra escrever algumas divagações - reflexões bem pessoais (e não completamente conectadas) sobre coisas que tenho lido e ouvido em eventos importantes ou conversas paralelas, algumas vezes de desconhecidos, outras de pessoas queridas e admiradas. Como já disse aqui, gosto muito de discutir abertamente, e sem muitos dedos, sobre questões não consensuais. É possível que o que eu escreva não agrade e que a minha opinião seja imatura ou simplesmente errada. Peço a vocês que me mandem opiniões por email ou comentários. Juro que estou disposto a mudar de opinião assim que for convencido. Nos lugares que eu não colocar um link é porque perdi a referência :( .

Ouvi, há bastante tempo, que o que aprendemos nos primeiros anos de vida supera (muito) tudo o que aprendemos no resto dela. Mais recentemente, li sobre uma pesquisa que diz que os bebês são os seres mais autodidatas que existem. Por que? Pode ser que a falta de limites e a ausência do "não pode, não faz, não vai" nos deixem mais livres pra explorar e curiar. Tem aquela palestra do TED, em que o Sir Ken Robinson pergunta se a escola mata a criatividade. Será? Tem também aquela frase famosa do Einstein: "É um milagre que a curiosidade sobreviva à educação formal". Por outro lado, ouvi outro dia que a pedagogia que funciona, de verdade (segundo estudos numerosos e confiáveis), é aquela planejada, direcionada e direta, o professor falando e o aluno escutando e aprendendo.

Sei não... acredito na disciplina, no respeito, no planejamento e na hierarquia, mas não numa coisa servil, do tipo "é assim porque eu quero e ponto final". Eu acredito que as pessoas aprendem quando querem, por necessidade ou qualquer outra coisa que estimule a vontade. Daí, quando elas querem/precisam, vão atrás de fontes (pessoas ou coisas) e absorvem o máximo que conseguem. Acho que as tecnologias, em especial a internet, têm o poder de trazer de volta a possibilidade de explorar e curiar que a gente pode ter perdido no meio do caminho.

Outro dia vi um vídeo muito legal. Um menino de uns 10 anos tentava, sozinho, aprender a fazer fogo com dois pedaços de madeira. Ele explicava o que tinha ouvido sobre o assunto, o que já tinha feito, mas não entendia o que tava dando errado... o fogo não tava aparecendo. A forma que ele resolveu pedir ajuda foi fazendo, mais uma vez sozinho, esse vídeo que colocou no YouTube. No final ele pede ajuda: "você aí, que tá me assistindo, fala nos comentários o que eu tô fazendo errado". Ele recebeu várias respostas. E conseguiu. E aprendeu.

Aí paro e penso em mim. Passo de uma a duas horas no Twitter todos os dias. Fazendo o quê? Aprendendo. Com quem? Com 257 pessoas do mundo todo (meus professores tuiteiros) que eu sigo e que publicam notícias com artigos, textos, vídeos, etc, sobre tecnologias na educação e outras coisas (algumas bem banais, outras bem legais). Será que dá pra comparar o que eu aprendi nos cursos do doutorado da NYU com o que tenho aprendido no Twitter? Sei não... mas eu tô aprendendo muito!

Aí paro e penso no papel do novo professor. Tenho ouvido que ele continua precisando saber muito do seu conteúdo (mesmo com o Google e com a quantidade de informações que crescem exponencialmente), que aumentar o salário dele não dá muito resultado naquilo que o aluno aprende, que turmas menores também não fazem muita diferença. Sei não... Acredito que as pessoas do passado precisaram, as do presente precisam, e as do futuro vão precisar de professores. Mas os professores que eu acredito são aqueles que te inspiram, te motivam, que você tem vontade de parar tudo que tá fazendo pra ouvir nem que seja uma palavra. Você não é obrigado, você quer, você precisa, você sente uma necessidade meio inexplicável de ouvir aquilo que te arrepia. Além disso, nos melhores sistemas de educação do mundo, os professores são bem selecionados, bem formados e bem remunerados.

Tenho algumas perguntas que dariam ótimas pesquisas: será que o aluno atual acha que o professor atual (tudo no Brasil) sabe o que é mais significativo pra ele? Será que o professor tem conseguido inspirar o aluno? Será que todas as pessoas que decidem fazer direito, ciências da computação ou medicina não trocariam por pedagogia se a remuneração fosse mais alta? Será que o bom professor (bem selecionado, bem treinado, bem remunerado = motivado) não pode fazer um trabalho melhor com 20 alunos do que com 30?

Tenho ouvido também que o que a educação do nosso país precisa mesmo é de avaliação. Focar no resultado. E já sabemos de várias coisas que funcionam, mas que podem dar problemas. É importante estar atento à implementação. Peraí... focar na avaliação (resultado) ou implementação (processo)? Aprendi com o professor Antônio Carlos Gomes da Costa (uma dessas pessoas que eu paro até de comer sorvete pra ouvir): diagnosticar, planejar, implementar, acompanhar, avaliar e disseminar. Se a gente der atenção demais pra só uma dessas coisas, será que teremos bons resultados? Pode ser que sim. Pode ser que só a divulgação do IDEB já faça uma senhora diferença. Mas será que poderíamos fazer muito além? Acho que sim.

Por último, tenho ouvido que o que importa, de verdade, é o ensino de português e matemática. Façamos isso muito bem, depois a gente pensa no resto. Arte, valores, cidadania, tecnologia, isso tudo vem depois porque primeiro o menino tem que saber ler, escrever e pensar logicamente. Aí eu paro e penso uma última vez. O menino vai ler, escrever e calcular o quê? De que forma? Em que contexto? Não dá pra ele ler sobre a cultura local no blog de um jornalista? Ou escrever e debater sobre o comportamento cidadão ou a crise do senado num fórum virtual? Ou pensar matematicamente sobre os versos de um samba?

Enfim... são só divagações um pouco pretensiosas, idealistas e românticas...

"Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você"

(Tom Jobim - Aulta de matemática)



Montagem da música "Aula de Matemática" (Tom Jobim e Marino Pinto)realizada pela multiplicadora Adriana Sousa para o curso Educação Matemática e o Uso das Tecnologias do NTE16-Vitória da Conquista-BA.

Um texto muito legal relacionado a essas divagações é o "How Schools Ignore Social Sciences", do Education for Well-being.

22 comentários:

  1. Olá, Rafael!
    Concordo com quase tudo.
    "De tudo fica um pouco!"
    O grande problema é que professor não tem tempo para se atualizar e a maioria dos professores da minha disciplina (Português) ainda está na fase dos infindáveis exercícios gramaticais e ortográficos. Não se lê fora de contexto. É só consultar os PCN. Ler e escrever são práticas essenciais. Você escreve bem e não é um grande conhecedor de regras gramaticais. Eu escrevo bem menos porque sou de uma época em que ter opinião era proibido.
    Não sou saudosista, mas meus alunos de ontem eram bem melhores do que os de hoje.
    Ontem, na sala de leitura, antes de começar uma roda de histórias perguntei se sabiam o que eram mitos. Não sabiam. Perguntei sobre Adão e Eva. Somente um sabia. Mitos da criação do mundo são muitos.No Ocidente, esse é o mais conhecido por motivos religiosos.
    Não se contam mais histórias em família e na escola. Como trabalhar com intertextualidade se não dominam informações básicas?
    Gostaria de continuar minhas reflexões, no entanto ando sem tempo.
    A internet tem tomado o pouco tempo que tenho. Muita informação e pouco aprofundamento.
    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Oi, Fátima! Realmente, são considerações super importantes... a falta de tempo do professor, a falta de tempo com a família e isso tudo afetando o "novo" aluno. Eu entendo que a leitura não existe fora de um contexto, o que quis dizer é que esse contexto deve ser utilizado para um ensino transdisciplinar, que inclua uma nova forma de pensar e de enxergar o mundo. Obrigado pelo seu comentário. Um grande abraço.

    ResponderExcluir
  3. Rafael,

    Obrigada por abrir este canal para que possamos opinar, trocar... São as provocações, reflexões, sacudidas, que nos tiram de um estado morno, e nos livra de tantos paradigmas.

    Crianças, adolescentes são fabulosos. Imaginação, vontade, criatividade, inventividade que nos surpreende a todo momento. Iinfelizmente, escolas podam, as vezes decepam.

    Crianças curiosas pelo bichinho que passa pelo pátio, tem seu interesse assassinado, pois a professora grita e o manda sair dali. Depois, oferece um livro com fotos de insetos, animais, e quer que ele decore. Escola da vida? Matam a natureza do olhar.

    Poderia dizer que cadeiras enfileiradas, permissões para falar, salas silenciosas são práticas passadas? Não. Ainda hoje, bem pertinho de nós, professores desejam que apenas a fórmula matemática ensinada, seja realizada, enfatizam que alguns caminhos são únicos, e cortam as asas da imaginação dos alunos.

    Professor significa "aquele que professa", professar é "aquele que diz a verdade", e assim o professor é aquele "que detém a luz." A palavra aluno, por sua vez significa "sem luz"
    .
    Isso não é verdade, e vem de uma época de dominação, controle. Alunos e professores ensinam e aprendem, sozinhos, em grupo, juntos.

    Somos mediadores do saber, do conhecimento e não detentores do conhecimento. Vivemos na Era da Informação, e a tecnologia tem a velocidade do foguete. Novas tecnologias estão sendo criadas neste exato momento, e será fatal se a escola brasileira não romper com o paradigma de que escolas tradicionais são as que verdadeiramente ensinam.

    As casas estão repletas de tecnologia. Trabalho em duas comunidades diferentes , e as famílias tem computadores, e possuem orkut e facebook e coversam em msn. Hoje, uma mãe disse que inscreveu sua filha da creche no site da hipoglós, me deu o link e me pediu pra votar.

    Nossos alunos estão conectados ao mundo, possuem informações que não temos. Conversam em chat, falam ao mesmo tempo com vários colegas, enquanto isso baixam músicas e filmes, ao mesmo tempo escutam música. Uma velocidade que só conseguem se forem capaz. Podem estes jovens aprenderem uma aula, sentados, parados, com apenas um livro sobre a carteira e um professor “detentor da sabedoria?

    Não digo que devemos excluir o livro, nem minimizar ou subestimar o papel do professor, mas podemos aproveitar os recursos tecnológicos para fazer uma aula que seduz, que interessa.
    Os alunos podem tocar mares, conhecer terras distantes, ver as belezas e as tragédias deste mundo em um telão, que desperta para a ciência, para o cuidado, para a sustentabilidade.
    Temos talentos em nossas escolas, na área da arte, da ciência, grandes potenciais, que não podem ser assassinados.

    Ontem, falei com uma professora da escola do meu filho, sobre o talento que ele tem para fazer vídeos. Ele aprendeu “só” e realmente é bom! (Ele usa o after effects, entre outros. Nos vídeos, ele voa, atravessa paredes, conversa com ele mesmo...) A professora perguntou para ele: "Porque você não disse que sabia?"
    A resposta foi: "NINGUÉM nunca perguntou."

    Português matemática, ciências, geografia, história tem seu lugar e sua vez, com honras, em nosso momento tecnologia. E claro, o professor pode ser aquele que inspira, motiva, eleva e compartilha.

    Amo a educação. Alunos se tornam amigos, é bom quando os reencontro.

    Desafios temos a toda a hora. Temos ainda que encontrar equilíbrios em uma época acelerada.
    Temos que mostrar aos alunos que máquinas não amam, não cuidam, não expressam, e que os valores precisam ser reavaliados.

    Para terminar, as redes sociais me deram oportunidades de ter novos olhares para a educação. Ando aprendendo muito.

    Ouvir, falar, conversar, "papear" sobre Educação é um convite que nunca recuso.

    Estou aprendendo...

    ResponderExcluir
  4. Devorei seu texto!
    Depois de ler, tive mais uma vez a certeza de que fiz a escolha da profissão certa!
    Estas questões mexem comigo!
    Nossa! Quantas considerações, quantas ideias, quanto ainda se precisa discutir a respeito da educação e da relação ensino aprendizagem!
    Faço uma reflexão do quanto ainda precisamos saber a respeito de tudo isso...
    Os modelos antigos precisam enfim dar lugar ao apelo de uma geração que não consegue ser livre lá fora e tão rígida dentro da escola!
    As asas que nos fazem voar ao redor do mundo diante de uma tela de computador, são aparadas, amarradas, quando se precisa sentar, ouvir, copiar...
    Talvez não pareça ter muito sentido o que digo, mas sonho com uma educação libertadora! Que perceba nas diferenças, uma vantagem! Que impulsione a procura de respostas! Que deixe enfim as rotulações ...
    Imagine: crianças deitadas nos gramados lendo diferentes livros, dramatizando pontos da História de nosso país, descobrindo nos laboratórios conceitos científicos fascinantes! Percebendo nos seus professores pessoas que desejam ser um dia...
    Devorei seu texto! E gostei. Muito.

    ResponderExcluir
  5. Aiai... Esses comentários fazem a minha 6a feira ainda mais especial! OBRIGADO!!!

    ResponderExcluir
  6. Nunca aprendí tanto quanto agora com Twitter!!! E é uma aprendizagem gostosa, leve, inspiradora!

    ResponderExcluir
  7. Oi Rafael;
    Gostei muito do seu texto, principalmente pelo fato de estar imerso em tantas incertezas e igualmente aberto a tantas possibilidades...
    Depois de tantos anos trabalhando na minha Escola ( me permito chamá-la de minha após 25 anos nela,rsrsr) e tendo passado por tantas propostas "salvadoras da educação pública", acredito de tudo um pouco no que vc escreveu.
    Todos precisamos conversar muito sobre Educação ainda...
    Estou certa de que mudanças são fundamentais, porém saibamos que nenhuma delas promoverá um "milagre".Precisam ser discutidas exaustivamente e absorvida pelos profissionais de Educação, senão ficarão apenas no papel.Nesse aspecto, são muitas as ferramentas existentes, mas certamente ainda são poucos os que as utilizam com eficácia ( muitos são os motivos...).
    Bem, estamos no caminho certo;informar,discutir e agir são questões fundamentais para sairmos do lugar.Parabéns pelo excelente canal criado para isso;estamos juntos na busca por uma maior qualidade na Educação de nossa rede.
    Patricia Nogueira- Coordenadora Pedagógica EM Rosa da Fonseca

    ResponderExcluir
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  9. "Será que o aluno atual acha que o professor atual sabe o que é mais significativo pra ele?" irei fazer esta pesquisa com alunos do 7 ano.

    ResponderExcluir
  10. Amei seu blog.Concordo com o que Rute Albanita escreveu.
    "Não digo que devemos excluir o livro, nem minimizar ou subestimar o papel do professor, mas podemos aproveitar os recursos tecnológicos para fazer uma aula que seduz, que interessa".

    Muitas aulas hoje em dia não seduz e não produz interesse e nem vontade de aprender no aluno.Isto deve ser mudado!

    ResponderExcluir
  11. Também peço licença para as divagações. Procurei uma meodologia para tentar abrir outras possibilidades de discussão. Tentei pensar sobre cada um dos parágrafos e levantar algumas considerações sobre as ideias contidas em cada um deles. Não me importei com uma sistemática muito objetiva nem com aprofundamento conceitual. Resultou meio como uma “colcha de retalhos” de ideias e questionamentos. Vamos Lá!
    Preocupa-me os estudos “numerosos e confiáveis”. Há estudos numerosos e confiáveis que provam coisas absolutamente contrárias.
    Uma educação comprometida com a criatividade, liberdade, cidadania e crítica precisa ser muito bem planejada. É um equívoco achar que a escola é uma instituição do improviso e do senso comum. A complexidade e importância da escola exigem intencionalidade e, em consequência, planejamento, direção.
    Quanto ao papel do professor, não cabe mais na escola de hoje “o professor falando e o aluno escutando”. Os conhecimentos do twitter e da Academia não se contradizem. Uma coisa não está atrelada necessariamente a outra. O conhecimento está nas relações pessoais, institucionais, acadêmicas, virtuais etc. Não acredito em hierarquia dos meios. As relações – e quanto mais amplas melhor – constituem conhecimentos e valores. Um bom exemplo disso é quando reconhecemos a escola como loco privilegiado de formação dos professores. É ali que as relações profissionais se estabelecem com mais constância e intimidade. Uma política séria e comprometida de formação de professores (nossa rede reclama isso há muito tempo) precisa reconhecer esse espaço (o da escola) de formação e planejar estratégias para enriquecer a prática dos nossos professores reconhecendo a imprtância estratégica desse espaço.
    Diria, também, que nós, professores, precisamos nos sentir respeitados, com instrumentos e canais institucionais que permitam participação nas definições da política educacional da Rede, com autonomia e liberdade.
    Há algumas décadas, a escola brasileira abriu suas portas para as classes menos favorecidas (detesto essa expressão). Não conseguimos, até hoje, nos aproximar dos valores e cultura dessa população. Nos últimos anos isso se agrava pela velocidade com que a relidade se transforma. Não há um tempo, real, nem ritual, de passagem que permita uma acomodação às mudanças, cada vez mais velozes. Corremos atrás do próprio rabo. Ouvimos há mais de três décadas, as mesmas justificativas pelo insucesso dos alunos, sobretudo dos mais pobres.

    ResponderExcluir
  12. Continuando....
    Concordo com o Anônio Carlos Gomes. Quanto aos índices, eles têm sido compreendidos como um fim em si mesmo. Administrar esses índices não tem sido tão difícil assim. Dão a ilusao de qualidade. Isso é uma crueldade institucional. É preciso olhar isso com muito cuidado. Eslareço que acho necessário e importante os índices e as avaliações externas, mas quando se transformam na própria razão de uma política de educação é, certamente, um desastre anunciado. Uma administração de índices, quando não acompanhada de uma política efetiva de intervenção nas razões mais profundas dos resultados de desempenho, não se sustenta a médio e longo prazo. A história será testemunha.
    O que fazemos na Educopédia é o contrário desse pensamento! As conexões e redes que pretendemos implementar pressupõem uma compreensão do conhecimento como rede, não como linha. Vejo você falando e defendendo essa perspectiva todo o tempo. Gosto disso. Por esse motivo considero a Educopédia como um atalho para a qualidade da educação pública, sobretudo aliada a uma política geral de educação que acredite e respeite esses princípios. Na verdade Princípios que Educam. A Educopédia, na minha compreensão, é mais do que um instrumento, mas um Princípio que Educa nossos meninos e meninas. Ela se fundamenta na perspectiva de que o conhecimento se constitue nas relações. Observe! Quando dizemos que o aluno pode aprender sozinho com as aulas da Educopédia, queremos dizer que ele pode “INTERAGIR” com meios (ou instrumentos) outros que não o presencial. Não significa que estão aprendendo sozinhos. A aprendizagem é mediada pelas aulas e propostas que são apresentadas.

    José Henrique de Freitas
    11/11/2011

    ResponderExcluir
  13. Oi, Rafael,
    Seu texto me deu mais forças para colocar minhas ideias para a sala de aula do ano que vem para fervilharem ainda mais.
    Este ano minha sala não foi nem parecida com a que eu tinha há 19 anos quando iniciei no município. A do ano que vem menos ainda.
    Estou perdendo o medo de experimentar com alguns pares mais capazes ( você inclusive) e com meus alunos. Eles não tiveram medo de experimentar o Twitter, a Educopédia, fazer um doce em sala, cantar em italiano. Eles querem tudo e mais um pouco e, se eu não experimentar com eles, vou perder o bonde da História.
    Na palestra do Prof. Carlos Nepomuceno no Conecta 2011, tive a certeza do óbvio: a educação, a sociedade nunca mais será a mesma depois de toda essa revolução tecnológica.
    "Vamos lá fazer o que será?" Gonzaguinha

    ResponderExcluir
  14. Fatima, quero saber depois o resultado da sua pesquisa!!!

    ResponderExcluir
  15. José Henrique, mais uma vez fiquei impressionado com o seu texto. Muito bom! Quero que você tenha a certeza de que estamos buscando mecanismos para que os professores se sintam cada vez mais respeitados e com melhores condições de trabalho -- plano de carreira, programas de capacitação mais consolidados, etc. Mas, como sempre, esbarramos em uma série de questões, podemos conversar outra hora sobre isso.

    ResponderExcluir
  16. Angela, o seu comentário foi inspirador e me dá mais força ainda para continuar batalhando com e por vocês. Um beijo grande e conte sempre comigo!!!

    ResponderExcluir
  17. Rafael, quando falo de respeito não é somente salário e condições de trabalho, mas canais de participação na formulação da política de educação. Canais tipo "Fala professor", "Twitter", "Face" etc. não constroem fundamentação para rever políticas ou encaminhamentos. As decisões ficam exclusivamente no Gabinete dessa secretaria. Alguém já discutiu sobre os projetos de "correção de fluxo" implantados na Rede desde 2009? Quais os seus resultados? Os números são previsíveis. Há uma seleção de alunos com desempenho insatisfatório que são agrupados nesses projetos, portanto, não participam das avaliações externas. É claro que os números (IDEB, IDERIO) sobem. E o desempenho do restante da Rede? Não há uma política efetiva de intervenção nas razões da produção de mais alunos defasados. Por esse motivo os projetos de correção de fluxo estão há três anos implantados na Rede. O desempenho dos alunos do 3º ano foi sofrível em 2010 (25,75%). Esse ano os prognósticos não são diferentes. Há que se intervir nos anos iniciais com uma proposta séria de formação de professores e acompanhamento sistemático nos anos iniciais. Veja! Criaram um projeto chamado "Nenhuma criança a menos" para dar conta desses meninos e meninas. Deu "água" (essa expressão vem de um joguinho do meu tempo - batalha naval -, que fazia o maior sucesso. Olha os jogos ai). Isso era previsível. Produzimos mais alunos defasados num círculo vicioso. Os Ginásios Experimentais Cariocas trabalham com os alunos não defasados (nunca foram reprovados) dos 7º, 8º e 9º anos. Como "experimentais"? Estamos criando uma rede de alunos da elite do ensino público municipal. Experimentamos o quê? Esse projeto não pode ser paradigma para a Rede. Não há como transferir essa experiência para uma rede que ainda possui uma quantidade enorme de alunos defasados e, o que mais preocupa, continuamos a produzir. Nos anos finais os projetos da FRM tentam dar conta dos alunos defasados dos 6º e 7º anos, levando-os para a conclusão do ensino fundamental. Correto! Mas qual o investimento que se propõem para as turmas regulares? Pelas ideias que vejo você expor não parece que você concorda com esses encaminhamentos. Li seu artigo. Venho acompanhando o que você escreve (pensa).
    Adoro fazer o que estou fazendo com vc. Discutir sobre educação e a felicidade dos nossos meninos e meninas. E as provas únicas e cadernos pedagógicos iguais para toda rede? E a segunda época? São muitas as questões....
    Um grande abraço.

    ResponderExcluir
  18. Aí já começamos a discordar. Os canais de comunicação estão completamente abertos. Toda a equipe conversa muito com a rede, não só virtualmente, mas presencialmente. Há discussões em CEs, visitas, reuniões constantes com os conselhos. Sinceramente, há MUITO diálogo. Acompanho também muito de perto o grande sucesso dos programas de aceleração e re-alfabetização. Sucesso inquestionável de programas extremamente necessários como ação afirmativa. Há ações, como o "Nenhuma criança a menos" que você citou que funcionam melhor em algumas escolas, menos em outras. Isso, aliás, como várias outras propostas -- tudo depende do quanto "a ponta" acredita no que está sendo proposto. Os GECs não fazem seleção de alunos. Há alunos fortes, médios, fracos. Estamos experimentando nessas escolas uma série de ações que devem começar a ganhar escala já no próximo ano. Pedimos às CREs e às escolas o tempo todo que se crie, localmente, planos para a recuperação paralela dos alunos defasados. As provas únicas e os cadernos são ferramentas de gestão, como várias outras. Precisamos de materiais complementares e de avaliações para sabermos o que está dando certo, o que precisa ser melhorado. Enfim... Outro abraço pra você.

    ResponderExcluir
  19. Só mais um comentário: todos os alunos de 5o e 9o anos, estando ou não em "projetos" fazem a Prova Brasil e são incluídos no cálculo do Ideb. Abraços.

    ResponderExcluir
  20. Começar a discordar é muito bom. Não acho que esse é o meio mais apropriado para aprofundar essa discussão. Tenho contra argumentos. Quem sabe em outro momento podemos discutir melhor.
    Sobre o ensino da Arte, conforme discutimos a partir do vídeo sugerido por vc, copio um texto do Augusto Boal, escrito em 1974, no seu livro "Teatro do Oprimido", sobre o ensino da Arte. Leia! Vale a pena.

    "O domínio de uma nova linguagem oferece, à pessoa que a domina, uma nova forma de conhecer a realidade, e de transmitir aos demais seu conhecimento. Cada linguagem é absolutamente insubstituível. Todas as linguagens se complementam no mais perfeito e amplo conhecimento do real. Isto é, a realidade é mais perfeita e amplamente conhecida através da soma de todas as linguagens capazes de expressá-la."

    Isso em 1974. O uso da Internet não era nem imaginada. Esse livro ficou proibido no Brasil durante muitos anos.
    Boal fala sobre o ensino e aprendizagem de LINGUAGENS, artísticas ou não, como ferramentas de conhecimento de mundo, possibilidade de ampliação das nossas VISÕES.
    Um abraço.
    Henrique

    ResponderExcluir
  21. Vamos conversar! O convite está sempre na mesa pra você vir bater um papo e tomar um café! ;)

    ResponderExcluir
  22. Estamos juntos. Aceitarei o convite. Vamos ao café....Um abraço,
    Henrique

    ResponderExcluir