10.11.09

Paraninfo pela 1a vez


Na última sexta-feira, vivi mais um grande momento. Além de ver a minha mãe de beca, se formando em pedagogia, tive a imensa honra de ser o paraninfo da celebração. Agradeço, mais uma vez, ao convite carinhoso de Ana Luiza, Carla, Daniela, Juvenília, Karla Cristina, Maria Selma, Michelle, Regina, Rita de Cássia e da minha mãe. Abaixo, transcrevo o discurso que preparei com muito carinho.

Boa noite, senhoras e senhores,

Não posso começar sem dizer quão honrado me sinto nesse momento. Além dessa ser a primeira vez que exerço a função de paraninfo, recebo o convite de um grupo muito especial: um grupo de pessoas que aceita o que considero ser o maior desafio dos tempos atuais: o de ser professor e educador. As pessoas que optam por pedagogia no mundo de hoje acreditam na criação de um mundo melhor e que o ser humano pode ser, de fato, humano. E além de ter sido convidado por esse grupo que compartilha comigo de crenças e sonhos, faz parte dele uma pessoa que é, foi e sempre será muito especial pra mim. Fui colocado por Deus na vida dessa pessoa e ela me criou, me ensinou a andar, a ter valores, a acreditar, a batalhar, a ter a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Mãe, você é uma das maiores razões das minhas alegrias e do meu sucesso.

Continuando, eu queria compartilhar com vocês uma história da minha infância, um plano que eu tinha quando era bem pequeno: eu queria criar um mundo perfeito! Eu pensava em comprar uma fazendona e construir uma casa lá no alto de uma montanha. Saindo da casa, teria um escorregador enorme até lá embaixo, que terminaria numa piscina. As pessoas poderiam subir a montanha por escadas rolantes ou um teleférico, essa seria uma decisão bem difícil. Eu levaria minha família, meus amigos e um monte de gente pra morar comigo. Todo mundo teria casas e nós produziríamos tudo o que precisássemos, que na minha cabeça seriam alimentos, roupas e brinquedos. Tudo seria muito limpo e bonito e não haveria a necessidade de armas ou policiais porque todo mundo seria feliz. Também haveria muita música e todo mundo faria todas as refeições juntos - a mesa teria que ser enorme! Medo também não existiria nesse lugar. Seria tão perfeito que a gente poderia comer todo chocolate e beber todo o refrigerante que a gente quisesse e ninguém ia engordar!

Depois de alguns anos, eu decidi que não precisava construir esse lugar. Eu gostava de morar em Brasília, mas precisava arrumar algumas coisas. Achava que as paradas de ônibus precisavam de umas cores e as pessoas pobres precisavam ganhar dinheiro. Mas tudo isso podia ser facilmente arrumado. Eu planejava colocar umas cores nas paradas de ônibus, plantar umas árvores com flores e cuidar dos pobres. Eu daria um monte de talões de cheques pra todos eles pra que eles pudessem comprar tudo o que quisessem. Vocês podem imaginar a minha frustração quando minha mãe me explicou que as pessoas precisavam ter dinheiro no banco pra usar os talões?

Hoje, depois de amadurecer um pouquinho, meus pensamentos não mudaram tanto... Eu ainda tenho certeza que podemos criar um mundo perfeito. Eu ainda sou um idealista, como vocês. Sabem, nós vivemos num planeta maravilhoso com belezas naturais de tirar o fôlego e pessoas sensacionais. Nós já desenvolvemos vários avanços tecnológicos, idiomas complexos, curas pra doenças, culinárias, músicas, artes... e a cada momento podemos nos comunicar e viajar mais rápido que nunca! Ao mesmo tempo, ainda temos muito a fazer. Mesmo com esses avanços, ainda temos imensos desafios, como a fome, a pobreza, a violência e a falta de necessidades humanas básicas.

Então, o que há de errado? Acho que melhor do que fazer como quando eu era criança, metia a mão no bolo e dizia "foi o meu irmão, mamãe!" deveríamos nos perguntar todos os dias: o que estamos fazendo pra construir um mundo melhor? Essa cerimônia é um momento em que queremos celebrar o sucesso desse grupo de pessoas lindas, mas também é um tipo de ritual de passagem quando deveríamos parar e refletir sobre o que realmente importa pra nós. Agora que vocês são pedagogas, qual o próximo passo? A maioria das pessoas geralmente persegue coisas que lhes traga prazer, dinheiro, sucesso e poder. Será que isso é tudo? Talvez possamos encontrar outras coisas que adicionem a cobertura de chocolate ao nosso bolo de cenoura... e eu de novo com esses pensamentos de gordinho...

Vocês devem estar se perguntando o que essas coisas podem ser, certo? Será que ele tá falando de plantar árvores, ter filhos e escrever livros? Ou talvez ir ao programa da Hebe, ao show do Roberto Carlos, fazer parte de uma dupla sertaneja? Bem... não exatamente. Vocês estão aqui hoje porque vocês estudaram bastante, se esforçaram muito e também porque tiveram oportunidades. Felizmente, vocês fazem parte de um grupo muito pequeno no mundo todo que termina um curso universitário. Agora, mais do que nunca, você são responsáveis pela construção do futuro de um monte de gente, por motivar as pessoas pra que elas se sintam capazes e desejosas de melhorar e de fazer o bem. Como as abelhas, que saem colhendo e distribuindo pólen, nós, educadores, temos a missão de colher das pessoas o que elas têm de melhor e de distribuir a paixão pelo conhecimento, pelo respeito e pelos valores de uma sociedade solidária.

Tenho certeza que estou diante de um grupo de educadoras que continuarão pensando grande e valorizarão a ideia de compartilhar oportunidades com e para os outros. Sei que não será fácil. Todas os profissionais, mas principamente os professores, têm imensos desafios no seu dia-a-dia. Temos de entender um pouquinho de tudo: pedagogia, psicologia, administração, informática, teatro, música, artes... Ah, não podemos esquecer de economia, pra fazer milagre com os salários...

Ao mesmo tempo, tenho certeza de que vocês serão brilhantes em suas jornadas. Um grande professor chamado Christian Larson nos deixou algumas dicas que me ajudaram bastante: "Prometa a si mesmo ser tão forte que nada poderá atrapalhar a sua paz de espírito. Procure o lado bom de tudo e faça o seu otimismo se tornar realidade. Pense sempre o melhor, trabalhe sempre para o melhor e espere sempre o melhor. Esqueça os erros passados e planeje os grandes sucessos do futuro. Dedique tanto tempo ao seu próprio crescimento que não terá tempo de criticar os outros. Viva com a crença de que o mundo todo está do seu lado e permaneça verdadeiro e confiante no melhor que há em você!"

Acho que já falei demais, né? Quero encerrar com uma reverência para expressar a minha grande e eterna admiração por esse grupo de pedagogas e agradecendo a todos que ajudaram e continuarão ajudando a fazer dos seus sonhos a nossa realidade. Acreditemos no nosso potencial e no poder transformador da boa educação, sempre! Obrigado a todos pela atenção.

5 comentários:

  1. Que lindo!
    Parabéns aos dois, principalmente a sua mãe que conquistou seu diploma :)

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  2. Que chique! Estou bem orgulhosa do meu filho mais velho por vários motivos, por ter sido o paraninfo do meu curso e de mim, que não desisti e me formei. Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Te amo. Beijos.

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  3. Parabéns Rafael! Eu sou pedagoga e por coincidência hoje eu conversei muito com a minha equipe de professores sobre a importância social da nossa profissão e também nos sonhos e principais conquistas das nossas crianças, e nós profissionais da Educação temos um papel fundamental na alimentação desses sonhos e conquistas...Temos que ACREDITAS na Educação!
    Acesse meu blog: www.blogdotagore.blogspot.com.br

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  4. É muito bom ouvir tais palavras de insentivo e respeito, ainda mais vindo do nosso filho.Já tive tb o prazer de ouvir da minha filha e sei o quanto é bom, dá uma sensação de "missão cumprida com sucesso"!!!!
    Parabéns aos dois!!!

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