24.12.11

Rumo ao pleno desenvolvimento do potencial humano

2011 foi intenso e, como todos os anos, teve coisas maravilhosas e outras nem tanto. Perdemos, entre outros grandes, o Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, que era meu mentor intelectual e uma das pessoas mais humanas e geniais que conheci.

Gostaria de finalizar o ano compartilhando com vocês dois textos. O primeiro deles tinha de ser do Professor Antônio Carlos, sobre a importância da educação de qualidade:

"Todo ser humano nasce com um potencial e tem o direito de desenvolvê-lo.

Para desenvolver o seu potencial as pessoas precisam de oportunidades.

As únicas oportunidades que verdadeiramente desenvolvem o potencial do ser humano são as oportunidades educativas. As demais (saúde, segurança, habitação, transporte etc.) apenas criam condições para isso.

O que uma pessoa se torna ao longo da vida depende das oportunidades que teve e das escolhas que fez.

A educação, portanto, deve preparar as pessoas para fazer escolhas fundamentadas."

Recebi o segundo texto mais recentemente, numa mensagem linda da minha mãe: "A mãe fez três pedidos para seu filho: Faça o melhor que você puder, onde você estiver, com o que você tiver, agora."

Aproveito esse momento para desejar que em 2012 cada um consiga e deseje fazer a sua parte, cada vez melhor, onde estiver e com o que tiver, a todo momento, para que consigamos caminhar mais depressa rumo ao pleno desenvolvimento do potencial humano. Feliz 2012, com mais amor, paz, educação, saúde, justiça e honestidade para todos!

30.11.11

O dia que conheci Rubem Alves

Eu gosto de gente que brilha e que te deixa com vontade de grudar nelas e nunca mais largar. Mas tem uns que ainda conseguem ir além! Que irradiam e que te emocionam, te inspiram, te dão uma alegria gigantesca e instantânea pelo simples fato de estar vivo. Na minha vida eu tive a sorte de conhecer duas pessoas desse último tipo. Uma foi o professor Antônio Carlos Gomes da Costa, que, infelizmente, faleceu no começo desse ano. O outro foi Rubem Alves, que conheci ontem, que me cumprimentou e que fez o dia 29/11/11 um dos mais especiais da minha vida.

Eu sempre gostei dele e, pra ser bem sincero, acho meio difícil ser diferente. Como não gostar de uma pessoa que nos brinda com frases como "Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses"; “A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”; “A esperança é uma droga alucinógena” e “Eu quero desaprender para aprender de novo. Raspar as tintas com que me pintaram. Desencaixotar emoções, recuperar sentidos.”

Aí nos conhecemos ontem, na celebração com diretoras de educação infantil, creches e educação especial e ele me deixou com uma vontade enorme de pelo menos tentar compartilhar com o mundo todo a alegria que senti e a sabedoria que irradiou bem perto de mim.

Por isso resolvi escrever aqui algumas frases que ouvi dele:

“Enquanto vocês trabalharem com crianças, terão a juventudo garantida. Não há nada melhor do que continuar brincando”;

“Quem inventou o nome ‘grade curricular’ deve ter sido um carcereiro desempregado. Que coisa horrorosa!”

“O bom professor não é aquele que dá respostas, mas o que provoca a curiosidade. Ainda vou criar um exército de professores do espanto, aqueles que conseguem causar um novo espanto de curiosidade nas crianças a todo momento”;

“Não temos de fazer muita coisa. As crianças elas mesmas são inteligentes, só temos de ajudá-las”;

"É fácil levar as crianças à escola, mas e aprender? A curiosidade é a sede do intelecto";

E não podia faltar a melhor e mais polêmica. Foi mais ou menos assim: “A inteligência é como o pênis. É isso mesmo que vocês ouviram. Ela é cabisbaixa, preguiçosa, fica olhando pra baixo... Mas com o estímulo certo, ela começa a se animar e daqui a pouco tá viva, vibrante e soltando foguetes!”

kkkk... Viva Rubem Alves! Que o universo nos conceda ainda muitos anos com ele!

12.11.11

Todos pela inovação!

Um artigo meu foi publicado no Correio Braziliense de hoje. Nele, explico a urgência em buscarmos um novo modelo para a educação brasileira no contexto de um mundo com mudanças cada vez maiores e mais constantes. Confira a íntegra do artigo abaixo.

"É difícil prever a dimensão e a complexidade das oportunidades, desafios e mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais que temos à frente. Já somos 7 bilhões de habitantes na Terra, sendo que 1 bilhão passam fome, e em nenhum outro momento da nossa história tanto conhecimento foi gerado e compartilhado. A globalização, a internet e outras tecnologias têm impactado a forma como pensamos, agimos e nos relacionamos. Só em 2010, mais informação foi gerada do que nos 5000 anos anteriores. Até 2020, a quantidade de informações digitais crescerá 44 vezes. Em 2023, quando os alunos que hoje têm 11 anos estarão começando suas carreiras, eles usarão tablets com mais capacidade computacional do que a de um cérebro humano. Em 2050, os jovens terão no bolso aparelhos móveis com mais capacidade do que a de todos os cérebros do planeta, juntos. Diferentemente de seus pais e avós, os alunos de hoje mudarão de emprego mais de 10 vezes antes dos 40 anos e provavelmente exercerão funções que ainda não foram criadas.

Para exercer essas novas funções com competência, lidar com novas tecnologias na produção ética e responsável de riquezas, navegar funcionalmente em um novo mundo, com a responsabilidade de aproveitar oportunidades e enfrentar desafios, nossas crianças e jovens precisam, hoje, de uma formação excepcional. Eles precisarão ter auto-confiança, se adaptar em diferentes contextos, construir relacionamentos rapidamente e virtualmente, utilizar bem sua criatividade nata e empreender. Precisarão compreender suas forças e fraquezas, emocionais e intelectuais, seus direitos e deveres na vida em comunidade e desenvolver suas potencialidades ao máximo. Precisarão ser autônomos e solidários, compreendendo nossos avanços culturais e, ao mesmo tempo, não só tolerando, mas valorizando diferenças.

No entanto, temos algumas fraquezas sérias no nosso país. Por conta de um atraso histórico no nosso desenvolvimento educacional, precisamos melhorar muito a qualidade da nossa educação pública, nosso sistema educacional está completamente ultrapassado e alguns especialistas acreditam que se focarmos no básico e tornarmos o sistema que está aí mais eficiente, teremos sucesso. Mas isso não será suficiente. Nossas salas de aula se parecem com aquelas de 1890, quando os primeiros sistemas de educação pública foram concebidos para impulsionar a era industrial. Na época, a instituição Escola foi planejada como uma fábrica de produzir operários em massa, de forma impessoal, padronizada e estimulando a conformidade. Esse sistema é completamente incongruente com o tipo de escola e de processo de aprendizagem que precisamos. Cada aluno é único e aprenderá mais e melhor se estiver engajado, interessado e motivado. O processo de educar, de desenvolver competências e habilidades, é, essencialmente e inevitavelmente, pessoal, social, acontece num contexto específico, precisa de tempo para assimilação e requer a construção ativa e a associação de ideias.

Ao contrário da crença comum, também temos ventos que sopram a nosso favor. Educadores e especialistas brasileiros já deram dicas de como podemos transformar a escola que temos naquela que queremos e precisamos. O Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, por exemplo, sugeriu que devemos inovar em conteúdo, método e gestão e utilizar o que os brasileiros têm de melhor, como a diversidade, a criatividade e o “rebolado”, em um novo tipo de "pedagogia bossa-nova". A mudança no papel do professor, de conteudista e centralizador para facilitador e arquiteto da aprendizagem, já foi defendida por Paulo Freire e outros. Temos a consciência que nossos alunos já são nativos digitais e que as novas tecnologias podem quebrar as barreiras de tempo e espaço e nos auxiliar na implantação de um processo de aprendizagem mais customizado e personalizado para estilos e necessidades individuais. Experimentos importantes estão acontecendo atualmente não só em outros países, mas também em estados e cidades brasileiras.

É nosso dever moral incentivar essas experiências na busca por uma educação pública de qualidade. Não adianta reformar a casa se queremos, de fato, levar nossos alunos a desenvolverem conhecimentos suficientes para viverem confortavelmente num mundo super-conectado, de mudanças cada vez maiores e mais constantes. Precisamos experimentar, ousar, reconhecer e responder a padrões emergentes. Precisamos de mudanças de ruptura, de novas formas de pensar e agir. Precisamos de uma educação completamente nova para que nossas crianças e jovens consigam assumir um papel protagonista num mundo completamente novo."

Foto retirada daqui: http://www.flickr.com/photos/umpcportal/4581962986/lightbox/ (alguns direitos reservados)

12.10.11

Escolas de Ensino Fundamental II: uma comparação simples entre as intenções da Cidade de Nova York e os Ginásios Cariocas do Rio de Janeiro

No dia 22/09 foi publicado um artigo meu no blog "Educação Nota 10" - uma parceria nossa com o jornal O Globo - fazendo uma comparação sobre os planos do novo Secretário de Educação de Nova York e o que estamos fazendo no Rio de Janeiro.

Em Nova York e no Rio de Janeiro, os educadores parecem concordar sobre os motivos pelos quais os alunos de 6º a 9º anos enfrentam dificuldades de aprendizagem. Adaptando as palavras do Secretário de Educação de Nova York*, os jovens entre 11 e 14 anos passam por mudanças hormonais na transição para e durante a adolescência. Começam a sentir emoções mais fortes e variáveis, podendo ter suas primeiras paixões e decepções amorosas. Deixam o ambiente acolhedor de uma professora (ou tia) para terem vários(as) professores(as). Passam a ser mais um número na lista da chamada, com menos atenção de seus professores. Mais crescidos, têm também menos atenção dos pais e de outros adultos influentes.
Enquanto aqueles com melhor bagagem cultural conseguem se adaptar razoavelmente bem, se tornando mais criativos e autônomos, outros se sentem isolados e ficam mais introvertidos. Lá, como aqui, as escolas do Fundamental II estão repletas de desafios, mas também de oportunidades.
O Secretário Dennis Walcott, que tomou posse recentemente, identificou cinco características de boas escolas novaiorquinas desse segmento:
1)    Elas priorizam o ensino da língua, expondo alunos a tipos variados de textos e livros e lhes ajudando a desenvolver habilidades críticas de compreensão da leitura. Forçam os alunos a escreverem mais do que suas opiniões sobre os textos e pedem que eles desenvolvam argumentos sólidos sobre personagens, temas e debates.
2)    Elas são lideradas por pessoas competentes que criam seus times, elaboram uma missão comum e um plano estratégico a ser implementado em alguns anos. A direção dessas escolas é exigente e tem altas expectativas quanto ao trabalho de professores e alunos, comunicando claramente uma visão para a escola e encorajando o máximo de colaboração entre os educadores.
3)    Elas têm professores que trabalham com união e se responsabilizam pela aprendizagem dos alunos. Para isso, os professores têm oportunidades de discutir o desempenho acadêmico dos alunos e de compartilhar ideias sobre como ajudá-los a melhorar.
4)    Elas criam culturas coesas, ambientes disciplinados e rotinas acadêmicas. Os alunos sabem exatamente que tipo de comportamento é esperado. Valores positivos, o desenvolvimento emocional e o amor pela aprendizagem por toda a vida também são ensinados.
5)    Elas se aproximam bastante de seus alunos e trabalham em parceria com as famílias. Os alunos podem chegar de escolas diferentes, não conhecem os professores e não se sentem “em casa”. Há, com frequência, o entendimento de que esses anos são apenas um período de transição entre a infância e o período adulto e as famílias não precisam estar tão próximas da vida dos alunos. As melhores escolas fazem todo o possível para criar uma conexão com as famílias. Em algumas, os professores fazem visitas antes do começo do ano. Em outras, há várias reuniões para familiares, quando os próprios alunos lideram as discussões e cobram a participação de seus pais.
Clique AQUI para ler o resto do artigo.

18.9.11

Educadores aprovam utilização de games em sala de aula

No último dia 15, o jornal Valor Econômico publicou um artigo sobre a utilização de jogos digitais na educação e incluiu a minha opinião sobre o assunto: 

"O desenho dessas iniciativas não se restringe aos colégios particulares. No Rio de Janeiro, das 1.064 escolas da rede municipal, 410 contam com um programa pedagógico aliado a tecnologias e jogos digitais, batizado de Educopedia. Nas séries iniciais do ensino fundamental o uso é interativo, com a mistura de animações e games que ajudam as crianças a fazer operações básicas de matemática, montar sílabas e até rimar.

Rafael Parente, da área de projetos estratégicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio, conta que as notas das provas bimestrais das escolas que utilizam o Educopedia são, em média, de 10% a 20% superiores às do resto da rede. "Devemos usar os jogos para a aprendizagem porque é a maneira mais fácil de ensinar, por reunir motivação e atrair o interesse da criança e do jovem para o aprendizado. Estamos fazendo forte campanha para convencer os professores mais resistentes para que o Educopedia seja totalmente difundido na rede", diz Parente."

Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI.

4.7.11

Apresentações e vídeos do #Descolagem

E sábado foi mais um grande dia! Minha palestra mais importante até hoje. Afinal, não é fácil lidar com a pressão de ser 1 de 4 palestrantes sabendo que os outros são Zach Lieberman, Daito Manabe e Henry Jenkins... Comecei minha fala bem nervoso, mas consegui ficar mais espontâneo e quebrar o gelo do público super especializado e crítico do #Descolagem com o tempo. Recebi um monte de feedbacks super positivos, alcancei meu objetivo de não fazer feio em comparação aos outros palestrantes e estou suuuper feliz.

Como prometido, começo com esse post a publicação do material da palestra. Fico devendo a primeira animação, sobre nossa "conecto-dependência". Podem usar e abusar do material e não precisam pedir a minha permissão.

Animação "Um breve histórico da nossa Conecto-Dependência"

Vídeo "Educopédia"

Vídeo "Conecte-se por 1 futuro melhor"

Apresentações:
http://goo.gl/BxGTA
http://goo.gl/a7bBD
http://goo.gl/iz6f9
http://goo.gl/Hvyhu

21.6.11

Descolagem #7: Henry Jenkins, Zach Lieberman, Daito Manabe e eu!!!

Nos próximos dias 2 e 3 de julho o Descolagem, projeto criado por este blogueiro em parceria com o instituto Oi Futuro e que acontece no NAVE – Núcleo Avançado em Educação, volta com força total: no primeiro dia, vamos abordar como a tecnologia está revolucionando os processos de compartilhamento do conhecimento. No segundo dia haverá uma série de workshops, os Descoshops, com temas como arte interativa, games, mashups e programação, entre outros assuntos.

O surgimento de tecnologias e dispositivos digitais e a rápida expansão do acesso à internet estão impactando, de maneira sem precedentes, o modo como transmitimos e compartilhamos o conhecimento na sociedade – seja nas escolas, em casa ou nas empresas. No sábado, primeiro dia do Descolagem #7, que tem como título As novas conexões do saber, convidamos o professor e pensadorHenry Jenkins, o professor, pesquisador e artista eletrônico Zach Lieberman, o DJ, pesquisador e artista interativo Daito Manabe, e o educador e pesquisadorRafael Parente para refletirem sobre todas essas mudanças. 

Jenkins e Lieberman são os convidados especiais desta edição pela contribuição que ambos têm dado sobre estes assuntos em seus trabalhos. Lieberman mostrará como o compartilhamento de pesquisas e técnicas podem acelerar evolução da tecnologia e, ao final do evento, Jenkins fará uma apresentação especial e inédita sobre o tema do Descolagem. Ele vem ao NAVE numa parceria da produção com a empresa de transmedia storytelling Os Alquimistas, da qual é conselheiro. 

Na ocasião, será inaugurada também a EXPO_NAVE_2011, uma exposição com trabalhos interativos de Zach, Daito e outros artistas de várias partes do mundo.

O encontro contará com transmissão ao vivo pela internet, na página Oi Futuro (www.oifuturo.org.br), a partir das 15h.

No domingo, dia 3, haverá uma série de Descoshops: workshops que serão ministrados nas salas e laboratórios do NAVE sobre temas como arte interativa, games, mashups e programação, entre outros assuntos. Saiba como se inscrever no Descolagem e nosDescoshops no serviço mais abaixo. As vagas são limitadas.

Veja mais: http://oglobo.globo.com/blogs/largman/

20.6.11

O Professor como Arquiteto da Aprendizagem


Não é de hoje que grandes pensadores da educação sugerem que os educadores devem abandonar o papel de detentores do conhecimento e centralizadores da atenção nas aulas por uma postura mediadora, que favoreça uma aprendizagem colaborativa, centrada nas necessidades dos alunos. Paulo Freire criticou a “educação bancária” e recomendou uma “educação libertadora” que utilizasse e desenvolvesse a consciência crítica do educador e do educando. Para Moacir Gadotti, o professor deixaria de ser um lecionador e se tornaria um mediador do conhecimento, organizando a aprendizagem. Antônio Carlos Gomes da Costa citou uma metáfora de Peter Senge para explicar que a organização da aprendizagem precisa deixar o modelo de máquina e se transformar no modelo do jardim e do jardineiro, com relações marcadas pelo cuidado, pelo apreço e dedicação à vida de todos e cada um. Com a entrada das novas tecnologias nas escolas públicas e ao contrário do que muitos imaginam, essa mudança pode estar acontecendo.

Pesquisas recentemente realizadas indicam que a maioria dos professores das rede municipal do Rio de Janeiro não mais descarta o computador e a internet como modismos, deseja capacitações frequentes para melhorar seu trabalho com as novas tecnologias e sente-se motivada e receptiva para repensar suas práticas pedagógicas. A pesquisa “Megafone na Escola”, do Instituto Desiderata, concluiu que alunos e professores desejam ter mais computadores, internet e novas tecnologias nas escolas e acreditam que novas tecnologias e novas mídias são elementos essenciais para que “a escola se torne um lugar melhor para estudar e ensinar” e para que as aulas “fiquem melhores”. Uma outra pesquisa, realizada pelo Instituto Oi Futuro e a Secretaria Municipal de Educação, com o apoio do Ibope e do Instituto Paulo Montenegro, apresentou resultados ainda mais surpreendentes. Foram aplicados mais de 35 mil questionários para alunos, professores e diretores, com o objetivo de compreender o relacionamento desses três públicos com as novas tecnologias. As conclusões mais interessantes foram:

- A maioria absoluta dos três públicos (mais de 80% em cada) acredita que as novas tecnologias podem contribuir bastante para a aprendizagem;

- Professores e diretores consideram que capacitações relacionadas à utilização das novas tecnologias são as mais importantes para sua atuação profissional. Em segundo lugar, os professores optaram por capacitações voltadas para a integração de tecnologias às aulas e diretores desejam aquelas voltadas para gestão escolar;

- Os três públicos acreditam na necessidade da utilização das novas tecnologias para o desenvolvimento educacional. Para os alunos, as novas tecnologias os mantêm conectados ao seu mundo, aumentam seu conhecimento e sua autoestima; Para professores, elas são o canal para o conhecimento e para o mundo globalizado; Diretores concordam com os professores e creem que as novas tecnologias também têm o poder de democratizar o acesso à informação, estimulando a participação cidadã;

- 75% dos alunos da rede já têm computadores em casa, 66% deles acessam a internet diariamente de suas casas e menos de 20% ainda dependem de lan houses;

- A utilização de novas tecnologias por professores e diretores para compartilhar práticas ou soluções com colegas e para se conectarem aos alunos e familiares criando uma extensão do ambiente educacional ainda precisa de estímulos;

- Com relação ao conforto na utilização, como previsto, alunos dizem saber utilizar muito mais ferramentas do que professores e diretores e todos os públicos expressam o desejo de participarem de cursos com essa finalidade nas unidades de ensino;

- Mais de 60% de professores e diretores concordam totalmente (cerca de 15%) ou parcialmente (cerca de 45%) que atualmente as novas tecnologias vencem os livros como principal fonte de informação; No caso dos alunos, 45% deles concordam totalmente e 32% concordam parcialmente que a internet é uma melhor fonte de informações do que os livros.

Atenta aos resultados dessas pesquisas que comprovam mudanças na mentalidade e nas expectativas de professores e alunos, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro está investindo na infraestrutura e manutenção das escolas, planejando cursos de capacitação para professores e gestores e remodelando metodologias, sistemas e práticas, sempre em parceria com o Ministério da Educação, institutos, fundações e empresas. Nossos professores ajudaram a criar e avaliar a utilização da Educopédia, uma plataforma colaborativa de aulas digitais que tem o mesmo peso que apostilas e livros didáticos nas salas de aula. Nessa avaliação, pesquisadores de universidades cariocas descobriram, por exemplo, que a grande maioria dos alunos acha que a plataforma facilita a compreensão dos conceitos, que ajuda no estudo para provas bimestrais e que as aulas ficaram mais interessantes, enquanto somente 9% dos professores acreditam que essa nova ferramenta não teve um impacto positivo na participação e motivação dos alunos. Os resultados de todas essas pesquisas estão à disposição para pesquisadores e para o público em geral.

O impacto das novas tecnologias já é uma realidade na vida de alunos e professores. Avaliar o que os melhores sistemas de educação do mundo fizeram no século passado sem uma análise prévia e cuidadosa desse impacto pode ser um grande erro. Nossas pesquisas em campo comprovam que o professor da cidade do Rio de Janeiro já está reavaliando a sua postura em sala de aula, com o desejo de se tornar um mediador e de aprender junto com os alunos. O investimento em novas ferramentas e procedimentos relacionados às novas tecnologias precisa fazer parte do planejamento estratégico de todos os governos se queremos, de fato, dar um salto na qualidade da educação pública no nosso país. Os educadores e alunos cariocas já sabem disso e estão ávidos por novidades. A preferência é que elas cheguem via Twitter, jogos virtuais e tablets.