23.12.12

2013!


O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos _Eleanor Roosevelt

O ano de 2012 foi incrível!
Em 2013, eu desejo que tenhamos muitos sorrisos sinceros, gargalhadas, carinho, trabalhos apaixonados, sonhos antigos realizados e novos sonhos realizáveis.
Desejo, principalmente, que cada um de nós acredite na beleza de nossos sonhos e que nunca abra mão deles.

Boas festas e um 2013 MA-RA-VI-LHO-SO pra todo mundo!!!


19.12.12

Orgulho que não tem fim - a missão

Sempre digo que me sinto muito abençoado, principalmente pela chance de passar por essa vida com pessoas tão especiais - e digo isso me referindo tanto à minha família biológica quanto à minha família escolhida, os meus amigos. Mas algo que me faz agradecer com muita frequência mesmo é o fato de ter os pais que tenho. Já escrevi aqui o quanto admiro a minha mãe e, dessa vez, escrevo sobre o quanto me sinto orgulhoso e abençoado por ter o pai que tenho. Um exemplo de integridade, de pessoa batalhadora e honesta que começou como concursado do Banco do Brasil em Brasília nos anos 70 e se tornou um dos grandes líderes do nosso país, sempre carregando e demonstrando valores sólidos. Ele está da lista dos 100 brasileiros mais influentes da Revista Época, onde estão também a  Secretária Claudia Costin e o Prefeito Eduardo Paes.

Paizão, eu te amo. Muito obrigado por tudo que você fez e faz por mim. Obrigado, principalmente, por você ter investido tempo de qualidade e recursos na minha educação e me mostrado o que é ser um grande homem. 


 

14.12.12

Boas vindas ao GENTE

Escrevi esse texto para dar boas vindas aos Professores do GENTE :)

O que mais faz a diferença em toda e qualquer ação intrinsecamente humana é GENTE. Não importa o quanto as novas tecnologias avancem, isso nunca vai mudar. GENTE que carrega sonhos, valores, visões, características únicas em seu DNA e que continua gerando linguagens e culturas num mundo a cada dia mais multíplice. GENTE que se relaciona, se conecta nos mundos real e virtual, em redes sociais da internet, da escola, da praia ou do bairro para a criação e recriação de visões de si, do meio, do todo e dos mistérios que envolvem a nossa existência.

Na educação não poderia ser diferente. “O importante é o que importa”, nos ensinou um querido Educador*. E nada é mais importante na educação (ou na vida) do que o relacionar-se. As relações entre professores e alunos, entre pupilos e mestres, impregnam suas trajetórias de sentido. Sem elas é impossível se imaginar o desenvolvimento pleno de um ser humano em todas as suas dimensões e com todo o seu potencial. Não se pode SER sem o outro.

A partir desse momento, vocês estão participando de um sonho: a invenção de um novo modelo de Escola onde GENTE sempre estará em primeiro lugar. Nela, as relações humanas são priorizadas, respeitadas e compreendidas em toda a sua totalidade. A paixão, a emoção e o brilho nos olhos serão os principais ingredientes da receita para futuros melhores e para uma educação mais humana.  As novas tecnologias serão utilizadas para aproximar e encantar e não para distanciar ou dividir. Esse modelo nunca estará completamente pronto porque, assim como as pessoas, será constantemente recriado para dar conta de novos desafios.

Como em todo grande sonho, essa realização não será fácil. Teremos várias barreiras a ultrapassar, imprevistos, problemas de última hora e possivelmente alguns nos dirão que não é certo, não conseguiremos, é impossível... O fato é que nunca saberemos se não tentarmos. Se juntarmos tudo o que carregamos conosco de melhor, não haverá obstáculo intransponível.


*Professor Antônio Carlos Gomes da Costa - uma das pessoas mais GENTE que tive o prazer de conhecer.


12.12.12

TEDx Unisinos 2012

Já tá online o vídeo da minha apresentação no TEDx Unisinos 2012 sobre a Educopédia e o GENTE! :))) O que acharam?



4.12.12

Mais novidades da Educopédia

As novidades da Educopédia não param de chegar e a minha felicidade só aumenta!

1) Ela vai receber o prêmio Barão de Mauá, da Associação do Comércio do Rio de Janeiro.

2) No ano que vem vamos pilotar o SIGA (Sistema Inteligente de Gestão da Aprendizagem), que nos auxiliará a personalizar o processo de aprendizagem de cada aluno e o EDUCOMUNDO, uma mistura de rede social e gincana. Veja mais detalhes aqui.

3) Algumas avaliações internas e externas estão sendo feitas e os primeiros resultados são bem animadores. Organizamos os resultados de uma pesquisa interna nesse infográfico:


4) A OEA (Organização dos Estados Americanos) nos convidou para apresentar a Educopédia para todos os Ministros de Educação das Américas e para ajudarmos a criar a EDUCOPÉDIA HAITI! É bem possível que professores daquele país venham ser treinados por nossos professores e que comecemos em breve um esquema de intercâmbio, com alguns professores também indo lá.

26.11.12

Carta de apoio ao trabalho da Secretária Claudia Costin

Um grupo de lideranças de diversas áreas criou e assina a seguinte carta de apoio ao trabalho da Secretária Claudia Costin à frente da Secretaria Municipal de Educação na cidade do Rio de Janeiro

Se você também deseja participar desse movimento de apoio, assine aqui: http://www.euconcordo.com/peticao/314/apoioclaudiacostin/

Depois do convite do Ministro Mercadante para que a Secretária Claudia Costin assumisse a Secretaria de Educação Básica do MEC, alguns acadêmicos decidiram publicar um texto com críticas que revelam não só desconhecerem o trabalho que vem sendo feito na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro nos últimos anos, mas também uma postura de oposição aos esforços do governo federal e da maioria dos estados brasileiros de romper a barreira do analfabetismo funcional, da desorganização e da desmoralização da escola pública, provocando danos irreparáveis às nossas crianças e jovens e ao desenvolvimento humano, social e econômico do país. A Secretária Claudia Costin e sua equipe têm tido o apoio irrestrito do Prefeito Eduardo Paes e têm feito um trabalho técnico, de qualidade e com resultados inquestionáveis.

Ao anunciar o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, a Presidenta Dilma Rousseff fez questão de enfatizar a importância da avaliação do processo de aprendizagem, afirmando que "não há como aferir se as crianças estão seguindo um ciclo de alfabetização efetivo sem avaliar. E não há como fazer isso sem fazer testes objetivos. Principalmente, se quisermos evitar que as crianças cheguem à 5ª série sem conseguir dominar a leitura e as operações matemáticas simples". E prossegue a Presidenta: "Por isso, se quisermos saber se as crianças estão aprendendo, se precisam de apoio em algum conteúdo específico, se o nosso material didático e os métodos são adequados, se o professor e a escola estão cumprindo suas tarefas, nós vamos precisar avaliar. Precisamos avaliar a partir de parâmetros nacionais e sistematicamente, e precisamos fazer isso logo agora, e faremos a partir de 2013. Vamos também premiar o mérito. Premiar o que está dando certo. Professores e escolas que se destacarem, que conseguirem alcançar os melhores resultados receberão prêmios".

É esta linha, exatamente, que a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro vem seguindo na gestão de Claudia Costin. A Secretária Claudia Costin liderou a discussão para a criação de orientações curriculares mínimas claras, com a participação dos professores da rede e comunidades escolares. Essas orientações curriculares são constantemente revisadas pelos professores em reuniões nas escolas. Há vários canais de diálogo, como visitas, reuniões com conselhos de diretores, professores, pais, alunos e virtualmente, por meio das redes sociais e mensagens eletrônicas. A partir dessas orientações curriculares, materiais impressos e digitais foram criados para apoiar o trabalho do professor, que pode decidir utilizá-los ou não em seus planejamentos, complementando a utilização de outros recursos como livros didáticos e vídeos. Avaliações verificam o processo de aprendizagem e que escolas precisam ser auxiliadas por outras escolas com contextos semelhantes e que conseguem atingir bons resultados.

Como acontece em muitas redes de educação pública municipais e estaduais, a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro conta com parcerias para realfabetizar os alunos que não foram alfabetizados na idade correta, acelerar alunos em defasagem idade-série e reforçar a aprendizagem dos alunos que precisam de mais ajuda por uma série de fatores, como o contexto socioeconômico ou a baixa escolaridade dos pais. As metodologias adotadas são as aprovadas e recomendadas pelo Ministério da Educação, com base no seu cadastro de tecnologias educacionais certificadas. Hoje a sociedade brasileira se mobiliza cada vez mais para apoiar a educação, nenhuma secretaria pode dar conta sozinha da imensa tarefa que tem pela frente de melhorar as condições de estudo de seus alunos, e a política da Secretaria Municipal tem sido a de buscar sempre todos os apoios de qualidade que consegue identificar.

Um dos pontos fortes do trabalho da equipe da SME Rio tem sido a atenção especial que tem dado a crianças e jovens historicamente abandonados e que não exerciam o direito de educação pública de qualidade. O Programa Escolas do Amanhã é hoje reconhecido nacional e internacionalmente por diminuir as taxas de reprovação e abandono e melhorar a aprendizagem em escolas situadas em áreas conflagradas. Um exemplo é que o crescimento do Ideb nos Anos Finais nessas escolas foi de 33%. A criação de vagas em creches é o maior da história da cidade. Para essas vagas, os alunos de classes econômicas mais desfavorecidas são priorizados.

Liderando a educação carioca, a Secretária Claudia Costin ousou experimentar novas formas de aprender, utilizando ferramentas digitais e a personalização do ensino para estilos e necessidades diversas, com escolas experimentais (algumas vocacionadas), apostando no papel do professor como aquele que assegura a educação de qualidade para todos e não somente para alguns. Sempre com um foco claro na melhoria da aprendizagem, as escolas estimulam o protagonismo juvenil, a educação para valores, a construção de um projeto de vida e a formação de cidadãos autônomos, solidários e competentes, de acordo com os objetivos da educação pública preconizados em nossas leis.

Os resultados do trabalho realizado demonstram que os alunos cariocas estão aprendendo mais. As notas melhoram em todos os níveis, da alfabetização ao 9º ano. Enquanto em nível nacional o Ideb para os Anos Finais avançou pouco entre 2009 e 2011, por exemplo, as escolas cariocas avançaram 22%. Alunos e famílias estão mais satisfeitos com a educação pública. Crianças e jovens do Rio de Janeiro podem avançar no desenvolvimento de suas potencialidades e estarão muito mais bem preparados para batalharem por seus sonhos. O Brasil tem muito a ganhar se conseguir se beneficiar destas experiências que precisam se multiplicar. Ainda há bastante a ser feito, mas a educação carioca é um exemplo a ser seguido. Apoiamos o trabalho que a Secretária Claudia Costin e sua equipe vêm fazendo, com o apoio do Prefeito Eduardo Paes, e estamos felizes que ela tenha decidido permanecer à frente da Secretaria Municipal de Educação para dar continuidade às ações.

Alessandra Sayão
Alexandre Schneider
Alycia Gaspar
André Nakamura
Andreas Mirow
Armínio Fraga
Beatriz Novaes
Claudio de Moura Castro
Denis Mizne
Edmar Bacha
Fernando Augusto Adeodato Veloso
Fernando Barbosa
Françoise Trapenard
Gustavo Marini
Helena Bomeny
Iza Locatelli
Lilian Nasser
Luis Antonio de Almeida Braga
Luiz Chrysostomo
Luiz Otávio Neves de Mattos
Magda Soares
Maíra Pimentel
Maria Helena Guimaraes de Castro
Maria Ines Fini
Maria Teresa Tedesco
Mary Grace Andrioli
Monica Baumgarten de Bolle
Naercio Aquino Menezes Filho
Nilma Fontanive
Olavo Monteiro de Carvalho
Paulo Ferraz
Pedro Malan
Pedro Vilares
Pilar Lacerda
Priscila Cruz
Rafael Parente
Ricardo Henriques
Ruben Klein
Samara Werner
Sergio Besserman
Sergio Guimarães Ferreira
Simon Schwartzman
Tomas Tomislav Antonin Zinner
Walter de Mattos Jr
Wanda Engel
Wilson Risolia

20.9.12

Lançamento da Rede Pense Livre

Na última 3a feira, 18/09, foi lançada a Rede Pense Livre, por uma política de drogas que funcione. Eu decidi participar não só da rede, mas da coordenação do movimento. 

Batalhar por uma política de drogas que funcione é uma causa justa, correta e urgente.

O país que queremos deve combater preconceitos, mitos, posturas e discursos hipócritas ou radicais para buscar compreender profundamente a complexidade 

da realidade e dos problemas, porque só assim estaremos preparados para criar soluções eficientes.

O país que queremos precisa acreditar no poder transformador da educação. A educação pública de qualidade, mais do que qualquer outra coisa, transformará as pessoas e a sociedade para melhor. Devemos abandonar a crença de que proibições e punições são positivas na formação de nossas crianças e jovens. Com o exemplo, o diálogo, a aproximação, a orientação e o conhecimento, conseguiremos cumprir os objetivos da educação pública descritos em nossas leis: a formação integral do humano, em todas as suas dimensões, a preparação para exercer com competência uma profissão e o desenvolvimento do comportamento cidadão.

O país que queremos deve investir nas melhores políticas públicas para o bem estar de nossas crianças e jovens. Essas políticas precisam estar baseadas em boas práticas, em conclusões científicas e no respeito à história e cultura do nosso país. Essas políticas devem, essencialmente, gerar hábitos e processos justos, corretos e eficientes.

Tenho convicção de que não é isso o que ocorre hoje, conheço de perto o poder de transformação da boa educação e, por isso, faço parte dessa Rede.




Missão: http://oesquema.com.br/penselivre/2012/09/13/missao-da-rede-pense-livre.htm
Blog: http://oesquema.com.br/penselivre/
Twitter: https://twitter.com/RedePenseLivre
Facebook: https://www.facebook.com/penselivre?ref=stream

Lançamento da Rede em São Paulo

21.8.12

GENTE: a Reinvenção da Escola

Artigo publicado primeiramente no Portal Rioeduca em 13/8/12


A globalização, a internet e outras tecnologias têm impactado a forma como pensamos, agimos e nos relacionamos. Só em 2010, mais informação foi gerada do que nos 5000 anos anteriores. Até 2020, a quantidade de informações digitais crescerá 44 vezes. Diferentemente de seus pais e avós, os alunos de hoje mudarão de emprego mais de 10 vezes antes dos 40 anos e provavelmente exercerão funções que ainda não foram criadas.

Para exercer essas novas funções com competência, lidar com novas tecnologias na produção ética e responsável de riquezas, navegar funcionalmente em um novo mundo, com a responsabilidade de aproveitar oportunidades e enfrentar desafios, nossas crianças e jovens precisam ter, hoje, uma formação excepcional. Eles precisarão ter auto-confiança, se adaptar em diferentes contextos, construir relacionamentos rapidamente e virtualmente, utilizar bem sua criatividade nata e empreender. Precisarão compreender suas forças e fraquezas, emocionais e intelectuais, seus direitos e deveres na vida em comunidade e desenvolver suas potencialidades ao máximo. Precisarão ser autônomos e solidários, compreendendo nossos avanços culturais e, ao mesmo tempo, não só tolerando, mas valorizando diferenças.

No entanto, tivemos um atraso histórico no nosso desenvolvimento educacional e nossos sistemas educacionais estão completamente ultrapassados. Nossas salas de aula se parecem com aquelas de 1890, quando os primeiros sistemas de educação pública do mundo foram concebidos para impulsionar a era industrial. Na época, a instituição Escola foi planejada como uma fábrica de produzir operários em massa, de forma impessoal, padronizada e estimulando a conformidade. Esse sistema é completamente incongruente com o tipo de escola e de processo de aprendizagem que precisamos. Cada aluno é único e aprenderá mais e melhor se estiver engajado, interessado e motivado. O processo de educar, de desenvolver competências e habilidades, é, essencialmente e inevitavelmente, pessoal, social, acontece num contexto específico, precisa de tempo para assimilação e requer a construção ativa e a associação de ideias.

Vejam o infográfico no final desta postagem e o vídeo abaixo para entender como as novas tecnologias já estão modificando a educação pelo mundo.


Com esse contexto em mente e levando em consideração nossos avanços tecnológicos e nas neurociências, decidimos começar um debate que leve à reinvenção da Escola com o GENTE - Ginásio Experimental das Novas Tecnologias Educacionais. O objetivo é chegar a um modelo que coloque o aluno no centro do processo de aprendizagem, se aproprie integralmente das novas tecnologias educacionais e que possa ganhar escala.

Algumas propostas iniciais são:


1) Acabar com a separação por anos, turmas, salas de aula e o conceito da repetência. Não faz sentido ter um grupo de pessoas completamente diferentes numa mesma sala e esperar que todos consigam ter uma formação semelhante, como também não faz sentido reprovar crianças e jovens e fazê-los rever todas as aulas e todos os conteúdos. Cada aluno teria o seu itinerário formativo e saberia exatamente as habilidades que já desenvolveu e as que ainda precisa desenvolver. No lugar de salas de aula com carteiras, haverão grandes espaços com mesas para grupos, sofás e tapetes.

2) Tablets, smartphones e a Educopédia substituirão livros e cadernos. O conteúdo, as habilidades e as competências serão desenvolvidos nas aulas digitais. As provas serão aplicadas pela Máquina de Testes, a correção será automática e os resultados serão imediatos. Além das competências cognitivas, também desenvolveremos e avaliaremos as competências não cognitivas.

3) O professor terá um novo papel, o de arquiteto que garante a personalização do processo de aprendizagem e que nenhum aluno está sendo deixado para trás. O professor também será o mentor de um grupo de alunos e o orientador de projetos transdisciplinares.

4) Os alunos participarão de atividades individuais ou em grupos pequenos, de acordo com seu desempenho acadêmico, sua responsabilidade e sua autonomia. De acordo com o nível de autonomia e responsabilidade, eles poderão fazer mais ou menos opções, inclusive de que ou quantas aulas relacionadas às disciplinas participarão, quantas eletivas e quantos clubes.

5) A máquina de testes será um sistema de avaliação dos alunos que cobrirá, a médio prazo, todas as disciplinas, de 1º a 9º ano. Em fevereiro de 2013, o sistema já terá provas de Português, Matemática e Ciências, do 5º ao 9º anos. Por meio de um banco de questões, preparadas por cerca de 100 professores da rede municipal, os alunos farão provas em ambiente digital. Todas as questões aplicadas pelo computador serão de múltipla escolha, gerando um resultado imediato. O sistema será usado para as avaliações bimestrais, que servem como base para o acompanhamento do desempenho das escolas municipais. Os alunos do GENTE usarão a máquina de testes frequentemente, ao final de cada aula da Educopédia. Avaliações diagnósticas, auto-avaliações de competências e habilidades não-cognitivas também serão realizadas nela.

6) Projetos transdisciplinares serão desenvolvidos pelos alunos semestralmente a partir de uma situação-problema ou uma pergunta para digestão e aplicação do conhecimento. Serão uma forma de educação “hands on” relacionada a áreas diversas. Nesses projetos, os alunos terão de analisar dados reais, trabalhar em grupos pré-definidos e atuar como agentes transformadores de suas realidades.

Há, no momento, 13 instituições parceiras apoiando o projeto. Elas são: Ensina!, Fundação Lemann, Fundação Telefônica, Infoglobo, Intel, Instituto Ayrton Senna, Instituto Conecta, Instituto Natura, Microsoft, MSTech, Tamboro e UNESCO. Todos os diretores, professores e alunos (de 7o a 9o anos) estão convidados a contribuir com suas opiniões para esse processo de co-criação de um novo conceito de escola.

Sugestões podem ser dadas nos comentários ou no grupo do GENTE no Facebook




24.4.12

O Gustavo clicou e respondeu!

O Gustavo Ioschpe me enviou um email respondendo as críticas que fiz ao seu artigo na Veja. Para ele:
- A maioria das pesquisas que enviei não são confiáveis e a maioria das pesquisas sérias dizem que não há relação entre a integração de novas tecnologias nas escolas e a melhoria de aprendizagem;
- Não se deve investir em TICs como política pública, mas as pesquisas na área devem continuar;
- A minha interpretação das pesquisas é contaminada pela minha paixão pela área;
- A minha interpretação do texto escrito por ele é equivocada em alguns pontos e exagerada em outros;
- O modelo do bom professor de hoje não deve ser muito diferente de um modelo de vários séculos atrás;
- Aceitou o convite para ver o que estamos fazendo no Rio, mas essa experiência não mudará em nada sua opinião.

Eu fiquei feliz com a resposta dele, mesmo que continue discordando bastante. Sou realmente apaixonado pela área, convicto da necessidade de inovarmos para melhorarmos o processo da aprendizagem e que estamos no caminho certo aqui no Rio (muito em breve teremos vários resultados de pesquisas externas). Isso não significa que eu não tenha uma postura crítica e um olhar científico para o tema. Não há como se fazer pesquisa se não houver política pública. Assim como nossos resultados educacionais precisam melhorar, o conceito de escola e a ideia do processo de aprendizagem também. Que o debate continue! :]

E aí vai o texto completo do email:

"Rafael, tudo bem? Desculpe a demora na resposta, o acúmulo de trabalho tá enorme.

Dei uma lida nos papers que você menciona abaixo. Não alteram a minha percepção sobre o resultado geral da pesquisa sobre o tema de ICT em educação. Alguns deles são estudos de ONGs que investem no assunto, outros de think tanks, outros ligados a governos que estão implementando programas de ICT em suas escolas, poucos são de pesquisadores que publicaram seus achados em revistas acadêmicas com peer-review. É uma análise com viés, portanto. Quando você olha pra um resumo da literatura acadêmica, neutra, sobre o assunto, o resultado que emerge – e citado inclusive por alguns dos papers abaixo, como o do infoDev 2005, que escreve “The most pronounced finding of empirical studies on ICT impact is that there is no consistent relationship between the mere availability or use of ICT and student learning.” – é de que não há relação entre o uso de ICT e a melhoria de desempenho acadêmico do alunado. Um dos lit reviews que eu usei pra escrever o artigo na Veja, do mesmo infoDev que você cita abaixo, inclui mais de 100 trabalhos sobre o assunto e chega a conclusões sobre a inexistência dessa relação (vide anexo). O resultado é tanto mais confiável porque publicado por instituição ligada ao Banco Mundial, que investe bastante em ICT e teria até um viés positivo em relação ao tema.
Mais especificamente, todos os estudos que pude encontrar a respeito do tema para países da América Latina e do Brasil são unânimes em apontar o fracasso de programas de ICT ou posse de computadores na melhoria do desempenho acadêmico de alunos. Alguns até apontam haver uma relação negativa e estatisticamente significativa.
Então, sigo acreditando que uma leitura neutra da literatura a respeito não recomenda a adoção de programas de ICT em larga escala como ferramenta para melhorar a qualidade do ensino.

Dito isso, algumas considerações.

A primeira é que o uso de ICTs pode ter outros impactos positivos sobre os alunos, em questões como motivação e até em conhecimento de informática, que não são capturados por testes que medem proficiência acadêmica. Aí é uma questão política e não técnica, que remete ao que queremos de nossas escolas. Pessoalmente, eu acho que no Brasil a prioridade zero – e um, dois e três – dado o baixíssimo desempenho acadêmico de nossos alunos, é de melhorar essas capacidades. Se o aumento da motivação de alunos e professores não se traduz em mais aprendizado, pra mim é irrelevante.

A segunda é que o fato de a pesquisa histórica demonstrar a falta de impacto de uma variável sobre o aprendizado não significa que aquela área não possa trazer bons resultados no futuro. Especialmente em uma área que sofre mudanças e aperfeiçoamentos constantes, como no caso de ICT. Portanto, eu não defenderia que se encerrassem as pesquisas sobre o assunto simplesmente porque até agora não se chegou a um modelo que funciona. Acho que a área é promissora que chega pra que continuemos tentando. Mas acho, sim, que o fracasso de muitas tentativas faz com que essas não devessem se transformar em política pública. Distribuir tablets e laptops pra alunos é algo que já foi testado e não deu resultado. Não acho correta, portanto, a ação do MEC nesse sentido. Mesma coisa com lousas digitais. Acho inadmissível o governo de SP gastar R$ 5,5 bilhões em um programa em que há bastante evidência contrária. Agora em Pernambuco parece que vão equipar as salas de aula com projetores 3D. Daqui a pouco as aulas serão em salas de cinema. Isso me parece criticável e condenável. Não é sério.
Minha posição em relação a ICT é a mesma que em relação a todas as demais variáveis que impactam ou podem impactar o aprendizado: quando houver um consenso da literatura acadêmica (e por consenso eu diria pelo menos uma meia dúzia de estudos em veículos peer-reviewed) mostrando que a variável X impacta positivamente o aprendizado, ela deve ser aplicada em larga escala, via política pública. Se a pesquisa estiver dividida ou o assunto for promissor, projetos-piloto e testes em pequena escala devem ser desenvolvidos, mas a variável não deve embasar políticas públicas de grandes áreas. E se houver consenso na literatura sobre a falta de efeito de uma variável, sua implementação como política pública deveria ser “proibida”, por ser um desperdício de tempo e dinheiro.

Desconheço o programa de ICT do Rio, não sei quanto é gasto em termos de dinheiro e tempo, nem se há algum estudo imparcial de medição do seu impacto, então não vai aqui uma crítica específica ao trabalho de vocês.

Sobre alguns outros pontos do texto no teu blog, respondo pontualmente abaixo, copiando e colando.

O texto simplifica enormemente a discussão de uma área complexa por natureza, generaliza diversas iniciativas nesse setor e utiliza posições radicais e ultraconservadoras possivelmente com o propósito de perseguir uma agenda

Sim, é claro que o texto simplifica a discussão. Nem poderia ser diferente, em se tratando de uma área de pesquisa de trinta anos resumida em artigo de duas páginas. Mas continuo achando que a minha leitura da pesquisa está correta e a tua, contaminada por “wishful thinking” de quem é practitioner do setor e não um observador desapaixonado. Não sei quais são as posições “radicais e ultraconservadoras” a que você se refere. Só rejeito categoricamente a insinuação de que meu texto  tem “possivelmente o propósito de perseguir uma agenda”. Isso é acusação de desonestidade intelectual, coisa que eu não pratico. Minha agenda é a melhoria da qualidade da educação brasileira, e só ela. Se eu defendesse a adoção de tecnologias em larga escala você até poderia fazer essa acusação, mas ao pregar a cautela na sua utilização fica difícil de imaginar qual a agenda que eu estaria perseguindo e quais os interesses que estaria defendendo. Certamente todas as empresas de ICT não ficaram satisfeitas com o meu artigo, e não vejo exatamente quem se beneficiou dele.

1)       Os laboratórios de informática começaram a surgir há quase duas décadas nas escolas públicas e privadas brasileiras, mas o propósito nunca foi o de "estudar computação".

Não conheço estudos quantitativos a respeito, mas posso te dizer com certeza que a frase acima está errada. Já estive em várias escolas – inclusive em uma que eu mesmo estudei – em que o objetivo do laboratório de informática era justamente de aprender a mexer com computadores, sem nenhuma intenção pedagógica.

Que profissional pode, no mundo atual, exercer seu trabalho de forma competente sem dominar as novas linguagens tecnológicas?

Posso pensar em algumas dezenas de profissionais, da empregada doméstica ao agricultor, que podem exercer seu trabalho de forma competente sem dominar as novas linguagens tecnológicas. Mas concordo com o ponto mais amplo de que o domínio de informático é positivo e importante para a maioria das carreiras. Mas a pergunta é: a escola é o local ideal para esse ensino? Note que você se contradiz: primeiro diz que a escola não ensina informática, depois diz que deveria. A pesquisa mostra claramente que ter um computador em casa é significativo para o aprendizado do aluno, mas te-lo na escola, não. Isso leva a crer que talvez esse aprendizado ocorra melhor em um sistema de imersão, ou quando o aluno tem o controle do que fará com a máquina, ou simplesmente porque ele já sabe mais sobre computadores do que seu professor e portanto não se beneficia em nada de uma aula a respeito na escola. Se é esse o caso, seria uma política pública melhor dar a toda criança um computador para que o tenha em casa, ou dinheiro para acessar uma lan house, do que investir para informatizar escolas. O segundo ponto é o que já discutimos sobre a função da escola. Eu acho que ela deve estar focada, antes de mais nada, no domínio de saberes e competências básicos, coisa que o Brasil ainda não conseguiu. Acho mais importante, pra sua vida e pra sua carreira, que a pessoa seja solidamente alfabetizada e uma ignorante em termos de informática do que o oposto (se é que o oposto é possível). Portanto, acho que a ênfase das políticas públicas deveria estar direcionada a essa meta.

O que o Gustavo não mencionou é que já há vários estudos, bem rigorosos, que comprovam por A + B que o uso eficiente das novas tecnologias provoca um impacto substancial no desenvolvimento cognitivo (por exemplo, nas notas de matemática, línguas, ciências), não cognitivo (autoestima, autonomia, motivação), na disciplina e no relacionamento entre professores e alunos.

O que o Rafael não mencionou é que, apesar de haver estudos mostrando isso, a esmagadora maioria dos estudos não encontra essa relação.

4) Sabemos que as máquinas, a inteligência artificial ou mesmo robôs quase humanos não substituirão os professores, nem a longo prazo.

Não sei como você pode afirmar isso peremptoriamente. Eu não tenho essa certeza. Não sei se já leu Kurzweil, “The Singularity is Near”, mas se não leu deveria.

5) O artigo enfatiza a necessidade de “dar uma boa aula”, o que nega muito do que já sabemos na neurociência, como o processo de construção de conhecimentos e significados, ou que a visão da transferência de uma cabeça para a outra é algo completamente ultrapassado.

Essa leitura do que eu escrevi é tão equivocada que beira a desonestidade. Escrevi explicitamente: “A idéia de que a educação é um processo unidirecional de transferência do conteúdo do professor para o aluno é equivocada”. “Dar uma boa aula”, pra mim, significa incorporar todos os achados da neurociência, engajar o aluno, ter enorme interatividade. Só não acredito que essa boa aula necessite de ferramentas tecnológicas, porque a pesquisa empírica assim o demonstra. Os melhores sistemas educacionais do mundo não são os mais informatizados. Não há relação entre nível de tecnologia em sala de aula e excelência acadêmica. Você leu esse tal de Celso Vallim dizendo que “dar aula” traz embutido um conceito tradicional de educação e ignorou o que estava explicitamente dito no artigo.

6) O Gustavo desvalorizou o potencial da linguagem multimídia e do audiovisual na aprendizagem ao criticar o uso da TV na educação. A generalização e a simplificação da questão levam o leitor a acreditar que não se aprende nada em contato com a mídia.

Olha, acho bem exagerada essa leitura. Não recebi nenhum feedback de outros leitores com essa leitura de que “não se aprende nada em contato com a mídia”. Nem critiquei o uso da TV em educação. Meu ponto foi de que se a mera transmissão de uma boa aula por ferramentas tecnológicas fosse possível, não seria necessária a internet pra consegui-lo, a TV já o teria feito. O fato de que a TV não se mostrou uma ferramenta capaz de melhorar significativamente a qualidade da educação aponta que o caminho não é esse, o que tem conseqüências – ou pelo menos é um alerta – para os entusiastas de EAD na educação básica.

Como é que ainda pode fazer sentido, para qualquer pessoa de bom senso, defender que a escola e a sala de aula devam permanecer exatamente da mesma forma como eram em mil oitocentos e bolinha?

Em primeiro lugar, jamais defendi que a escola e sala de aula permaneçam “exatamente da mesma forma” como eram “em mil oitocentos e bolinha”. Já escrevi em outros artigos e livros mostrando que coisas como laboratório de ciências e até máquinas de xerox, que não existiam “em mil oitocentos e bolinha”, têm impacto estatisticamente significativo sobre o aprendizado. Agora, não vou negar que, até hoje, o modelo de um bom professor não difere muito de um modelo não de “mil oitocentos e bolinha”, mas bem mais antigo, que remonta à Academia de Platão. E não é por acaso que, em um mundo de tantas e tamanhas mudanças, e de tanta diversidade entre países e culturas, o cerne básico do que é o processo de aprendizado tenha se mantido surpreendentemente constante por mais de dois mil anos, em todas as latitudes e longitudes. Muitas das variáveis que faziam uma escola ou professor de sucesso há quinhentos anos– professor bem preparado, conhecendo profundamente seu assunto, maiêutica, leituras aprofundadas, trabalho constante por parte do aluno através de dever de casa e avaliações, ambientes ordeiros etc. – continuam sendo efetivas hoje. E o ônus da prova está com os reformadores. Se você quer mudar essa estrutura – e há muita coisa que poderia ser muito melhorada, sem dúvida – precisa apresentar evidências de que os novos métodos, quer eles envolvam nova tecnologia ou outras inovações, produzem resultados superiores. Conforme já disse, não duvido de que a tecnologia venha a trazer melhorias significativas ao processo de ensino-aprendizagem, mas até hoje esse novo formato superior não foi ainda encontrado.

Tenho a convicção de que as tecnologias podem nos auxiliar quebrando barreiras de tempo e espaço, aumentando a motivação de professores e alunos (essenciais para o sucesso na aprendizagem) e personalizando o desenvolvimento de competências.

Quando a gente tem convicção a priori, costuma-se fazer má ciência, má pesquisa. Eu não tenho convicção nenhuma. Nem da efetividade da tecnologia, nem de sua irrelevância. Apenas consulto o consenso da literatura empírica sobre o assunto.

Finalizo por aqui, deixando um convite a todos, mas especialmente ao Gustavo Ioschpe e os que ainda duvidam das possibilidades de impacto das novas tecnologias na aprendizagem, para visitarem comigo algumas escolas na cidade e, em conversas com diretores, professores e alunos, verificarem, ao vivo e a cores, o que está, de fato, acontecendo.

O convite está aceito e seria um prazer. Mas infelizmente nada do que eu vir ou ouvir vai me fazer tomar uma posição no que concerne a utilização de tecnologia em sala de aula como política pública. Defendo que a política pública seja baseada em evidências oriundas de pesquisa empírica. Seria tão leviano e irresponsável me deixar convencer sobre os efeitos positivos da tecnologia visitando as tuas escolas de sucesso quanto me deixar convencer do contrário ao visitar outras escolas em que esse efeito não é observado. Espero que a ferramenta de vocês, que supostamente aumenta as notas dos alunos em 20% ou mais, tenha sua eficácia ratificada por avaliações cuidadosas da sua execução e que, depois, esse impacto seja reproduzível em outros lugares do país. Aí eu certamente vou ser um entusiasta e defensor desse método, porque realmente não há nada de que o país precise mais do que proporcionar um salto de qualidade às suas crianças.

Agradeceria se você pudesse compartilhar essas reflexões com os seus leitores.

Abs."

21.3.12

Quem discorda do Gustavo Ioschpe, clica aqui!


(com a colaboração das especialistas Mila Gonçalves e Sônia Bertocchi)

Quando penso que esta discussão sobre a importância da tecnologia na educação já deu o que tinha que dar, algo novo aparece para me surpreender. O Gustavo escreve muito bem, tem um raciocínio afiadíssimo, já criou textos brilhantes, mas o seu último me decepcionou. Os argumentos e as lógicas são equivocadas e há omissão de fatos importantes. Pode ser que o Gustavo precise de mais pesquisas ou ouvir outras opiniões especializadas sobre a integração de novas tecnologias nos processos educativos. Há muita gente séria se dedicando pra valer ao tema. O texto simplifica enormemente a discussão de uma área complexa por natureza, generaliza diversas iniciativas nesse setor e utiliza posições radicais e ultraconservadoras possivelmente com o propósito de perseguir uma agenda.

Listo, abaixo, minhas principais discordâncias:

1) Os laboratórios de informática começaram a surgir há quase duas décadas nas escolas públicas e privadas brasileiras, mas o propósito nunca foi o de "estudar computação". A inserção da máquina na escola aconteceu muito mais para promover o desenvolvimento da informática educativa, capacitar professores, experimentar possibilidades e incluir digitalmente alunos, professores e, algumas vezes, até membros da comunidade escolar. Que profissional pode, no mundo atual, exercer seu trabalho de forma competente sem dominar as novas linguagens tecnológicas? Nossas leis são claras: é também o dever da escola pública preparar crianças e jovens para exercerem uma profissão de forma competente, inseridos, inclusive, na cultura digital.

2) O mesmo Steve Jobs, citado no artigo como alguém desesperançoso com relação ao que as novas tecnologias poderiam fazer pela educação, passou os últimos anos da vida perseguindo um projeto (dentre vários outros) que buscava exatamente isso: transformar a educação com as novas tecnologias. De acordo com esse artigo, “Jobs foi citado pelo seu biógrafo, Walter Isaacson, dizendo que os livros didáticos clamavam por uma transformação. Eles não somente eram entediantes como, por vezes, continham informações ultrapassadas, e também eram pesados”. Segundo as mesmas fontes, Jobs também se preocupava com o cartel dos livros didáticos em seu país. E por isso a Apple lançou o iBooks 2, mais uma invenção desse senhor visionário (e contraditório).

3) É certo que o simples fato de colocar computadores na escola ou na sala de aula não produz resultado nenhum. Como é que, em qualquer área, poderia haver resultado para um investimento em novas tecnologias, sem que aqueles que precisam se apropriar de novos processos passassem por formações? O que o Gustavo não mencionou é que já há vários estudos, bem rigorosos, que comprovam por A + B que o uso eficiente das novas tecnologias provoca um impacto substancial no desenvolvimento cognitivo (por exemplo, nas notas de matemática, línguas, ciências), não cognitivo (autoestima, autonomia, motivação), na disciplina e no relacionamento entre professores e alunos. Esse estudo, por exemplo, foi conduzido pelos Professores Dale Mann, do Teachers College (Columbia University), Charol Shakeshaft (Hofstra University) e um time de pesquisadores da educação. A pesquisa examinou, pela primeira vez, a eficiência de um programa de longo prazo (10 anos) que foi implementado em todo um estado estadunidense e sua conclusão foi que as novas tecnologias aplicadas no processo de aprendizagem impactaram diretamente as notas em matemática, compreensão e produção de textos. Para outras pesquisas sérias que comprovam o impacto das novas tecnologias na aprendizagem, vejam aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

4) Sabemos que as máquinas, a inteligência artificial ou mesmo robôs quase humanos não substituirão os professores, nem a longo prazo. Na verdade, eu gostaria de saber de onde surgiu essa ideia. Ninguém, nem o Khan, nem o Sugata Mitra, nem o mais autodidata de todos os humanos (Ok, esse último eu não sei, rs...) propõem isso. O que se propõe é que o professor tenha um outro papel na escola, assunto que já abordei nesse outro artigo e por isso não vou me prolongar.

5) O artigo enfatiza a necessidade de “dar uma boa aula”, o que nega muito do que já sabemos na neurociência, como o processo de construção de conhecimentos e significados, ou que a visão da transferência de uma cabeça para a outra é algo completamente ultrapassado. Nós atualmente atravessamos uma explosão de descobertas sobre como a mente humana funciona: como memórias têm tipos variados, cada um guardado num canto diferente do cérebro; como nossas mentes constantemente processam informações de forma inconsciente; como diferenças nas funções cerebrais definem variações nas nossas personalidades... Não me parece inteligente ignorar tudo isso. Nas palavras de Celso Vallim, "quando o professor e a escola querem formar um indivíduo pensante, autônomo, analítico, crítico, sensível, humanista, flexível e adaptável, não se pode "dar aula”... A expressão "dar aula" traz embutida em si, o conceito da educação tradicional, a educação conteudista. De maneira simplória, poderíamos dizer que esse tipo de visão escolar prevê que os conteúdos curriculares são coisas já definidas e estanques e que o professor poderá dominá-los por completo e poderá passar aquilo tudo ao aluno”.

6) O Gustavo desvalorizou o potencial da linguagem multimídia e do audiovisual na aprendizagem ao criticar o uso da TV na educação. A generalização e a simplificação da questão levam o leitor a acreditar que não se aprende nada em contato com a mídia. Nesse aspecto, o artigo ainda classifica como semelhantes a TV aberta, broadcasting e a possibilidade muito mais expandida que hoje temos em termos de pontos emissores, com a internet. Seria bom analisar, por exemplo, os dados do projeto Telecurso e seus resultados no Acre, no Rio de Janeiro e em outros lugares do país para uma crítica mais embasada.

7) Por fim, não há dúvidas de que as novas tecnologias, principalmente os computadores (de desktops a smartphones) e a internet têm impactado praticamente todas as áreas e indústrias, além da forma como nos comunicamos, pensamos e nos relacionamos. Como é que ainda pode fazer sentido, para qualquer pessoa de bom senso, defender que a escola e a sala de aula devam permanecer exatamente da mesma forma como eram em mil oitocentos e bolinha?

Eu, Rafael, estudo bastante para ser especialista na área e estou trabalhando com as estratégias da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Precisamos, como gestores, agir com muito cuidado no gasto do dinheiro público. Aqui, estamos investindo na melhoria da infraestrutura de TI, na manutenção, na formação continuada de professores e gestores e na criação de sistemas e conteúdos para transformar oprocesso pedagógico. Tenho a convicção de que as tecnologias podem nos auxiliar quebrando barreiras de tempo e espaço, aumentando a motivação de professores e alunos (essenciais para o sucesso na aprendizagem) e personalizando o desenvolvimento de competências. Afinal, no atual contexto brasileiro, que educador consegue atender individualmente a saberes prévios, estilos de aprendizagem  e necessidades de cada aluno? Mas a inteligência artificial, com sistemas e algoritmos, já pode nos auxiliar.

Até agora, o projeto que teve maior impacto nas notas dos alunos cariocas é chamado "6o ano experimental". Há duas mudanças nesse projeto em relação ao resto da rede: Em vez de de vários professores, o aluno só tem um professor polivalente (como de 1o a 5o anos), e, em sala,  utiliza-se a Educopédia (www.educopedia.com.br), nossa plataforma de aulas digitais. O resultado foi um acréscimo de 20 a 30% nas notas dos alunos em relação ao restante da rede. Também já sabemos que as notas de matemática e português do 2o segmento estão aumentando (as notas de matemática do 8o ano melhoraram bastante na Prova Rio). Alunos, professores e a própria Secretária Claudia Costin creditam boa parte da melhoria à utilização da Educopédia.

Finalizo por aqui, deixando um convite a todos, mas especialmente ao Gustavo Ioschpe e os que ainda duvidam das possibilidades de impacto das novas tecnologias na aprendizagem, para visitarem comigo algumas escolas na cidade e, em conversas com diretores, professores e alunos, verificarem, ao vivo e a cores, o que está, de fato, acontecendo.

13.2.12

Menos tecnologia, por favor?

Na semana passada participei de um debate no Educa Party (braço do Campus Party, em São Paulo) sobre ética digital. Meus argumentos principais foram:

- Estamos vivendo um período complicado no que se refere a ética, em geral, uma crise de valores. Quando pensamos em ética digital, a coisa fica ainda mais complexa porque as pessoas se sentem mais à vontade para se expressar (dizendo coisas boas ou ruins) e podem também utilizar o anonimato. É bem mais difícil dizer uma coisa importante pessoalmente do que via email, não?

- Quando pensamos em ética digital, geralmente diminuímos o debate para cyberbullying e segurança dos alunos e nos esquecemos de que esse é um tema muito importante também para educadores. Não é tão raro encontrar adultos se expressando agressivamente ou sendo preconceituosos nas redes sociais – e educadores, como seres humanos, precisam debater constante e perenemente ética e postura na vida e na internet. Nós, educadores, precisamos nos lembrar sempre que servimos de exemplo!

- Apesar de que uma das frases da moda é que tecnologia não deve ser fim, mas meio – tecnologia deve ser o meio para se melhorar o processo de aprendizagem, uma discussão como essa ilustra como questões relacionadas à tecnologia também devem ser fim. Em outras palavras, é também papel da escola ensinar professores e alunos a fazerem o melhor uso de aparatos tecnológicos. Acredito, inclusive, que professores e alunos deveriam (TODOS) aprender programação.

- Todos precisam lembrar também que qualquer vírgula publicada online foge completamente do nosso controle. Não temos a menor ideia de onde nossas palavras, fotos e vídeos irão parar, quem terá acesso a eles e que impacto eles causarão. Temos cada vez menos privacidade e, por isso, precisamos pensar várias vezes antes de publicar algo online.

- Não adianta proibir. Proibição não é educação e nem vai resolver. Proibir celular, proibir o acesso a redes sociais, proibir o upload de vídeos – países grandes tentam há anos controlar o que acontece online e não tem sucesso. Além do mais, a verdadeira educação se dá com a aproximação, a conversa e a orientação. Nós, educadores, precisamos ir onde os alunos estão, inclusive virtualmente e conversar sobre o que está acontecendo, sobre como estão se portando.

- Ao mesmo tempo, educação também inclui a imposição de limites, inclusive para si mesmo. Precisamos educar as crianças a regular seus comportamentos e nós precisamos refletir sobre os nossos também. Tenho controlado quantas horas fico no computador, nas redes sociais, quantas vezes checo emails, se estou muito obcecado com alguma questão e controlo os momentos que atendo ou uso meu celular. Tenho ficado bem incomodado em jantares e outros tipos de encontros com amigos quando vejo que, de repente, está todo mundo no celular e eu querendo conversar, ouvir, interagir... Será que sou chato? Nunca achei que fosse dizer isso (pelo menos tão depressa), mas MENOS TECNOLOGIA, POR FAVOR?