13.2.12

Menos tecnologia, por favor?

Na semana passada participei de um debate no Educa Party (braço do Campus Party, em São Paulo) sobre ética digital. Meus argumentos principais foram:

- Estamos vivendo um período complicado no que se refere a ética, em geral, uma crise de valores. Quando pensamos em ética digital, a coisa fica ainda mais complexa porque as pessoas se sentem mais à vontade para se expressar (dizendo coisas boas ou ruins) e podem também utilizar o anonimato. É bem mais difícil dizer uma coisa importante pessoalmente do que via email, não?

- Quando pensamos em ética digital, geralmente diminuímos o debate para cyberbullying e segurança dos alunos e nos esquecemos de que esse é um tema muito importante também para educadores. Não é tão raro encontrar adultos se expressando agressivamente ou sendo preconceituosos nas redes sociais – e educadores, como seres humanos, precisam debater constante e perenemente ética e postura na vida e na internet. Nós, educadores, precisamos nos lembrar sempre que servimos de exemplo!

- Apesar de que uma das frases da moda é que tecnologia não deve ser fim, mas meio – tecnologia deve ser o meio para se melhorar o processo de aprendizagem, uma discussão como essa ilustra como questões relacionadas à tecnologia também devem ser fim. Em outras palavras, é também papel da escola ensinar professores e alunos a fazerem o melhor uso de aparatos tecnológicos. Acredito, inclusive, que professores e alunos deveriam (TODOS) aprender programação.

- Todos precisam lembrar também que qualquer vírgula publicada online foge completamente do nosso controle. Não temos a menor ideia de onde nossas palavras, fotos e vídeos irão parar, quem terá acesso a eles e que impacto eles causarão. Temos cada vez menos privacidade e, por isso, precisamos pensar várias vezes antes de publicar algo online.

- Não adianta proibir. Proibição não é educação e nem vai resolver. Proibir celular, proibir o acesso a redes sociais, proibir o upload de vídeos – países grandes tentam há anos controlar o que acontece online e não tem sucesso. Além do mais, a verdadeira educação se dá com a aproximação, a conversa e a orientação. Nós, educadores, precisamos ir onde os alunos estão, inclusive virtualmente e conversar sobre o que está acontecendo, sobre como estão se portando.

- Ao mesmo tempo, educação também inclui a imposição de limites, inclusive para si mesmo. Precisamos educar as crianças a regular seus comportamentos e nós precisamos refletir sobre os nossos também. Tenho controlado quantas horas fico no computador, nas redes sociais, quantas vezes checo emails, se estou muito obcecado com alguma questão e controlo os momentos que atendo ou uso meu celular. Tenho ficado bem incomodado em jantares e outros tipos de encontros com amigos quando vejo que, de repente, está todo mundo no celular e eu querendo conversar, ouvir, interagir... Será que sou chato? Nunca achei que fosse dizer isso (pelo menos tão depressa), mas MENOS TECNOLOGIA, POR FAVOR?