21.3.12

Quem discorda do Gustavo Ioschpe, clica aqui!


(com a colaboração das especialistas Mila Gonçalves e Sônia Bertocchi)

Quando penso que esta discussão sobre a importância da tecnologia na educação já deu o que tinha que dar, algo novo aparece para me surpreender. O Gustavo escreve muito bem, tem um raciocínio afiadíssimo, já criou textos brilhantes, mas o seu último me decepcionou. Os argumentos e as lógicas são equivocadas e há omissão de fatos importantes. Pode ser que o Gustavo precise de mais pesquisas ou ouvir outras opiniões especializadas sobre a integração de novas tecnologias nos processos educativos. Há muita gente séria se dedicando pra valer ao tema. O texto simplifica enormemente a discussão de uma área complexa por natureza, generaliza diversas iniciativas nesse setor e utiliza posições radicais e ultraconservadoras possivelmente com o propósito de perseguir uma agenda.

Listo, abaixo, minhas principais discordâncias:

1) Os laboratórios de informática começaram a surgir há quase duas décadas nas escolas públicas e privadas brasileiras, mas o propósito nunca foi o de "estudar computação". A inserção da máquina na escola aconteceu muito mais para promover o desenvolvimento da informática educativa, capacitar professores, experimentar possibilidades e incluir digitalmente alunos, professores e, algumas vezes, até membros da comunidade escolar. Que profissional pode, no mundo atual, exercer seu trabalho de forma competente sem dominar as novas linguagens tecnológicas? Nossas leis são claras: é também o dever da escola pública preparar crianças e jovens para exercerem uma profissão de forma competente, inseridos, inclusive, na cultura digital.

2) O mesmo Steve Jobs, citado no artigo como alguém desesperançoso com relação ao que as novas tecnologias poderiam fazer pela educação, passou os últimos anos da vida perseguindo um projeto (dentre vários outros) que buscava exatamente isso: transformar a educação com as novas tecnologias. De acordo com esse artigo, “Jobs foi citado pelo seu biógrafo, Walter Isaacson, dizendo que os livros didáticos clamavam por uma transformação. Eles não somente eram entediantes como, por vezes, continham informações ultrapassadas, e também eram pesados”. Segundo as mesmas fontes, Jobs também se preocupava com o cartel dos livros didáticos em seu país. E por isso a Apple lançou o iBooks 2, mais uma invenção desse senhor visionário (e contraditório).

3) É certo que o simples fato de colocar computadores na escola ou na sala de aula não produz resultado nenhum. Como é que, em qualquer área, poderia haver resultado para um investimento em novas tecnologias, sem que aqueles que precisam se apropriar de novos processos passassem por formações? O que o Gustavo não mencionou é que já há vários estudos, bem rigorosos, que comprovam por A + B que o uso eficiente das novas tecnologias provoca um impacto substancial no desenvolvimento cognitivo (por exemplo, nas notas de matemática, línguas, ciências), não cognitivo (autoestima, autonomia, motivação), na disciplina e no relacionamento entre professores e alunos. Esse estudo, por exemplo, foi conduzido pelos Professores Dale Mann, do Teachers College (Columbia University), Charol Shakeshaft (Hofstra University) e um time de pesquisadores da educação. A pesquisa examinou, pela primeira vez, a eficiência de um programa de longo prazo (10 anos) que foi implementado em todo um estado estadunidense e sua conclusão foi que as novas tecnologias aplicadas no processo de aprendizagem impactaram diretamente as notas em matemática, compreensão e produção de textos. Para outras pesquisas sérias que comprovam o impacto das novas tecnologias na aprendizagem, vejam aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

4) Sabemos que as máquinas, a inteligência artificial ou mesmo robôs quase humanos não substituirão os professores, nem a longo prazo. Na verdade, eu gostaria de saber de onde surgiu essa ideia. Ninguém, nem o Khan, nem o Sugata Mitra, nem o mais autodidata de todos os humanos (Ok, esse último eu não sei, rs...) propõem isso. O que se propõe é que o professor tenha um outro papel na escola, assunto que já abordei nesse outro artigo e por isso não vou me prolongar.

5) O artigo enfatiza a necessidade de “dar uma boa aula”, o que nega muito do que já sabemos na neurociência, como o processo de construção de conhecimentos e significados, ou que a visão da transferência de uma cabeça para a outra é algo completamente ultrapassado. Nós atualmente atravessamos uma explosão de descobertas sobre como a mente humana funciona: como memórias têm tipos variados, cada um guardado num canto diferente do cérebro; como nossas mentes constantemente processam informações de forma inconsciente; como diferenças nas funções cerebrais definem variações nas nossas personalidades... Não me parece inteligente ignorar tudo isso. Nas palavras de Celso Vallim, "quando o professor e a escola querem formar um indivíduo pensante, autônomo, analítico, crítico, sensível, humanista, flexível e adaptável, não se pode "dar aula”... A expressão "dar aula" traz embutida em si, o conceito da educação tradicional, a educação conteudista. De maneira simplória, poderíamos dizer que esse tipo de visão escolar prevê que os conteúdos curriculares são coisas já definidas e estanques e que o professor poderá dominá-los por completo e poderá passar aquilo tudo ao aluno”.

6) O Gustavo desvalorizou o potencial da linguagem multimídia e do audiovisual na aprendizagem ao criticar o uso da TV na educação. A generalização e a simplificação da questão levam o leitor a acreditar que não se aprende nada em contato com a mídia. Nesse aspecto, o artigo ainda classifica como semelhantes a TV aberta, broadcasting e a possibilidade muito mais expandida que hoje temos em termos de pontos emissores, com a internet. Seria bom analisar, por exemplo, os dados do projeto Telecurso e seus resultados no Acre, no Rio de Janeiro e em outros lugares do país para uma crítica mais embasada.

7) Por fim, não há dúvidas de que as novas tecnologias, principalmente os computadores (de desktops a smartphones) e a internet têm impactado praticamente todas as áreas e indústrias, além da forma como nos comunicamos, pensamos e nos relacionamos. Como é que ainda pode fazer sentido, para qualquer pessoa de bom senso, defender que a escola e a sala de aula devam permanecer exatamente da mesma forma como eram em mil oitocentos e bolinha?

Eu, Rafael, estudo bastante para ser especialista na área e estou trabalhando com as estratégias da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Precisamos, como gestores, agir com muito cuidado no gasto do dinheiro público. Aqui, estamos investindo na melhoria da infraestrutura de TI, na manutenção, na formação continuada de professores e gestores e na criação de sistemas e conteúdos para transformar oprocesso pedagógico. Tenho a convicção de que as tecnologias podem nos auxiliar quebrando barreiras de tempo e espaço, aumentando a motivação de professores e alunos (essenciais para o sucesso na aprendizagem) e personalizando o desenvolvimento de competências. Afinal, no atual contexto brasileiro, que educador consegue atender individualmente a saberes prévios, estilos de aprendizagem  e necessidades de cada aluno? Mas a inteligência artificial, com sistemas e algoritmos, já pode nos auxiliar.

Até agora, o projeto que teve maior impacto nas notas dos alunos cariocas é chamado "6o ano experimental". Há duas mudanças nesse projeto em relação ao resto da rede: Em vez de de vários professores, o aluno só tem um professor polivalente (como de 1o a 5o anos), e, em sala,  utiliza-se a Educopédia (www.educopedia.com.br), nossa plataforma de aulas digitais. O resultado foi um acréscimo de 20 a 30% nas notas dos alunos em relação ao restante da rede. Também já sabemos que as notas de matemática e português do 2o segmento estão aumentando (as notas de matemática do 8o ano melhoraram bastante na Prova Rio). Alunos, professores e a própria Secretária Claudia Costin creditam boa parte da melhoria à utilização da Educopédia.

Finalizo por aqui, deixando um convite a todos, mas especialmente ao Gustavo Ioschpe e os que ainda duvidam das possibilidades de impacto das novas tecnologias na aprendizagem, para visitarem comigo algumas escolas na cidade e, em conversas com diretores, professores e alunos, verificarem, ao vivo e a cores, o que está, de fato, acontecendo.

34 comentários:

  1. Seria muito interessante que após esse convite aceito pelo Gustavo, que ele e o Rafael possam discutir mais profundamente sobre o que será observado... estou muito curiosa para saber a opinião dele, Gustavo!

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    1. Sobre o ponto 6 que o você cita , Rafael, caso acreditássemos que a linguagem multimídia e do audiovisual na aprendizagem não tem um valor incrível, teríamos que jogar muitos argumentos e dados no lixo! Contra fatos, não há argumentos... a favor dos fatos, " a capacidade intelectual expandida dessas crianças que são educadas nesse meio, tornando-se cidadãos mais críticos... investigativos..." (palavras de uma mãe... não são minhas)

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    2. Isso... o que complica é que hoje temos pesquisas que descrevem "fatos", muitas vezes contrários, para qualquer coisa que a gente quiser argumentar. ;)

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  2. Críticas sempre irão existir, principalmente com o novo. As tecnologias estão cada vez mais tomando espaço nas relações de nossa sociedade, isto é fato e a escola não poderia fugir de tudo isso! Discussões pertinentes e construtivas sempre são enriquecedoras e estimulantes, ainda mais quando se trata de buscar o melhor caminho, porém somente quando são embasadas, com uma mente aberta, receptiva e sem conceitos formatados, procurando pelo melhor e não apontando e reclamando... Esquecendo o negativo e valorizando o positivo!

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    1. Então... o que é mais difícil é tentar começar uma discussão ou um texto com uma posição 100% neutra em relação a qualquer assunto, certo? Buscamos fazer isso e o melhor é que consigamos, de fato, gerar argumentos partindo de um ponto próximo do neutro...

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  3. Postei um comentário na página da Veja, vamos ver se será aprovado. Basicamente informei minha experiência antes e depois da utilização de tecnologias educacionais. Disse que entendo que o mesmo não ocorre em todo o Brasil, mas que em minha cidade as tecnologias estão sendo aliadas à planejamento pedagógico e a uma plataforma de ensino com conteúdos especializados e relevantes. Nossos alunos já são nativos digitais e a metodologia "cuspe e giz" não seduz mais ninguém. O que precisamos é seduzir essas crianças para torná-las cidadãs (sociais e digitais) capazes de senso crítico. Vinícius Farias - profº da E. M. Maestro Pixinguinha.

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    1. Excelente, Vinícius. A qualidade dos projetos relacionados à integração de TICs na educação varia muito, inclusive até mesmo entre as escolas da nossa rede, como você deve saber. Dependemos o tempo todo da motivação e da formação dos professores!

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    2. Verdade, a pedagogia "cuspe e giz" não seduz em nada mesmo...mas infelizmente passamos em frente em muitas salas de aula e só vemos isso...uma pena.

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  4. O Gustavo realmente escreve bem, reconheço. Mas percebo um quê de pensamento por demais neoliberal nas críticas aos servidores públicos educadores. Há de se conhecer mais de perto a realidade destes profissionais.
    Também já fui um teórico da educação e , quando passei a por a mão na massa, mudei quase que completamente meus pensamentos, julgamentos e preconceitos.
    Nós, professores, temos muito a aprender e melhorar , mas as condições não são nada favoráveis. Por vezes, o bem que queríamos fazer significa tudo de ruim para os mandatários, representados ,na maioria das vezes, pela direção da Escola.

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    1. Paulinho, também acho que falta uma experiência qualitativa, tipo antropológica para que o Gustavo consiga entender um pouco mais da realidade dos professores. E, como já disse, não há como fazer absolutamente nada nas escolas sem a vontade dos professores e direções que, como você bem disse, muitas vezes são contrárias...

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  5. Faço minhas as palavras do professor Vinícius Farias. Sou professora da rede e estou vendo na prática, como funciona o estudo e o aproveitamento dos alunos com a plataforma de ensino digital e quando não é utilizada! Não é só colocar o computador, mas tem que haver um planejamento consciente e aceito por todos os membros da escola a este respeito.
    Com a seriedade que este assunto vem sendo tratado na rede, acredito e vejo resultados surpreendentes! A cidadania, como disse o professor Vinícius, é condição necessária para uma nova consciência educacional em nosso país!

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    1. Fico super feliz com os testemunhos de vocês. Mas o melhor mesmo é ver tudo acontecendo na prática, quando faço as visitas... É o máximo!

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  6. Não sou especialista no assunto mas vivo a Revolução digital que está sendo implantada gradativamente nas Escolas do Município do Rio de Janeiro.O mais importante é que a implantação da tecnologia nas escolas não vem de imposições da SME ou de qualquer outros órgãos mas sim com apoio e participação de todos os profissionais da Educação carioca. A Educopédia ,plataforma de aulas digitais,é constrúida pelos professores da rede.
    Os alunos ficam interessados,participativos e entusiasmados e mudam totalmente sua postura em aula quando o professor utiliza a Educopéida nas aulas.

    Como li no texto do Rafael:
    "Os educadores devem abandonar o papel de detentores do conhecimento e centralizadores da atenção nas aulas por uma postura mediadora, que favoreça uma aprendizagem colaborativa, centrada nas necessidades dos alunos."

    Tenho certeza que todas as ferramentas tecnológicas contribuem para que o aluno deixe de ser um mero espectador e se torne participativo e ativo no processo ensino /aprendizagem.

    A Educopédia veio para mudar a forma de ensinar e aprender e esta ai para quem quiser ver que seu objetivo esta sendo alcançado.

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  7. Ainda não sou especialista nesse assunto, disse ainda pois já estou estudando bastante para tal, mas falo agora sob o olhar de quem está participando bem de perto da incrível transformação na Educação Carioca.
    Do ponto de vista de quem está dentro de sala, no meu caso o PEJA noturno, identifico alunos muito mais presentes, participativos e mais que isso, "abertos" ao novo. Essa última, era o maior entrave do nosso trabalho com esse público e atribuo essa conquista ao uso das novas tecnologias em sala de aula, sobretudo da construção do nosso blog.
    Já com o olhar voltado para gestores e professores, com base na minha experiência enquanto Rioeducadora, percebo o total interesse dos mesmos em apropriar-se dessas novas ferramentas educacionais, desde as várias solicitações e agendamentos para capacitações da Educopédia ou do Rioeduca até
    às inúmeras inscrições para as oficinas de blog.
    É fato que o uso das ferramentas tecnológicas torna as aulas mais atrativas e interessantes e com disso, despertam o interesse e a curiosidade no aluno. Fatores que segundo Paulo Freire, edificam o conhecimento:
    "A curiosidade alimenta o desejo de saber mais. Ela causa inquietação, insatisfação desencadeando a busca pelo conhecimento. Não é a curiosidade espontânea que viabiliza a tomada de distância epistemológica. Essa tarefa cabe à curiosidade epistemológica – superando a curiosidade ingênua, ela se faz mais metodicamente rigorosa. Essa rigorosidade metódica é que faz a passagem do conhecimento ao nível do senso comum para o conhecimento científico. Não é o conhecimento científico que é rigoroso. A rigorosidade se acha no método de aproximação do objeto." (FREIRE, P. À sombra desta mangueira.)
    Certamente, estamos revolucionando a forma de ensinar em detrimento das novas demandas no que diz respeito às novas necessidades e formas de aprender. É isso que a Educopédia vem fazendo, ou seja, ela atende as demandas atuais do processo Ensino/Aprendizagem e ou da relação Professor/Aluno.

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    1. Muito bom, Ana! Preciso conhecer melhor o trabalho que está sendo feito com o Peja e os resultados. Beijos!

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  8. Olá, Rafael!
    Quando li o texto do Ioschpe fiquei com muita vontade de rebater muitos dos seus argumentos. Ele é esperto, escreve bem e serve a "questões políticas claras". O texto dele é articulado a ponto de confundir as pessoas... Na minha opinião ele confunde as ideias, colocando juntas certas questões que precisam ser analisadas de forma separada... Por isso, acredito que é importante que os profissionais da educação reajam a textos como este (onde o autor é economista, por exemplo).
    Trabalho, como diretora pedagógica, em um projeto chamado iPad na sala de aula (http://ipadnasaladeaula.com.br) que tem como principal objetivo fortalecer a formação de professores para o uso das novas tecnologias, especialmente o iPad, na prática pedagógica. Com o trabalho temos visto uma retomada da autoestima do professor que muitas vezes se sente somente criticado e ameaçado em seu trabalho. Com o trabalho de formação, os professores têm encontrado segurança para pensar em novas maneiras de ensinar (e também de aprender). Por outro lado, os alunos também têm refletido muito sobre as novas possibilidades de aprender (e também de ensinar). Num primeiro momento professores e alunos achavam que a inserção de tablets era somente para brincar e dispersaria o trabalho em aula.
    Precisaremos ter paciência histórica para construir uma nova educação.
    Parabéns pelo teu texto! Você escreveu um texto que muita gente gostaria de ter escrito (inclusive eu! rs).

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    1. Obrigado! Quem trabalha com isso e vê a realidade e as mudanças de perto sabe o que está acontecendo e onde podemos chegar... ;)

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  9. Como Adriana, fiquei indignada ao ler o texto. O autor está muito mal informado (kkkk), há diversas pesquisas sobre o impacto das tecnologias na educação, tanto com entidades consagradas, como em meros estudantes como eu.
    Há oito anos enfatizo a possibilidade do uso do computador na alfabetização de crianças, e a cada dia (até com as minhas próprias filhas), vejo resultados surpreendentes. Claro que tem a orientação de um professor, porém os professores da nossa Rede comprovam a eficácia.
    Que a política pode se utilizar do uso das tecnologias para "enfeitar seu pavão", eu acredito q possa existir, mas daí a dizer q ele não colabora como mais um instrumento, auxiliando em uma aprendizagem eficiente, dinâmica e culturalmente necessária, isso já é demais. A todo momento nosso aluno convive com a tecnologia no mundo e ele não tem o Direito de ter acesso?
    Realmente precisamos de investimentos nos professores, porém eles próprios já se motivam a fazer isso qd têm objetos de apoio ao seu alcance e, TAMBÉM, qd são valorizados.
    Generalizar a educação e o uso das tecnologias, foi seu pior erro.

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  10. Talvez o Gustavo Ioshpe não seja necessariamente mal informado. Acho que ele superestima a importância da economia e dos dados econômicos e estatísticos aplicados à educação. Neste sentido, o que não estiver dentro dos padrões numéricos, torna-se inútil e dispensável.

    Ocorre que a educação é um processo transformador, muitas vezes lento. Iniciativas de hoje podem ter resultados mais expressivos ao longo dos anos. A escola, enquanto instituição, não pode ser encarada com imediatismo, daí não ser possível analogias - ainda que existam - com uma mera empresa.

    Como o Rafael escreveu, não é possível pensar a formação humana, hoje, desvinculada das novas tecnologias e mídias digitais.

    E longa vida à Educopédia! o//

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  11. Só pra constar - excelentes argumentos Rafael!

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  12. Alguém, em sã consciência, ainda leva em conta o que esse rapaz fala sobre Educação?... Ele escrevia sobre Educação para a Revista Educação e foi tão criticado pelos professores que acabou deixando de "colaborar" com a referida publicação. Sempre fez questão de afirmar que nunca fora professor, tampouco entrara em sala de aula, logo, com que conhecimento de causa ousa criticar-nos, que escolhemos a docência como opção de vida e temos formação para exercê-la, o contrário deste rapaz. Por que não escreve sobre Economia, já que esta é a sua formação de origem? Será que é por ter a mesma competência que tem para falar da área alheia?... Vale o pensamento...

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    1. Professor Milton, me permita, mas discordo em parte da sua fala. Sou obrigado a concordar com o Gustavo I. quando ele afirma que para se tornar política pública deve se estar embasado em pesquisas científicas e dados empíricos, algo relamente não comprovado entre as TICs e educação. Mais do que tecnologia, para melhorarmos nossa educação teríamos que voltar no tempo em que os alunos respeitavam o professor (lembra como os alunos ficavam em pé quando o professor entrava em sala?), a direção dava respaldo ao professor (mandou um aluno pra fora da sala, da próxima vez ele era expulso da escola), os pais apoiavam os mestres, tínhamos segurança, o sistema educacional não era paternalista ao extremo com o aluno como é hoje, em que a aprovação é automática e a maioria dos alunos é analfabeto funcional. Hoje se você chamar a atenção do aluno você pode ser agredido ou então ser processado!! Penso que temos que direcionar nossas energias neste âmbito da educação. Somos reféns de uma política que quer nos levar para o fundo do poço.

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    2. Professor Milton, eu concordo que a vivência em sala de aula enriquece e muito a visão que qualquer um pode ter sobre o que acontece nas escolas públicas.

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  13. Ricardo, eu discordo. Quase todas as pesquisas consideradas sérias pelo Gustavo foram feitas em contextos e tempos completamente diferentes dos nossos. Precisamos experimentar e pesquisar seriamente aqui, na nossa realidade. O relacionamento do aluno com a escola e com os professores melhora quando ele vê sentido naquilo que acontece com ele e com os colegas.

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  15. Gostei de muitos pontos abordados pelo artigo do Gustavo. Concordo que o maior investimento deve ser dado aos professores e não em hardware digital. Mas também percebo como meus alunos tornam-se mais atentos e participativos quando utilizo vídeos, imagens, animações e apresentações em power point em sala de aula. No entanto, muito me incomoda a ideia de que para ser bom professor tem que ser digital! Como assim, gente?! E todos os MA-RA-VI-LHO-SOS professores que passaram em minha vida, que davam SHOW em sala de aula com pouquíssimos recursos? E quando digo que davam show, não era só no quesito conteúdo, não! Eles sabiam muito bem o conteúdo, suas aulas eram bem conteudistas, é verdade, mas eles sabiam, mesmo assim, ser amigos, companheiros, modelos. Muitos professores da rede não estão ambientados ao mundo digital, por questão de escolha, de cultura, de hábito. Não por incapacidade. E por não usarem as tecnologias são professores ruins???? Os alunos aprendem menos???? Discordo. As tecnologias estão aí para serem usadas, eu super apóio o uso delas em sala de aula pois é mais uma ferramenta de aprendizagem, estimulo o uso da educopedia pelos alunos e professores, enfim... mas não acredito que seja o uso da tecnologia a principal (e única!) chave para uma revolução (positiva) da educação. Mas estou disposta a ver no que isso tudo vai dar.... rsrs

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  16. Ah! E sobre o projeto do 6º ano experimental, onde as turmas tem "professor polivalente"... Até entendo que esse professor, tendo maior tempo de trabalho com a turma, consiga acompanhar melhor o desenvolvimento do aluno e talvez obtenha melhores resultados. Mas tem que haver outro jeito... Porque na boa, me formei em Licenciatura em Ciências Biológicas para dar aula de Ciências e de Biologia e não, de matemática. Não me considero preparada para isso e nem quero estar, pois não foi essa a área do conhecimento que escolhi para minha vida!

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  17. Os comentários em geral de Gustavo Ioschpe, desconsidera várias questões. Em relação da defesa da privatização da educação, em que, o mesmo nega não defender, diz que para ele, tanto faz, desde que haja qualidade. Nesse sentido é um equívoco, pois quando pensamos em educação devemos discutir em primeiro lugar qual a sociedade que temos para a sociedade que queremos, os aluno(as) que temos para o alunos(as) que queremos e sendo assim, é impossível construir referências e expectativas de aprendizagem, sim considerar de forma mais aprofundada este debate. Os governos eleitos ou não como na ditadura militar sempre escolherão seu lado, nunca foram imparciais. A política educacional precisa estar vinculada aos interesses imediatos dos setores empresariais nacionais ou internacionais, seja na indústria ou no setor crescente de serviços, isto é, os interesses imediatos do capitalismo implantado no Brasil. Por outro lado, a escola que poderá atender com qualidade os aluno(as) da classe que vive do trabalho,de maneira nenhuma poderá ter interesses privados, mas sim, público, estatal e laica. Outro assunto, que o mesmo, fica repetindo em suas entrevistas, como na Band News, ele continua de forma afirmativa que não há falta de recursos na educação e sim má gestão. Nesse sentido, é preciso considerar que após a Segunda Guerra Mundial, os países participantes e destruídos pela mesma, investiram patamares elevados de percentuais em educação. Até mesmo a Ilha de Cuba em 1998, investia 8% do PIB em educação. Hoje com a crise do capitalismo mundial, a política de redução e cortes no orçamento, estes países reduziram o investimento, mas depois também de sanar a falta de vagas no Ensino Básico em geral. O Brasil nunca ultrapassou o patamar de 5% do PIB em Educação. Para ser mais objetiva e clara, vou dar um exemplo da escola municipal que trabalho na Prefeitura Municipal de São Paulo, leciono na área de Ciências. Atualmente a escola têm em média guase dois mil alunos, talvez um pouco menos, funciona em três períodos, dois diurnos e um noturno com a EJA. Uma das verbas que são repassadas para a escola de forma períodica é a do atual PTRF ( Programa de Transferência de Recursos Financeiros) em média 20 mil para cada 4 ou 5 meses, isto quando não há atrasos. Esta verba é destinada junto com o PDDE ( Programa de Dinheiro Direto na Escola) do Governo Federal) enviada uma vez ao ano, na compra de materiais de uso permanente ( televisão), etc e no uso de materiais de consumo ( papéis, visitas, etc). Para realizar uma visita gratuíta num teatro próximo, mesmo no bairro, um ônibus fretado não sai por menos de 300,00 reais com quarenta lugares, se for para o centro da cidade para outros tipos de visitas, um ônibus não saí por menos de 500,00 reais, se escola objetivar fazer visitas extra-classe para vincular a teoria com a prática, não sobrará recursos para outros tipos de necessidade que a escola venha a necessitar. É só fazer contas, 500 reaisx 1800 alunos(as) , quantos ônibus serão necessários para atender todos os aluno(as)? Outro aspecto, nestes gastos, não considera, que a escola têm laboratório de informática com uma professora auxiliar, mas não têm um laboratório de Ciências com um professora auxiliar para fazer também a manutenção dos materiais de laboratórios, como microscópios e outros. Se for realizar uma atividade de Ciência de campo com monitores, no vários locais na cidade de São Paulo e em outras cidades da redondezas, mesmo que seja gratuíta a entrada, mas o transporte necessita ser pago pela escola. Tanto as SME ou diretorias de ensino, não sempre têm disponíveis ônibus gratuítos para as escolas, quando isto acontece é para uma minoria de aluno(as). A Educação para melhorar precisa sim de investimento e ter que ser para todos e assim poderemos atingir um patamar de qualidade para a construção de um mundo melhor com igualdade social e fraterna.

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  18. Quanto ao uso da tecnologia, eu e Gustavo temos uma aparente dessintonia. Enquanto Isadora Faber (que eu admiro tanto quanto ao Gustavo) e os que a rodeiam (eu incluso) defendem ardorosamente o uso da tecnologia em sala de aula, Gustavo Ioschpe rema contra a corrente. Mas... quais são seus argumentos? Afirma ele que os dados empíricos não indicam aumento da aprendizagem pelo uso de computadores na escola (embora indiquem aumento para alunos que possuem computador em casa). Bom, minha vivência de professor me faz compreender perfeitamente porque isso acontece... As escolas simplesmente não usam os computadores de que dispõem para a aprendizagem sistemática da sua clientela. Primeiro porque os professores não têm formação pra isso. Segundo porque, não havendo meritocracia - compensação financeira (o ensino-mercadoria de quem o nega, rs,rs) - não se interessam pelo trabalho adicional da manutenção das salas, destacamento de funcionários para sua limpeza, etc... Preferem, aliás, usá-los em proveito próprio. É a tal apropriação privada do bem público à qual Gustavo refere-se em seus artigos. Mas Gustavo parte dessa constatação para, inexplicavelmente, defender o não investimento em tecnologia (invés do investimento em formação dos professores para sua correta utilização). Eu diria que essa é uma das discordâncias que possuo com o mestre (mais novo que eu, rs). Esse é um campo no qual os dados empíricos da história devem prevalecer sobre os das pesquisas. Nem tudo pode ser colocado em tubos de ensaio, ou computados com o rigor das estatísticas das pesquisas acadêmicas. As estatísticas sobre o desenrolar da história estão dispersas por todas as épocas e por todos os lugares. Os historiadores, ao contrário dos pesquisadores de experimentos controlados, devem sair à busca desses dados empíricos dispersos como arqueólogos. E, no tocante às implicações do uso da tecnologia em todas as áreas da atividade humana, eu diria que o grande divisor de águas é a revolução industrial e seus precedentes (entre os quais a invenção da máquina tipográfica por Gutemberg). O que nos prova o mundo pós revolução industrial? Que tudo que passa pela automação intensifica seus resultados. Produz-se mais (embora não sempre melhor). E que em tudo para o que haja grande demanda social é preciso investir em tecnologia para supri-la (sob pena de nossos "vizinhos" fazerem isso antes que nós). Essa é a grande lição do caminho sem volta da revolução industrial. A tecnologia, portanto, é o que pode produzir aprendizagem em larga escala, desde que bem utilizada (o que depende entre outros, da formação de professores). Não há conjunto de dados empíricos maior e mais significativo que este. Quando Gustavo Ioschpe der-se conta disso (e de outras coisinhas mais), terá dado um passo gigantesco rumo à sabedoria educacional que o Brasil precisa pra sair do atoleiro. Digo "sabedoria" porque conhecimento e mergulho na realidade (ao contrário do que rosnam os críticos) ele tem de sobra, muito mais que todos os meus professores do curso de pedagogia juntos.

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