25.7.13

Por que nós REALMENTE precisamos investir 10% do PIB em educação

Como eu REALMENTE acredito nisso, decidi escrever um texto expondo os meus pontos. Boa parte da comparação com outros países não faz o menor sentido por conta de diferenças históricas, sociais e econômicas.  

1. Essencialmente, educação de qualidade custa caro. As melhores escolas têm custos altíssimos e, quando particulares, repassam esses custos para as mensalidades.

2. A grande maioria das pessoas fazem escolhas racionais de que carreira seguir e, obviamente, levam em consideração a remuneração, as condições de trabalho e possibilidades futuras na carreira. Atualmente, não só temos um problema para recrutar talentos, mas também um problema de retenção. É grande o número de professores que abandona as redes públicas por outras oportunidades. Precisamos de remuneração, planos de carreira e condições de trabalho “padrão FIFA” para a atração e retenção de professores, diretores e funcionários motivados e comprometidos.

3. O estado da infraestrutura impacta na condição de trabalho, na saúde e no rendimento de professores e alunos e, finalmente, na qualidade da educação. Muitas escolas, em todas as redes do país, têm problemas (muitas vezes bem graves) de infraestrutura. A manutenção das escolas também não é barata. Esse tipo de custo, ainda muito alto no Brasil, é muito menor em outros países da OCDE.

4. As escolas precisam ter quadros completos, com direção, coordenação e orientação pedagógica, secretaria e pessoal de apoio para a limpeza, cozinha, ordem e disciplina. Essa não é a realidade na grande maioria das escolas no país, mas é realidade na maioria dos países desenvolvidos.

5. Não temos creches, escolas de educação infantil ou universidades suficientes no país e estamos muito longe de suprir a demanda. É preciso lembrar que há custos de construção e de folha de pessoal para ocupar as novas unidades e o custo das vagas em creches e universidades são bem altos.

6. As escolas precisam ser bem equipadas (laboratórios, bibliotecas, internet wireless, enfermaria, etc) e os professores precisam passar por um bom processo de desenvolvimento profissional em serviço. Quanto melhores são os equipamentos e os cursos, maiores são os custos.

7. Houve um atraso histórico no investimento em educação pública no Brasil, que pode ser comprovado quando comparamos a porcentagem da população que pôde frequentar escolas e universidades públicas desde o início do século passado. Essa demora em levar crianças e jovens para a escola é comprovada mesmo quando nos comparamos com os países mais pobres da América Latina. Isso significa que ainda temos vários custos que outros países já não têm mais.

8. A má gestão do dinheiro público não deve ser usada como argumento contrário e também pode ser combatida com mais recursos. Podemos, por exemplo, criar novos sistemas de avaliação de custos x benefícios, pesquisar mais sobre como inovar e melhorar nossa educação e exigir a formação (inicial e em serviço) de secretários de educação. Precisamos investir mais, inclusive na melhoria da gestão.

9. Vários pesquisadores e gestores defendem que precisamos investir na educação integral. Para que o dia letivo de todos os alunos passe a ter 7 ou 8 horas, as redes precisariam quase que duplicar o número de escolas, professores e funcionários.

10. Não há investimento melhor do que na educação pública. Só ela pode garantir que o futuro do país será REALMENTE melhor, com menos problemas de saúde, violência, empregabilidade, desperdício de talentos, moradia, etc.